<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399</id><updated>2011-07-31T08:33:38.542-03:00</updated><category term='indústria cultural'/><category term='ensaio'/><category term='sexo'/><category term='ensino'/><category term='poesia'/><category term='comunicação'/><category term='rotina'/><category term='solidão'/><category term='virgindade'/><category term='jornalismo'/><category term='ética'/><category term='fim do livro'/><category term='iso'/><category term='tecnologia'/><category term='midia'/><category term='amor'/><category term='crônica'/><category term='comportamento'/><category term='publicidade'/><category term='mulher'/><category term='midia.'/><category term='dia do jornalista'/><category term='Chet Baker'/><title type='text'>MIDIARIO - lg capaverde</title><subtitle type='html'>Um pouco de mim - eu mídia - e um pouco da mídia e eu.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-7378906292279554965</id><published>2010-05-21T15:33:00.002-03:00</published><updated>2010-05-21T15:41:00.676-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Bêbado de mim (ou, ‘rerelendo’ Pessoa)</title><content type='html'>Eu já tinha passado da cota e da conta. O que é mais ou menos normal. O que não é normal era eu ficar assim, 6h30min, diante do mar, sentado ao sol que urge e surge, com raiva de mim. Mas dessa vez o copo revelou um lado meu que eu desconhecia. Geralmente bebo e fico bobo, apaixonado, filósofo de botequim. Pego papel e escrevo poemas tolos pra mulher lá do fundo do bar - que nunca vou mandar, que nunca vou falar. Ou incorporo Vinicius de Moraes e começo a recitar poesias apaixonadas pra grande amada, real ou inventada. Ou me quedo em divagações sobre tudo e nada, o tudo que são as mulheres e seu mundo mágico e impenetrável e o nada que sou eu diante desse mistério todo que é a vida. Mas dessa vez fui levado pro mar, não sei por que forças.  E lá estava eu, diante do mar, sentado ao sol, 6h30min, com raiva de mim. Eu tava me odiando. Tudo bem, eu tinha bebido demais, mas tava me odiando. &lt;br /&gt;Senti pela primeira vez uma raiva tamanha de mim, que tinha vontade de me bater. Então como eu podia amar assim? Então como eu podia entregar a outra pessoa o direito sobre a minha paz, sobre a vontade do meu riso? Como eu podia permitir que alguém que não vai estar no meu futuro, que já estava no meu passado, estragasse assim o meu presente? Então ali, diante de um espetáculo tão majestoso como o mar e aquele sol e aquele céu, como eu podia estar achando a vida sem graça, viver um porre, literalmente, e que amar era uma porcaria? Então ali olhando para aquele ponto mágico onde céu e mar se encontram e que a gente sempre diz pras crianças que depois dele é a África, aquele ponto por onde tantos já viajaram se perguntando se depois dele não vem o fim do mundo mesmo, como eu podia estar ali diante daquilo tudo, pensando que nada valia a pena e que eu era uma grande cacaca sentada na areia? Culpa do amor, pensei. Mas não era culpa do amor. Era culpa do amar. Do meu amar. O amor é lindo, é puro, ele só existe. Era culpa do meu amar a pessoa errada. Mas não existe a pessoa errada. Se eu amei essa pessoa ela era a pessoa certa pra eu amar, senão não amaria.  As outras todas que eram as pessoas erradas pra eu amar. &lt;br /&gt; Eu é que não sei amar, pensei, com raiva de mim. Amo sempre demais. Mas se eu não sei amar, como posso amar demais?&lt;br /&gt;Nosso amor era impossível, filosofei com o copo. Mas não existe amor impossível, se ele existe é porque é possível. Ela não me merece, expliquei pras ondas. Mas que tão maravilhoso sou eu, confuso, só e com raiva de mim sentado na praia às 6h30min, depois de vagar a noite por bares atrás dela, para achar que alguém não me merece? Que tão maravilhoso sou eu, que estou me achando fuleragem, para achar que amor tem merecimento? Todo mundo merece amar e ser amado. Todo o mundo merece todo o amor do mundo.&lt;br /&gt;Eu estava bêbado ainda. Mas agora entendo que mais estava era bêbado de mim, encharcado de mim, desse egoísmo de achar que o mundo tem que me entender e dar bola, que os outros não me merecem e tal. O mundo não tem que dar bola pra mim, logo pra mim, que não dou a menor bola pra ele, se não nascemos um pro outro. . . Como disse Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,&lt;br /&gt;Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,&lt;br /&gt;Indesculpavelmente sujo,&lt;br /&gt;Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,&lt;br /&gt;Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,&lt;br /&gt;Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,&lt;br /&gt;Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,&lt;br /&gt;Que tenho sofrido enxovalhos e calado,&lt;br /&gt;Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,&lt;br /&gt;Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado&lt;br /&gt;Para fora da possibilidade do soco;&lt;br /&gt;Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arre! estou farto de mim. Eu me mereço! Eu, o centro do mundo, o umbigo maior do que o corpo. O incompreendido. O injustiçado. O sacaneado. Bleahhh!  Estou farto disso. Não sou essa bola toda. Queria ser outra pessoa pra não ter que me agüentar. Bêbado de mim. Enjoado de mim. Cheio de mim. E o pior ainda pela frente – a ressaca de mim. Afinal eram 6h30min e o dia estava lindo. Pros outros. E começando, com todo o seu peso, pra mim. Sem ressaca, decidi. Garçom!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-7378906292279554965?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/7378906292279554965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=7378906292279554965' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7378906292279554965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7378906292279554965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/05/bebado-de-mim-ou-rerelendo-pessoa.html' title='Bêbado de mim (ou, ‘rerelendo’ Pessoa)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-6061805216047991069</id><published>2010-04-15T14:29:00.001-03:00</published><updated>2010-04-15T14:31:05.727-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>As delícias do trânsito de Fortaleza</title><content type='html'>Existe um lugar em Fortaleza que está se transformando num novo ponto de encontro de amigos: é o sinal, também chamado sinaleira, ou ainda semáforo. Cada dia mais e mais os amigos se encontram por ali. Encontro involuntário, é bem verdade. Mas vejamos pelo lado positivo. Ontem mesmo vi dois executivos que pararam lado a lado, se olharam, abriram os vidros blindados dos seus tanques de guerra e começaram um papo alegre, descontraído e... longo. Pois veja, o trânsito está tão camarada que até está sendo possível botar o assunto em dia, com as perguntas de sempre e suas variáveis: E daí, como vai? O que anda fazendo? Tem visto o Paulo?&lt;br /&gt;E por aí vai. Dá tempo até pra surgir aquele branco na conversa, com aquela espiada no sinal pra preencher o vazio. “Rapaz, esse trânsito tá uma loucura!” “Que coisa,né?”&lt;br /&gt;Lembra aquela música de Paulinho da Viola, ‘Sinal Fechado”, onde dois sujeitos se encontram e mantém um papo rápido? Só um pedacinho:&lt;br /&gt;Olá, como vai ?&lt;br /&gt;Eu vou indo e você, tudo bem ?&lt;br /&gt;Tudo bem eu vou indo correndo&lt;br /&gt;Pegar meu lugar no futuro, e você ?&lt;br /&gt;Tudo bem, eu vou indo em busca&lt;br /&gt;De um sono tranquilo, quem sabe ...&lt;br /&gt;Quanto tempo... pois é...&lt;br /&gt;Quanto tempo...&lt;br /&gt;Me perdoe a pressa&lt;br /&gt;É a alma dos nossos negócios&lt;br /&gt;Oh! Não tem de quê&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Quando é que você telefona ?&lt;br /&gt;Precisamos nos ver por aí&lt;br /&gt;Pra semana, prometo talvez nos vejamos&lt;br /&gt;Quem sabe ?&lt;br /&gt;Quanto tempo... pois é... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é passado. Agora dá pra esticar o assunto até ficar sem ele. Veja que coisa boa que o progresso fez por nós. Os organizadores da cidade devem ter pensado assim: “Rapaz, esse tempo louco que a gente vive, correndo pra lá e pra cá, merece uma atenção. Vamos promover uma parada nisso, vamos proporcionar encontro entre as pessoas. Sem viadutos, sem túneis. O semáforo é ótimo pra isso”. E assim se fez. E assim se faz. Ponto para a comunicação.&lt;br /&gt;Existe um outro lugar em Fortaleza que está virando point da mulherada. Lugar de conferir o visual, arrumar cabelo, retocar a maquilagem... É o semáforo seguinte. Ontem à noite tinha na reunião na FA7. Quando a coordenadora chegou estava toda produzida, maquiagem com cheirinho de nova. “Coisas do trânsito, meus queridos colegas. Cada parada uma retocada e olha o resultado: tcharan”! Então, isso também tá ótimo. A gente, no caso, as mulheres, pode sair de casa de cara lavada e vai se produzindo no caminho. Entra no carro com cara de sono, sai do carro com cara de deusa. Então? Ponto para a beleza.&lt;br /&gt;E tem mais benefícios ainda proporcionados pelos organizadores do trânsito da cidade. No caso dos homens, tem a faxina do nariz. O macharedo aproveita o sinal fechado e o vidro escuro e ó, faz aquela geral em pelos e melecas nasais. E olha que dá tempo e sobra pra uma espiada nos dentes, com aquela rosnada pro espelho. Sem falar, claro, na limpeza do celular, envio de mensagens, telefonemas e até – pra quem tem acesso à máquinas pequenas - uma navegada básica, com envio de e-mails e leitura das manchetes e índices do dia, o que ajuda a adiantar o dia. No caso do telefone, a gente pode aproveitar para dizer aquelas coisas bonitas de dizer e gostosas de ouvir pras pessoas especiais. Seu amor está em casa ou indo pra outro lado da cidade curtindo outros semáforos, e você aproveita para lhe dizer o quanto o ama e que a vida nessa cidade teria muito menos graça sem a existência desse trânsito e suas sinaleiras  e que, sem esse amor, não teria graça nenhuma. E ainda temos as alternativas das mensagens pelo celular e até e-mails. Romantismo de lado, a tecnologia embarcada pode adiantar o trabalho, marcar consultas... viu só?&lt;br /&gt;Mas tem mais benefício ainda essas paradas nos sinais, verdadeiros “pit-stops” das facilidades da vida urbana. É o caso dos gentis limpadores de pára-brisas, o que não é um privilégio só de quem mora em Fortaleza, claro, mas aqui eles têm um tempo pro serviço que talvez só encontrem em São Paulo. A gente tá parando tanto tempo nos sinais que em breve poderá ter a vantagem extra de lavar o carro entre um sinal e outro. É só os flanelinhas e lavadores se organizarem. Numa sinaleira eles ensaboam o carro, na outra deixam limpinho, e na última, brilho final e pagamento.&lt;br /&gt;As crianças também têm vantagens. Os mais relapsos podem terminar o dever inconcluso; os mais dedicados podem repassar as lições; e os mais feras podem aproveitar e passar pro papai e/ou mamãe as coisas aprendidas que eles não lembram mais ou sequer desconfiavam. Tudo é uma questão de entrar no clima. Lembra da ministra Marta Suplicy com seu famoso “relaxa e goza” para as pessoas que enfrentavam filas nos aeroportos? Pois é. Ou o dito popular “se a vida te deu um limão, faça uma limonada”? Então. Tudo é uma questão de ótica. E de semáforo. Sinal verde pra felicidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-6061805216047991069?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/6061805216047991069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=6061805216047991069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/6061805216047991069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/6061805216047991069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/04/as-delicias-do-transito-de-fortaleza.html' title='As delícias do trânsito de Fortaleza'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-7284639324745838873</id><published>2010-03-25T11:33:00.000-03:00</published><updated>2010-03-25T11:34:29.624-03:00</updated><title type='text'>Na praia,olhando a mulher do outro</title><content type='html'>Ela estava sentada na praia com seu marido, ou namorado, ou namorido, não sei. Era um dia de sol forte, céu azul, daqueles em que até quem não gosta de praia sente vontade de se estirar no sol, tomar um banho de mar. Eu estava sentado a uns seis metros dela, em companhia de mim mesmo. Nessa manhã, boa companhia. Achei-a linda linda. E não poupei  olhares. Eu não a olhava como se olha uma presa, eu não a desejava. Simplesmente eu a olhava como se olha uma obra de arte. Eu a contemplava, era isso. Biquini branco, pele dourada, cabelos e pelos dourados, ela era ouro; ela era um espetáculo, e por isso, devia ser olhada com olhos de platéia. E eu estava ali, representando o gênero masculino e tentando bem representar minha espécie. Como ela estava em diagonal, eu podia assistir a sua exposição ao sol e à vida sem que ela me percebesse. E eu sorvia sua beleza ao tempo em que sorvia minha caipirinha.  O marido, confesso, mal eu notara. Mas vi que existia aquela figura masculina ali, sempre uma mistura de cão labrador com pitibul, dependendo da situação. Sim, porque não tem bicho mais cordato e amigável que homem sossegado ao lado da mulher que gosta e de quem sente aquele orgulho que só os machos entendem, aquele orgulho de ter uma mulher bonita  e desejada, mas que é dele; e não tem bicho mais pré-histórico, mais primo-irmão do gorila, quando se sente ameaçado por outro macho. Sei, sou um deles. E se a mulher então for flagrada olhando pro outro, coitado, ele vira vítima em potencial de afundamento maxilar, e ela começa a experimentar o que deve ser a sensação de passar o portal do inferno. &lt;br /&gt;Então eu olhava muito, mas sereno, porque eles não me viam. Até que, súbito, ela levantou e ficou de frente pra mim verticalizando sua forma esplendorosa. Confesso que levei um choque. Não esperava ela em pé, assim logo logo. Me ajeitei na cadeira e me recompus. Ela começou a fazer uma das coisas que eu mais curto na mulher – arrumar o cabelo, fazendo um simples rabo-de-cavalo. Simples? Naquele simples gesto, se encerra uma das maiores forças sedutoras do ser feminino. Nada de simples. Jogar o cabelo pra lá e pra cá, enquanto passa a liga, trabalhando com as mãos daquele jeito, resume a graça, a garça que vive em cada uma delas. Pensei: aquela cena era tão fortemente graciosa e sedutora que as mulheres deveriam ter a condição de fazê-la em câmara lenta. E aí,  tóin, nossos olhares se cruzaram. Olhei firme por segundos e tirei o olhar. A ciência Semiótica diz que quem fala olha menos do que quem ouve. Pode observar nas suas conversas cotidianas, quando você fala olha menos pra outra pessoa do que ela olha pra você. E ali, naquele dia lindo, na praia, quem estava falando era eu. Eu dizia: nossa, como você é linda! Em seguida ela deitou-se na cadeira, daquelas em que gente fica esticadão, longilíneo. No caso dela, ela horizontalizava a beleza, esticava a sensualidade. Ela se confundia com o horizonte e me veio um verso de Drummond sobre os profetas do Aleijadinho em Congonhas do Campo: “eles monumentalizam a paisagem”. Ela, com seu corpo esculpido por Deus num domingo em que Ele não assistiu ao Faustão, também monumentalizava  a paisagem. Escultura em carne e osso, a mulher melhor prova de que o Cara existe. &lt;br /&gt;Quando ela percebeu que eu a olhava, as coisas mudaram. A naturalidade cedeu lugar aquela arte que as mulheres desenvolveram ao longo dos séculos, a arte de usar plenos poderes parecendo que não estão usando poder algum.  Ela não se transformou em algo artificial, mas sim numa bela e natural encenação que só  as mulheres sabem fazer de não estar nem aí estando aí. Se mexia mais, passava protetor com muita dedicação a cada poro do seu corpo...O homem não me notara. E assim eu tomava minha caipiroska e a cada gole mais eu a achava linda, a cada gole mais eu sentia que me aproximava da alma dela. E me apaixonava. Estava ótimo ela deitada, meio de lado pra mim, e eu sorvendo e absorvendo sua beleza. E o homem não via nada, ocupado em observar um grupo de jovens que fazia saltos. Mas ela me vira. Ela sabia que eu existia. E isso me bastou. Que mais eu poderia querer diante daquele espetáculo vigiado pelo mix labrador-pitibul? Ela me era como um por de sol em Jericoacara – lindo, mas tem seu tempo, acaba. Como disse, eu procurava representar bem o gênero masculino. Eu, platéia, já tinha me embebedado da sua beleza.  Ela, palco, já tinha feito sua apresentação pra mim. Tudo sem pecado. Não tinha luxuria aquilo. Aquilo era a vida. Mulher linda, homem do lado, homem olhando. Tudo muito bonito. Mulher maravilhosa é contemplada por homem contemplativo. Pedi a conta, dei um suspiro e pensei: que bom, já vou.  Ninguém se machucou. Certamente quando ela olhou de novo pra onde eu estava e não me viu, pensou: que bom, já foi. A minha paixão de minutos acabou. Mas a vida ficou mais bela. Pra mim e pra ela. E o marido continuou assistindo os saltos dos garotos. Todos de bem com a vida.Talvez, como disse Vinicius, porque era sábado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-7284639324745838873?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/7284639324745838873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=7284639324745838873' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7284639324745838873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7284639324745838873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/03/na-praiaolhando-mulher-do-outro.html' title='Na praia,olhando a mulher do outro'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2491103047703507423</id><published>2010-03-25T10:23:00.000-03:00</published><updated>2010-03-25T10:25:35.814-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Desconfio que meu amor tá me traindo</title><content type='html'>“Nossos caminhos foram traçados na maternidade”. O verso de Cazuza se encaixa no meu caso de amor com ela. O filme “Nunca te vi, sempre te amei”, também. Senão, como explicar essa vontade de conhecê-la, de estar com ela desde sempre? Sempre sonhei com esse contato. Acho que Freud não explica. Talvez o espiritismo e a teoria de vidas passadas esclareçam, se é que isso existe. Passaram-se anos até que nos encontramos. Nossa relação no começo foi de algum estranhamento, mesclado com muita emoção, pelo menos da minha parte.  Algumas coisas nela me chocavam, outras me encantavam. Eram mais coisas boas e positivas. E assim o amor surgiu, pelo menos da minha parte. Hoje eu a amo e a conheço bem. E ainda descubro novidades todos os dias, aumentando meu encantamento. Devo confessar, todavia, que me sinto um tanto abandonado por ela, ultimamente. Poderia até dizer que me sinto algo desprezado por ela.&lt;br /&gt;Falo de uma mulher chamada Fortaleza, a cidade onde sempre quis morar e moro há alguns anos. A cidade onde, sem nem conhecer, já queria morar. Sem nem conhecer, já sentia que ia amar. Conheci, amei, mas agora ando meio de lado com ela. É que antes, quando eu andava de carro pelas suas ruas, eu deslizava encantado vendo os outros reclamarem do trânsito. Eu pensava: nossa! Isso aqui é uma delícia, eles não sabem o que é engarrafamento. Hoje, carrego um livro de crônicas de Rubem Braga – 200 crônicas escolhidas – para ler quando tudo pára. E como pára, hoje. A rua pára e eu mergulho nas palavras mágicas de Braga, que abrandam meu stress e meu desencanto cada vez maior. Já li 150 crônicas, em poucos dias. Mas queria mesmo era a mágica da cidade andar e poder chegar em casa, no trabalho, sem ter que fazer o comentário-explicação da hora: puxa, fiquei preso horas no trânsito. &lt;br /&gt;Então vamos pra uma DR, meu amor. Diz o que está acontecendo contigo. Porque fazes isso com teus filhos naturais e adotivos, como eu? Não te ensinaram sobre estratégias, logísticas, engenharias? O que há com tuas artérias? Deixaram-nas inchar como varizes e agora o teu sangue – essas pessoas que te amam e que te dão vida – não tem passagem. Sei que não tens culpa direta, porque como uma filha mal educada que não sabe receber e se comportar, tu também não foste ensinada a dar passagem, e não adianta nem mais pedir licença. Me diz onde estão teus viadutos, teus túneis, teu metrô que se perdeu nos trilhos do tempo? Onde estão os responsáveis pela tua formação, que não te proveram do básico para que crescesses com algum preparo, alguma estrutura e assim pudesses enfrentar esses tempos de carros-abelhas e conviver amorosamente com essa multidão que anda, compra, vende, trabalha, se diverte e... sofre nas tuas ruas e avenidas?&lt;br /&gt;Outra coisa: nunca bati em mulher, mas também nunca apanhei, e agora tu me bates todo dia. Nossa relação está começando a me tirar do sério. Teus homens dirigem tensos por ruas perigosas, não pelos buracos, mas por que escondem gente que apedreja, que assalta, que mata. Gente tua que odeia tua gente. Gente que faz mal. Tuas mulheres começam a ficar almodovarescamente à beira de um ataque de nervos, porque seus filhos pequenos voltam sem celular pra casa; e seus filhos maiores, bem, esses quando retornam nas noites em que saem pra se divertir, promovem suspiros tão fundos e aliviados, que ecoam pela tua madrugada. E o Ronda, que te protege? Será que vou ter que batizá-lo de Ronca, porque sempre dorme no ponto, chega atrasado e só pega mesmo é a bóia de cortesia no restaurante da esquina? Eita!&lt;br /&gt;Assim, nosso amor fica comprometido. Nossa relação começa a ser unilateral.  Poxa, só eu dou, só eu cedo?! E agora, o que é esse ar que me sufoca? Sei que isso não é culpa tua, mas como um casal em crise, onde a simples pasta de dente sem tampa já promove uma discussão, começo a colocar isso também na cesta das nossas desavenças. O que é esse calor de Palmas, Teresina, Cuiabá, em pleno inverno? E a chuva, meu amor?  E a chuva que me deixava dormir o sono dos fortalezenses felizes, puxando um edredom e ouvindo aquele som de água, aquele cheiro de terra molhada? Cadê? Não me fale desses pinguinhos caraminguás... sei não, mas começo a pensar que até nisso tens culpa. &lt;br /&gt;Começo a sentir cheiro de traição. E daí a me traíres de verdade ou não, não muda nada. Porque numa relação verdadeira, não precisa haver traição carnal. Existe uma que dói tanto quanto, ou mais – é a traição do compromisso. E dessa pra outra traição é rapidinho. É isso! Você está rompendo o nosso compromisso. Não quero me separar de ti, mas também não quero aquela relação que se leva com a barriga. Pense nisso, tome tenência. Não jogue tudo fora. Quero andar de mãos dadas contigo, de novo. Faça sua parte. Tô no meio da rua, no sol,  te esperando. Ainda te amo muito. Um beijo, Fortaleza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2491103047703507423?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2491103047703507423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2491103047703507423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2491103047703507423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2491103047703507423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/03/desconfio-que-meu-amor-ta-me-traindo.html' title='Desconfio que meu amor tá me traindo'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-3586309527914966393</id><published>2010-03-15T16:48:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T16:50:17.588-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>As mulheres são melhores</title><content type='html'>Os homens que me perdoem, mas as mulheres são essenciais, as mulheres são melhores. Falo no geral. Na questão particular da sensualidade e da sexualidade, então, lembro Chico  Anísio: “mulher é um negócio tão bom, que elas mesmas estão descobrindo isso”. Não quero polemizar, até porque meu lado mulher é superdesenvolvido, graças a Deus e à minha mãe – artista plástica, professora de artes e amante da música e da poesia -, mas meu lado mulher é lésbico. Assim, amo a alma feminina (e seu invólucro) e penso que as mulheres são essenciais, que as mulheres são melhores. O show de Maria Gadú, no final de semana, foi mais uma prova. Gadú é sensacional, um espetáculo de intérprete, um timbre maravilhoso, que aos 21 deixou de boca aberta quem ama música nesse país. E aos 22 hipnotiza teatros e bares com seu jeito tímido, meigo e de moleque. É moleque mesmo, porque quando ela entrou no palco do Centro de Convenções, com o cabelo escondido num boné, óculos escuros, camisetão, jeans e tênis tipo all star, a impressão que tive foi de que entrava um garoto skaitista,  um moleque, não uma moleca. Isso faz parte do fascínio que ela excerce sobre a mulherada jovem. Não sei, nem vem ao caso, a questão da sexualidade da Gadú. Se é marketing ou opção, ou só jeitinho mesmo. Tampouco da platéia. O fato é que 70% do público era feminino e o show não teria sido a maravilha que foi, não fosse a presença maciça das mulheres, porque elas são essências, elas são melhores, porque a alma delas está degraus acima da alma de nós homens. Se a maioria fosse de homens o show teria sido outra coisa, obviamente muito mais sem graça, porque somos mortos por natureza e se não formos motivados por sexo e cachaça a coisa não anda, desanda.  Produzidas e perfumadas femininamente, as garotas amam a Maria Gadú moleque, mas meiga, muito meiga; e tímida. Elas cantaram juntas todas as músicas, o que deve ter surpreendido aqueles que foram lá conhecer a revelação musical de 2009 pelo júri da Associação Paulista de Críticos de Arte, com apenas 22 anos. &lt;br /&gt;Aí fico pensando pela luta das mulheres para serem iguais aos homens. Desculpe, mas querem ficar piores. Querem ser chefe igual, fumar igual, beber igual, transar igual, ser predadoras igual, viver igual e morrer igual, dos mesmos cânceres, dos mesmos ataques cardíacos, e dos mesmos avecês. E somos tão diferentes! A história recente da humanidade, leia-se a partir da modernidade,  é a história da razão, e a razão tem pinto, é fálica. Porque razão é coisa de homem, é coisa maior; e emoção é coisa de mulher, coisa menor. Homem é pensamento, mais importante – quase toda a importância - mulher é sentimento, desimportante. Por obra e graça de Descartes que disse o famoso  “penso ,logo existo” e depois do Iluminismo e seu empenho pelo desencantamento do mundo através da dissolução dos mitos, crenças, superstições, e também da imaginação, o que construímos foi esse fracasso – um mundo insosso, injusto, machista, anti-mulher, anti-poesia, anti-beleza. Construímos um mundo capenga, mutilado, onde um lado, o lado da mulher, sua  essência, e tudo que lhe é cabível e atribuído ficou como menor; e o outro, o lado do homem, ficou como maior.  Foi a vitória da denotação fria e direta, sobre a conotação rica e subjetiva. Foi a vitória da reta sobre a curva. Foi a vitória da matemática sobre as artes. Da cientificidade e do culto à tecnologia sobre a mística e a poesia. Foi a vitória do  homem que não chora sobre a emotividade. Enfim, Deus criou o homem e este criou um mundo macho. E agora as mulheres, que são tão melhores, tão mais sensíveis, por essência, tão mais estetas e estéticas, querem esse mundo pra elas. Se  pensarmos que a metade dominada, melhor na essência, adota o modelo da metade dominadora,  pior por excelência, cabe perguntar: que ser vai sair daí? Quem viver verá. Agora a fase é de transmutação e de confusão. As publicidades e reportagens da mídia, nessa segunda-feira, Dia Internacional da Mulher, mostraram bem isso. Ora a mulher é homenageada como mãe, esposa e dona da vida, um modelo antigo e ligado à dominação; ora como executiva, mulher que trabalha e constrói carreira de sucesso, um modelo moderno, mas masculino, porque a única referência é o mundo fálico. &lt;br /&gt;Mas que igualdade é essa? Fromm vai dizer que é a “igualdade dos autômatos, dos (...) que perderam sua individualidade”. Buscamos a igualdade em vez da unidade. “É a mesmice dos que trabalham nos mesmos serviços, têm as mesmas diversões, lêem os mesmos jornais, experimentam os mesmos sentimentos e as mesmas idéias”. Essa tal igualdade bem poderia ser chamada de padronização. Querendo essa igualdade em vez da unidade, “homens e mulheres deixam de ser pólos opostos para serem os mesmos pólos”. &lt;br /&gt;Mas a esperança ressurge quando assisto um show como o de Maria Gadú. Porque a diferença da essência parece estar preservada. E se as mulheres conseguirem comandar o mundo, o que me é inexorável, poderemos realmente viver num novo planeta, com mais boniteza, mais emoção, um planeta mais metafórico, transcendental, justo e meigo, enfim. Mas para isso é preciso que essa transmutação não esmague a diferença, não sufoque a essência do ser feminino. Se a essência permanecer, como deve permanecer,  teremos os homens buscando imitar as mulheres e teremos um Iluminismo às avessas, com um novo encantamento do mundo, no melhor sentido, um “engraçamento” do mundo.  E lembrando Pepeu Gomes se “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”, espero que sendo mulheres masculinas, elas não firam nem mutilem o seu lado feminino. Aí terá valido toda essa zorra da sociedade capitalista contemporânea confundindo igualdade com unidade, garrafas e camas com liberdade, pólos opostos com pólos iguais, individualismo e quantidade com felicidade. Se a nova mulher ajudar a desconstruir esse velho e mutilado ser humano que somos todos, e ajudar a construir um novo ser, hibridizando, fazendo um mix do melhor dos dois lados, com uma puxadinha maior pro lado dela, terá valido a pena toda essa zorra agora. Parodiando Maria Gadú na obra-prima Altar Particular, estamos “com tudo a flutuar no rio, esperando a resposta” do tempo. E os homens que me perdoem, repito, mas as mulheres são essenciais, as mulheres são melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-3586309527914966393?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/3586309527914966393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=3586309527914966393' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3586309527914966393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3586309527914966393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/03/as-mulheres-sao-melhores.html' title='As mulheres são melhores'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-3753393234910349547</id><published>2010-03-04T14:18:00.001-03:00</published><updated>2010-03-04T14:26:38.687-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Amar é aprendizado (ou o amor no tempo do fast-food)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;Imagine uma situação hipotética onde um homem e uma mulher que nunca viram uma cena de amor entre namorados, nunca viram um homem e uma mulher fazendo sexo fossem colocados num luxuoso quarto de motel, com a melhor champanhe, música romântica e tudo  o mais... O que aconteceria? Rolaria? Não aconteceria nada. Não rolaria nada. Porque não saberiam o que fazer, como fazer. Uma frase comum na nossa sociedade – e carregada de preconceito moral – é que “sem-vergonhice a gente nasce sabendo”. Primeiro essa sem-vergonhice não é sem-vergonhice – é vida. Segundo, a gente não nasce sabendo essas coisas, a gente aprende. Pelos filmes, novelas, pelos romances, pelas ruas, na família, isto é, na vida mesmo. É claro que os filmes pornôs mais deseducam do que educam, porque ninguém é daquele jeito, é claro que os romances e novelas ensinam uma noção açucarada da felicidade a dois, é claro que as famílias..., bem não vamos discutir isso aqui. E é claro que uma situação como propus lá em cima é impossível de acontecer, porque duas pessoas assim isoladas do mundo não seriam pessoas. Mas essa experiência foi feita com macacos Rhesus, os mais próximos dos humanos. Macacos e macacas foram criados sem convívio social e sexual que lhes possibilitasse ver o que e como fazer. E quando foram colocados juntos o que aconteceu? Nada. Ou melhor, aconteceu que eles ficaram excitados, mas não sabiam o que fazer. Ficavam correndo, se tocando, a fêmea tentava montar o macho, o macho ficava mais agressivo e, por fim, se não fossem separados, se matavam.  Bem, vamos partir daí.&lt;br /&gt; A gente aprende a fazer sexo e aprende a amar. No caso do sexo, vendo e fazendo. No caso do amor, é um pouco diferente. A gente vai ter uma relação com o amor diretamente ligada ao tipo de amor que recebeu, ou não recebeu, ao tipo de amor que aprendeu, ou não. Fechemos o foco no amor, porque sexo tem por aí em todo lugar, dos out-doors aos motéis, embora a questão pareça ser mais de quantidade do que de qualidade. Fechemos o foco no amor, porque esse está em baixa enquanto vivência, concretização, embora se tenha uma necessidade essencialmente humana dele.&lt;br /&gt;O amor é a maior e mais bela experiência que podemos experimentar na vida. Falo do amor em toda a sua extensão, não só amor homem-mulher, mas amor de pai-mãe por filho, pelo próximo... Mas fechemos o foco no amor entre homem e mulher. E ele é, repito, um aprendizado. Buscaglia, pedagogo norte-americano, ensina no livro Amor, “que a maioria de nós continua a agir como se o amor não fosse um fenômeno a ser aprendido e sim como se vivesse adormecido em cada ser humano, simplesmente esperando (...) para emergir em toda a sua intensidade. Muitos esperam (...) para sempre. Recusamo-nos a encarar o fato óbvio de que as pessoas, em sua maior parte, passam a vida tentando encontrar o amor, tentando vivê-lo, e morrendo sem nunca tê-lo descoberto verdadeiramente”. Triste isso, né?&lt;br /&gt;O psicanalista Erich Fromm, no livro A arte de amar, frisa que a postura de que “nada é mais fácil do que amar tem continuado a ser a idéia predominante, apesar da esmagadora prova em contrário.” E vai enfatizar que o amor é uma arte. “Se quisermos aprender como se ama, devemos proceder do mesmo modo que agiríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, seja a música, a pintura (...)”. Como se vê, a coisa é complicada, por isso esse fracasso tremendo nos nossos amores. Sem falar que queremos mais ser amados do que amar. Que confusão!&lt;br /&gt;E nessa nossa sociedade mercantilista, acabamos por não viver só no sistema, posto que vivemos  o sistema. Quer dizer, nossas relações são perpassadas pelo capitalismo. Se a sociedade é de consumo, nos consumimos uns aos outros, utilitariamente.  No mundo do  fast-food, no plano sexual inventamos o fast-foda, o sexo casual, tipo lavou  tá novo.  No amor, acabamos adotando a mesma postura, o fast-love. Ou seja, não investimos no amor; ou seja, não nos predispomos a aprender a amar, a construir uma relação, porque isso demora tempo e demanda investimento emocional e riscos e perdas e danos. &lt;br /&gt;Vejamos o caso de Fernanda. Ela, livre e desimpedida, conheceu Lúcio, que recém tinha se separado. Se encantaram. No apartamento dele ao lado da cama onde fizeram amor, ainda tinha um porta-retrato dele com a ex e o filho. Querendo mostrar maturidade, ela disse que achava aquilo normal, porque era o filho dele e a mãe do filho dele. Superfície. No fundo, aquilo a incomodara. Com os dias, vendo que apesar de encantado com ela, ele, que fora o abandonado, ainda nutria sentimentos pela ex-mulher, levou um papo-cabeça com o cara. Disse que era melhor ficarem por ali, ele tentar se reconciliar, que o casamento dele tinha poucos anos e blá, blá, blá. Ela me contou que chegou em casa e chorou todas as lágrimas, mas que se sentiu ética. Mas ela não foi ética. Ela foi covarde. Porque ela não fez isso por ele, fez por ela. E fez por medo do investimento emocional, por medo das perdas e danos a que se sujeitaria. O aprendizado do amor exige compromisso, empenho, boa vontade, e riscos. Ou seja, Fernanda queria que Lúcio investisse no amor, o que ela não fez. Queria que ele lutasse, o que ela não fez. Assim, era melhor partir pra outra, outro cara, um prato mais simples, menor, mais digerível, sem risco de azia, apesar da fome. Era melhor partir pra outra, outro cara, no grande buffet das nossas relações. Assim Lúcia perdeu Fernando, um cara que pra ela tinha tudo e todas as qualidades por quem valeria a pena lutar. Mas  não quis lutar. E perdeu. Não quis tentar aprender a amar e tentar construir uma relação verdadeira, esse “momento de unidade”, como diz Fromm, e que “é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida”. Coisa da nossa cultura fast-foda, fast-love, fast-tudo. Coisa desse tempo onde a gente perde e se perde, pensando que se acha; que perde, sem nem lutar.WO.Fast-vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-3753393234910349547?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/3753393234910349547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=3753393234910349547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3753393234910349547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3753393234910349547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/03/amar-e-aprendizado-ou-o-amor-no-tempo.html' title='Amar é aprendizado (ou o amor no tempo do fast-food)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2782628182987218534</id><published>2010-02-25T19:46:00.000-03:00</published><updated>2010-02-25T19:56:15.224-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Sexo pra ganhar abraço?</title><content type='html'>Marcelo rodava sem rumo pela cidade, passando das 2h. Tinha saído com amigos e feito uma mistura de bebidas que transformara seu fígado num repositório alcoólico digno dos melhores manuais de como não beber. Estava só e buscava coisa nenhuma, qualquer coisa que lhe preenchesse o resto de noite.&lt;br /&gt;Quando passava pela Antônio Sales, viu uma jovem mulher andando sozinha pela calçada. Freou bruscamente, estacionou e foi em direção aquele vulto feminino. Parou em frente dela. Seus olhos se olharam fixamente. Sem palavras. Só olho no olho. De repente a mulher se atirou sobre ele, abraçou-o fortemente e caiu num choro compulsivo. Depois de segundos de um abraço forte, onde os braços dela pareciam garras grudadas às costas dele, trocaram as primeiras palavras assim, grudados. Ela gemeu em soluços: “Eu estou  muito só!”  Atônito,  ele afastou-a e olhando novamente nos olhos dela, disse: “Não está mais!” Abraçou-a e começou a levá-la no sentido do carro dele. “Meu carro está ali”, disse ela apontando para uma caminhonetona preta. “Depois você pega”. Levou-a para seu apartamento. Entraram e ela foi imediatamente tirando a roupa. Ele nem teve tempo de falar as costumeiras falas, tipo:  queres uma água, uma Coca, uma cerveja? Foram para o quarto. E ali fizeram o sexo mais sexual, mais selvagem, desesperado, dolorido que dois seres solitários  e agonizantes podiam fazer. Durante todo o tempo, ela dizia: “me abraça, me abraça.” Terminada a batalha, ela vestiu-se, e sem palavras, saiu, pegou o elevador e sumiu da vida dele. Nem tchau, nem telefone, nem “valeu”, nem obrigado, nem nada. &lt;br /&gt;Quando Marcelo me contou essa história, como se fosse algo fantástico, eu pensei: “tem nada de fantástico”. É a solidão da cidade grande. É a solidão das pessoas que se entopem de relações superficiais, de ficadas, e que na verdade, por trás dessa pseudo liberdade, onde têm muitos, não têm ninguém. E me lembrei do depoimento de uma prostituta que disse que se prostituía não pelo dinheiro, mas para ser abraçada. E me lembrei da indiana Amma, que roda o mundo dando abraços. As pessoas fazem fila para serem abraçadas por ela. Amma já abraçou 20 milhões de pessoas no mundo todo, e quando esteve no Brasil, ano passado, 15 mil  pessoas fizeram fila no Hotel Intercontinental, no Rio, para se aconchegarem nos seus braços. Santa carência! Quanta solidão! Quando uma repórter perguntou para Amma de que mais o mundo precisa, ela não vacilou na resposta: &lt;br /&gt;“Amor e compaixão. A alma precisa tanto de amor quanto o corpo precisa de comida para crescer. O amor, por exemplo, pode chegar a nutrir muito mais um bebê do que o próprio leite. O que acontece hoje no mundo é que as pessoas passam muito mais tempo tensas do que em estado de felicidade. E deveria ser exatamente o contrário”.&lt;br /&gt; E me lembrei de um texto do Jabor (ou atribuído a ele na internet), onde ele fala das garotas lindas que partem pra balada, “com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, (mas que) chegam sozinhas e saem sozinhas” e dos “empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e (estão) sozinhos.Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos personal dance, incrível”, diz ele, atônito.&lt;br /&gt; Carlos  Maltz, conta no seu blog que seu consultório está entupido de mulheres que ficam, mas que se sentem solitárias. Ele classifica três tipos de relacionamentos: namoro, ficar e rolo. O que os caracteriza, “são os teores de comprometimento com a relação: o baixo, o baixíssimo e o quase inexistente, que seria uma espécie de “Coca-Diet” dos relacionamentos”.&lt;br /&gt;Falando das relacões anteriores dessas mulheres ele comenta: &lt;br /&gt;“Havia momentos, conflitos, negociações, resoluções de conflitos, sexo, que ás vezes era bom, ás vezes era ruim, e ás vezes não rolava. Gozo, lágrimas, cobranças, baixarias, momentos sublimes… Eles saiam juntos para ir jantar, ir ao cinema, ir visitar os pais dela, os dele, a tia chata que está no hospital… Ele tinha que comprar um presente para ela no dia do aniversário dela, ela no dele… Dia dos namorados… Levar o cachorro para dar uma volta, dar uma dura no irmão menor dela, que não respeita ninguém… Um auxiliava o outro a estudar para o concurso, a prova da carteira de motorista… Enfim, algo cheio de altos e baixos, momentos bons e ruins, alegres e tristes, que eles iam vivendo juntos, compartilhando… Tipo “Eduardo e Mônica”… &lt;br /&gt;Qual é a diferença? Maltz questiona. E responde: “Bem, de toda aquela lista de coisas que eles faziam juntos, lá em cima, sobrou apenas o sexo, e sair, vez por outra para um jantar ou um cinema. Ou seja, tira-se fora o ônus da relação, e fica-se apenas com o bônus. Filé sem osso, peixe sem espinhas, aquelas saladas que já se compram prontinhas para ir á mesa, não precisa nem lavar… Empacotadinho, você nem suja as mãos… Genial, não?”&lt;br /&gt;Em seguida, ele pergunta de novo: “o que vai acontecer com essa geração de homens e mulheres, essa geração de menininhos e menininhas mimados que só querem comer a cobertura de chocolate do bolo? Menininhos e menininhas que quando encontram o recheio de ameixa, logo pegam outra fatia, para comer só o “docinho”… O que espera essa geração de gente que foge da entrega e do amor, que nem o diabo foge da cruz? Essa gente que foge do compromisso, de decisão? Da escolha, do sacrifício, essa gente que foge da dor… E da vida… O que acabará por encontrar?”&lt;br /&gt;Pois é... então pergunto eu: Nesse nosso mundo virtualizado, que tipo de relações estamos na real buscando? Com a palavra Marcelo e a moça que andava pela Antônio Sales, nossos dignos representantes. Falando nisso, um abraço pra você que me leu até aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2782628182987218534?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2782628182987218534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2782628182987218534' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2782628182987218534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2782628182987218534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/02/sexo-pra-ganhar-abraco.html' title='Sexo pra ganhar abraço?'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-8560522219958130015</id><published>2010-02-18T10:20:00.000-03:00</published><updated>2010-02-18T10:22:51.680-03:00</updated><title type='text'>Carta para uma amiga em crise amorosa</title><content type='html'>Querida amiga. Tu voltaste do carnaval e foi uma porcaria. Estavas tão feliz e empolgada antes, uma alegria só. Voltaste em pedaços. Falo de dentro, não do corpo. Afinal alugaste uma casa numa praia linda e lá te foste com teu amor para cinco dias de paz e felicidade. Não foi assim. Vocês brigaram e a praia se tornou um lugar deserto, distante do teu mundo. E os cinco dias se transformaram em anos de agonia e sofrimento. Quero, como amigo, te dizer algumas coisas. &lt;br /&gt;Primeiro quero te falar de amizade e dizer que estou aqui. Tu não estás sozinha mesmo que nessa hora te sintas a mais só e abandonada das criaturas. A amizade é uma jóia rara nesses tempos de relações superficiais onde as pessoas enchem o Orkut de declarações de amor uns pelos outros.  “Te amo,amiga”, é uma frase que lota os recados e depoimentos  da internet, escrita por gente que não sabe o que vai na alma do outro,que não conhece verdadeiramente os sofreres, desejos e prazeres do outro. Gente que escamoteia suas emoções, finge suas alegrias e alardeia seus prazeres. Gente que não é o outro, que não vive o outro e para outro. Estou falando de amor enquanto amizade, porque a amizade obviamente é amor. Nesse tempo de individualismo e egoismo, o outro serve pra gente, a gente se serve do outro, mas não serve o outro. Então, amiga, se isso serve pra alguma coisa, pense no Orkut e a banalização do amor, pense em ti e a divinização do amor. Então, amiga, preserve, regue e cultive a amizade como algo raro, que é. Pois temos esse algo raro de um chamar o outro quando está muito feliz. “Capa venha pra cá, estou tão feliz e quero te ver”. E o contrário. “Capa, to mal, preciso de ti”. E eu, quantas vezes fiz o mesmo, tendo no teu ombro e no teu sorriso a força e a leveza de viver?  &lt;br /&gt;“Amizade é quando o silêncio não se torna incômodo. Amor é quando o silêncio se torna cômodo”, disse Mário Quintana. Ontem, quando voltaste, conversamos muito. Mas os momentos de quietude, de não-fala, falaram muito também. Eram momentos em que nossas almas conversavam, nossos olhos se afagavam. E lá estava tua amiga também, conversas e silêncios a três. Não estavas e não estás só. Pense o quanto é valioso isso que temos. E isso que temos não tem preço. Sei o que é solidão. Desde que cheguei a Fortaleza a alguns anos – a cidade que escolhi não só para morar, mas para viver e amar – dividi com o mar a falta de amigos. Nossa! quanto eu caminhei e corri conversando com as ondas e com Deus, recebendo respostas que vinham pela brisa. Hoje corro pra ti. E continuo correndo pra Deus. Ótimas companhias. Não estamos sós.&lt;br /&gt;Segundo, amiga – tinha um primeiro lá em cima, lembra? – quero te falar de amor. Não sei se a ruptura de vocês é definitiva. Mas a dor é, no sentido de que nada apaga a dor que sentes agora. Vocês podem voltar, mas a dor ficará lá na sua memória, ficará lá arquivada no seu coração. Se vocês voltarem, que ela seja a grande professora que ensinou tanto, achando que não ensinava nada, apenas cumpria assim seu papel na sua vida, assim fazendo melhor a relação de vocês. E se vocês não voltarem, que a dor te faça pensar muito, avaliar muito e assim te fazer melhor. A dor só vale se dela tirarmos algo. A dor só vale pela não-dor, trocada que deve ser pela compreensão do que é viver e do que é amar, pela compreensão de que viver é amar. Não devemos amar a dor, claro. Mas devemos amar o amor, esse sentimento tão lindo quanto raro, ainda mais hoje em dia. O psicanalista Igor Caruso,no livro A separação dos amantes (leia-se ‘amantes’ no sentido de ‘os que se amam’) diz que a perda da pessoa amada vem carregada de um sentimento de morte. E é assim mesmo. Mas a morte não existe, ela é sempre um renascer para algo novo. Agora estás aí, puro sentimento de morte, viúva de ti mesma, longe da pessoa que conheço e gosto tanto. Quero que penses nisso. Não há muito a dizer nessa hora em que velas pela dor o teu amor. Mas quero te dizer isso: Amiga, pense na amizade que te devoto, no quanto te gosto- eu que precisei tanto de ti e a quem te devotaste tanto. Não estás só, meeeeesmo! Pense na tua amiga lá, também, alma na mão pra ti, coração na boca pra ti. E pense, que se tu e teu amor voltarem, tudo será melhor. E se não voltarem, nada será pior. Tu renascerás mais linda, dentro e fora. Não há como não sofrer agora. Mas regue essa dor, não para que ela continue viva, mas para que ela morre, germine e não só te traga de volta, mas que te traga de volta numa versão melhorada, ainda mais bonita, dentro e fora, mais amiga e mais amada. &lt;br /&gt;Amizade e amor andam juntos. Quem não tem na pessoa amada um amigo, não tem o amor pleno. Muito mais que o tesão é isso que conta. Quem não ama seu amigo, não tem um amigo pleno. Tem um desconhecido de quem gosta, como aqueles lá que infestam os Orkut da vida.&lt;br /&gt; Amiga, amizade e amor andam juntos.&lt;br /&gt; Amiga, eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-8560522219958130015?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/8560522219958130015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=8560522219958130015' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8560522219958130015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8560522219958130015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/02/carta-para-uma-amiga-em-crise-amorosa.html' title='Carta para uma amiga em crise amorosa'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-3558457060454602775</id><published>2010-02-11T17:22:00.001-03:00</published><updated>2010-02-11T17:23:28.154-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Nesse carnaval não beije na boca</title><content type='html'>“Eu quero mais é beijar na boca!”, grita um dos muitos clones de cantora de trio elétrico que infestam nossa mídia. Faça não. Nesse carnaval não beije muuuito na boca. De preferência, nem beije. De preferência, beije a quem você ama, se tiver, mas não o estranho com a alegria enlatada na mão e os olhos injetados de multidão. Mas de preferência mesmo, beije você mesmo.&lt;br /&gt;Se você não vai viajar, então, ótimo. Não diga “que saco! vou ficar na cidade”. Aproveite para viajar com você, pra dentro de você. Há quanto tempo você não caminha de mãos dadas com você? Há quanto tempo não se afaga? Há quanto tempo não se curte e não se encanta com você mesmo? Há quanto tempo sem tempo pra você? Se não viajar, navegue pra aquele lugar mais dentro do seu mar e descubra lá longe suas praias isoladas, suas areias desertas, seus lugares inacessíveis até mesmo pra você. Tem tanto recanto bonito dentro de você! Fizeram você acreditar que é igual a todos, igual à massa. Não é! Você é um ser único, só que talvez  nunca tenha se apresentado a você!&lt;br /&gt;E se for viajar pra um lugar de muita festa, saia um dia só com você, sem bebida, sem amigo, sem amor (velho ou novo) e se misture com a massa. Olhe como as pessoas riem, bebem, pulam, numa corrente elétrica de alegria e euforia que é da massa, não é de cada um. E que essa alegria toda te lembre o verso cantado por Frejat “que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero”. Pense naquela “felicidade” toda ali. Então perceba que todos são um e que cada um é ninguém. Mas que você está fora disso, você está de fora, olhando os outros e se percebendo único ali. Ali, só você é você. Escolha dois que se beijam loucamente. É fácil achar. Eles estão perdidos ali. Pense que não são eles que se beijam. É a massa que vive neles que se beija, essa loucura que deixou de emanar do popular, capturada que foi pela mídia e pelas secretarias de turismo, pra ganhar dinheiro enlouquecendo o que Freud chamou de nosso instinto de vida (pra esquecer a morte). E dê um grande beijo pra dentro de você. Volte pra casa feliz,  abraçado  com você, ser único, fora da massa que é um e não é ninguém, repito.&lt;br /&gt;E chegando em casa, se você estiver com alguém, olhe pra essa pessoa por uns minutos e pense quem  é ela na sua vida. Ela é a sua vida? E se ela perguntar : “porque você está me olhando?”, responda: “estou olhando pra mim”. E reflita que você só vive uma vida, pelo menos aqui por essas bandas terrestres, e que partilhá-la com quem não é parte de você é assinar o seu atestado de hábito, ou de óbito, não sei a diferença.  Chame o “síndico do seu tédio” e se reinvente. Pense que é na volta das férias que acontece a maioria dos rompimentos. Que os cartórios batem os recordes anuais de pedidos de separação nessa época em que a gente retorna do convívio com o outro – marido, esposa, namorado, namorada -  e descobre que vive em solidão a dois.&lt;br /&gt;Se ficar em casa, não ligue a televisão naquela profusão de corpos malhados à bisturi, de gente que já não tinha mais sua alma e agora não tem também mais o seu corpo. De preferência não ligue a televisão. De preferência não ligue nada. Fique no silêncio de você. Faça um ”silêncio do vizinho reclamar”. E se escute. Ouça a música do seu viver. Suas torneiras, suas chaleiras e panelas, seus ventos na varanda, seus suspiros. Melhor que a melhor batucada.&lt;br /&gt;Se ficar em casa, aproveite para ir a uma livraria e escolher um bom livro que não seja best seller. Esqueça as cabanas da vida, os comer, rezar e amar e busque um autor que não seja de massa. Não vou sugerir nomes. Têm muitos. Nem aceite sugestões de vendedor, nem de ninguém. Arrisque-se e viva momentos bonitos de você mesmo, descobrindo algo que a  mídia não lhe mandou descobrir... e que você vai amar, até por isso. Você vai se amar se sentindo mais único do que nunca. E pense no que disse o filósofo alemão Adorno, “que para algumas pessoas dizer ‘eu’ chega a ser um absurdo”. &lt;br /&gt;Enfim, se algo assim acontecer com você nesse carnaval, tenha certeza que você fez um carnaval espetacular. Você foi pierrô e colombina de você mesmo. Montou um trio elétrico dentro de você. Pulou por dentro. Sua alma cantou como nunca. Seu coração bateu mais forte que os tambores. Você fez folia em sua vida.  E o ano, enfim, começará novo pra você. Já os outros, voltarão esgotados e felizes em bandos de gente, bandos de carros, bandos de ônibus e aviões pra viverem suas vidas, em bandos. Felizes de alma? Viverem suas vidas mesmo? Bem, vamos ler tudo de novo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-3558457060454602775?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/3558457060454602775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=3558457060454602775' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3558457060454602775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3558457060454602775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/02/nesse-carnaval-nao-beije-na-boca.html' title='Nesse carnaval não beije na boca'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2752447537672134469</id><published>2010-02-10T11:13:00.001-03:00</published><updated>2010-02-10T11:15:21.430-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Crônica do amor que morre</title><content type='html'>Sofri muito por esse amor que morre. Noites insones; dias sem que em nenhum minuto deixasse de pensar nela. Litros e litros em forma de cerveja, uísque e similares, servidos e sorvidos por ela. Disperso, no trabalho não rendi, em vários momentos, o que podia render. Meu corpo pagou o pato com problemas decorrentes do sofrimento por esse amor. Esse amor que agora morre. Sei que morre. Sinto que morre. Agora boto a cabeça no travesseiro e durmo. Antes, não dormia quando botava a cabeça no travesseiro. Antes, acordava no meio  da noite, sobressaltado, pensando nela, no que seria  viver sem ela. Agora durmo a noite toda, vivendo sem ela. E surpreso percebo que, se levanto para ir ao banheiro, vou como um zumbi e ela não me assalta no trajeto. Antes, quando pulava da cama pela manhã (eu realmente pulava, um tanto assustado, com medo e sem rumo, com pressa pra ir pra algum lugar onde ela não estivesse,  ela  que morava dentro de mim), quando pulava da cama, automaticamente pensava nela. Louco isso, mas minha lucidez ao acordar, estava ligada à loucura daquele amor. Hoje acordo, sento na cama me espreguiço, vou à janela olhar o mar e minha cabeça vaga pelas ondas, pelos surfistas que cedo estão lá riscando a água, pelas pessoas  lá na areia desenhando sincronicamente no ar. Só depois ela me vem, com o sentimento de que está indo...&lt;br /&gt;E  assim, me curando desse sofrer todo, desse amor que me maltratou tanto, percebo que sinto agora uma dor pela dor que está indo embora. Sinto que a minha amada  vai morrendo dentro de mim e que começa a ser passado. Ela, tão presente nos meus dias, passa a ser, primeiro uma ausência na minha vida vivida; segundo, passa a ser uma ausência no meu pensamento pensado. Enquanto eu a amo, mesmo rompidos, mesmo nem se falando nem se vendo, e mesmo guardando  muita mágoa, ela vive em mim, é presença em mim. Amando-a cada dia menos, no lento trabalho do tempo, que como o vento junto às falésias, esfarela, corrói e vai desmoronando  tudo, ela vai entrando no meu passado e lá vai ocupando seu espaço dentre tantos amores que acabaram, que morreram de morte morrida ou  morte matada. E me percebo incomodado com esse amor que morre. Porque é mais um que morre e porque é esse amor, com toda a sua especialidade, com tua sua loucura, com toda a sua dor. Ela vai saindo de mim, e sinto que sofro por isso. Vai entender!...&lt;br /&gt;  Percebo que não sofro só o fim do amor por ela, sofro também o fim do amor, essa coisa estranha , bela e boa de olhar o outro com outro olhar, de sonhar a vida com o outro e para o outro. Percebo que me agarrei à dor para não perdê-la de vez.  A dor da separação era a presença da ausência dela. E se agarrar à dor é se agarrar na cauda do amor e não querer que ele vá embora. Não só o amor por ela, mas o amor mesmo, que de tanto ir embora e de tanto vir, como as ondas do mar, vai dando uma sensação de cansaço,  de fracasso (então é sempre isso, é sempre assim? Nadar, nadar e morrer na praia? Então a morte é sempre o fim de tudo mesmo?). Não quero saber da minha capacidade inesgotável de amar. Não quero saber que esse amor vai e logo outro “ela” vai estar me preenchendo. Queria um amor pra sempre. Esse mesmo que está morrendo dentro de mim. Sinto que reajo para ela não virar um retrato 3 x 4 na minha vida. A agonia desse amor me agoniza. O vazio que esse amor começa a deixar me impacienta, me esvazia. Porque a ausência dela era minha companheira. Agora nem isso. Agora sou só eu, de novo na estrada, de novo só. Perder a ausência dela, perder a dor por perdê-la é perdê-la uma segunda vez. &lt;br /&gt;Percebo  que não quero que esse meu amor morra e se transforme em ex-amor, que deixe a cena da minha vida e vá viver eternamente num canto do camarim, onde jazem como bonecos quebrados os ex-amores. Mas esse amor morre.  Adeus noites insones. Adeus copos e garrafas. Adeus dor do desamor. Adeus sua presença. Adeus sua ausência. Adeus tristeza. Que triste isso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2752447537672134469?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2752447537672134469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2752447537672134469' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2752447537672134469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2752447537672134469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/02/cronica-do-amor-que-morre.html' title='Crônica do amor que morre'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2664303229644037139</id><published>2010-02-03T14:17:00.000-03:00</published><updated>2010-02-03T14:20:00.594-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Amar é um ato subversivo</title><content type='html'>Já escrevi, dia desses, que nossa civilização cristã divinizou o sofrimento e assim passamos a medir o amor pela dor que ele gera e não pela alegria, paz e felicidade que produz. Quem eu mais amei foi aquela por quem eu mais sofri, o que não tem valor de verdade sempre. Quero fazer agora uma outra reflexão. Ainda medimos o amor pela dor, tudo bem, mas há algo novo no ar: a idéia de que sofrer por amor é babaquice. Você sofre, tudo bem de novo, mas o mundo ri de você. O  amor é cada vez mais tratado em nossa sociedade frívola e materialista como uma tolice, uma perda de tempo. Vale como negócio. E a dor que às vezes o acompanha, nem se fala. “A Marcela? Tá lá chorando por causa de homem, aquela idiota, ao invés de partir pra outra.” Versão masculina: “O Paulo, olha, um bobo, tá bebendo todas depois que levou o fora da fulana, com tanta mulher no mundo”. Não é assim? Fazemos troça da dor de amor dos outros. Pimenta no dos outros... Sofrer por alguém é  inconveniente, inoportuno, chato. Ficar é que  legal, transar é  que o canal. Mas amar, bem isso já é mais complicado para essa gente criada na civilização capitalista, onde as pessoas se usam como coisas e se gastam como máquinas. Pra amar é preciso entrega, doação, algo que não combina com esse tempo que vivemos. O lema é: eu me amo e o outro eu desfruto. Se não vejamos o que é o ficar. Nada mais que um teste-drive. A gente dá uma pilotada no outro, prova um pouco do gosto, pisa um pouco mais fundo, dá uma verificada no motor, faz um balanço da potência... E vai contar pros outros. E vai pro próximo teste-drive. E o transar? Bem esse é o grande lance, desde que a mídia disse para todos que só o sexo e o dinheiro trazem a felicidade.  &lt;br /&gt;E se o capitalismo nos fez acreditar que tempo é dinheiro, a cultura aí gerada nos diz que tempo é prazer também. Quer dizer, temos pouco tempo pra gozar tudo e aí não cabe ficar chorando por dor de cotovelo, abandono, cornice. A coisa foi sacramentada já na frase de Luana Piovani, uma de nossas grandes filósofas atuais: “A fila anda”. Um sistema que prioriza o ter ao ser, só pode medir a felicidade pela quantidade de parceiros que se teve/tem, e não pela qualidade das relações; pela quantidade de orgasmos que se tem/teve e não pela qualidade. Além do que, o amor é subversivo. Sempre que ele irrompe no coração de uma pessoa, ele imediatamente causa estranheza, incomoda o mundo. O apaixonado vive num outro planeta, a vida lhe fica diferente. E a sociedade gosta do igual, do mesmo, não do diferente. Octávio Paz, mexicano genial, prêmio Nobel de Literatura, num belo texto do livro Labirinto da solidão, diz que “no nosso mundo o amor é experiência quase inaceitável”. E na verdade, todo tipo de amor é viável. Não existe amor impossível. O fato de existir um amor impossível já diz que ele é possível, pois que aconteceu. Branco com preta, baixo com alta, velho com moça, cristão com muçulmana, homem com homem, mulher com mulher - todo tipo de amor é possível de se realizar.  Mas porque a sociedade não gosta do amor? Porque, com raiz no diferente, ele rompe com as regras. De novo Octávio Paz: “[...]. A sociedade concebe o amor, contra a natureza desse sentimento, como uma união estável e destinada a criar filhos. Identifica-o com o casamento. [...] Daí também que o amor seja, sem se propor a isso, um ato anti-social, pois cada vez que consegue ser realizado, viola o casamento e o transforma no que a sociedade não quer que ele seja: a revelação de duas solidões que criam para si mesmas um mundo, que quebra a mentira social, suprime o tempo e o trabalho e se declara auto-suficiente.” Vejamos a publicidade, o cinema, as novelas, as letras de música (nem falemos do forró). Elas excitam as pessoas, erotizam o mundo, passando uma tesão e um espírito de aventura e gozo que as pessoas não tem, mas são iludidas a ter. Quando que a mídia enaltece o amor? Nas grandes datas comerciais: dia das mães, dos pais, natal... De resto é muita mulher pelada, cervejada na praia, carro potente pra conseguir mais teste-drive - não no carro, claro. E aí duas pessoas se apaixonam e fogem desse mundo, mergulham no deles. E logo vem a sociedade para domesticar essa rebeldia – tem que se acalmar, namorar, noivar, casar, ter filhos e, enfim, domesticar-se na vidinha doméstica. E depois ficar olhando o álbum esmaecido de fotos do tempo dos sonhos, das loucurinhas, das escapadas. Ou então tem que acabar a relação.&lt;br /&gt;Se o amor precisa ser domado, aquietado, logo a dor do amor precisa ser desprezada. São Paulo dizia que o melhor era não casar, “mas se arder, então que se case”, mas sem muito fogo. Era preciso segurar s fúria da carne. Hoje, amar é bobo e perda de tempo. E como tempo é dinheiro, e o consumo berra aos nossos ouvidos “transe, transe, transe”, lá vamos nós, buscando uma felicidade cada vez mais distante. Sem direito a amar de verdade, muito menos sofrer de amor, que tudo bem, não é a melhor coisa (já falei disso), mas é digamos, um nobre direito de quem ousou amar e romper.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2664303229644037139?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2664303229644037139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2664303229644037139' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2664303229644037139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2664303229644037139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2010/02/amar-e-um-ato-subversivo.html' title='Amar é um ato subversivo'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4789503182963495054</id><published>2009-12-21T10:58:00.002-03:00</published><updated>2009-12-21T11:01:30.675-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Natal, shopping e Cristo (ou "Comprai-vos uns aos outros")</title><content type='html'>Se um grego viajasse no tempo e caísse num shopping, ele se sentiria extremamente feliz. Ainda mais se fosse nessa época natalina. Ao ver aqueles milhares de produtos à venda, e vendo aquelas pessoas se batendo desesperadamente, correndo atrás de presentes, bens materiais, para si ou para os outros, ele bateria no peito e diria para si mesmo, orgulhoso: “Como eu sou livre, como eu não preciso de nada disso!” Já os livres homens e mulheres de hoje, olhando tudo aquilo de cima, diriam: “Meu Deus! Como eu sou infeliz, eu queria comprar tudo isso!” É, o homo consumens  é de outra ordem, de outro planeta – o planeta onde você pra mostrar que gosta de alguém tem que dar um presente, algo que materialize  seu afeto, seu amor. Só palavra, só gesto não vale. E quanto mais caro o presente mais seu sentimento é mostrado. Não dar nada para alguém próximo, nem uma lembrancinha, equivale a dizer “você não é importante pra mim”. E isso justamente na data em que se comemora o nascimento do sujeito que pregou que a matéria, a riqueza, não são importantes;  justo o cara que escolheu os lascados, os que não tinham como comprar presentes, para dentre eles fomentar sua fé, fazer sua pregação de um outro mundo aqui e agora, um mundo onde o amor  era o valor mais alto.&lt;br /&gt;Imagino Cristo chegando num shopping hoje. E imagino que, tal como fez a frente do templo de Jerusalém, onde os vendilhões vendiam tudo, bois, pombas, e agiotas trocavam siclos judaicos por dracmas gregas e denários romanos, Ele começaria a  derrubar as prateleiras. Lá, dois mil e nove anos atrás, Ele gritou: “ Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio". E aqui talvez gritasse: “Pai, eles fizeram tudo ao contrário do que eu disse. Dêem-se uns aos outros em alma e coração e não pedaços de  matéria, não em dinheiro”. Sem dúvida, a competente segurança do shopping trataria logo de segurar e prender esse baderneiro que ousava perturbar as compras dos cristãos e ofender o mais puro espírito natalino.&lt;br /&gt;Não sou cristão fervoroso, esclareça-se, mas acho a mensagem de Cristo a mais linda, audaciosa e perfeita que alguém já fez aqui pelo planetinha azul. E fico com pena das criaturas que se acotovelam, se esfalfam, se estressam para mostrar seu amor... com coisas que falem por elas.  Passeio pelo shopping e vejo balconistas verdes, com olheiras que me lembram Zé Colmeia, com seus sorrisos entre o cansado e o forçado, cultivando em pé suas varizes e vendo em cada pessoa que entra na loja apenas um percentual no fim do mês. É o Natal cristão! Vejo casais esbaforidos, estressados, divididos entre não perder os filhos, não bater as sacolas e decidir os últimos – ufa! – presentes.  Vejo as pessoas  verem o outro apenas  como uma coisa que lhe atrapalha andar mais rápido e encerrar logo as compras. É o Natal cristão!  Vejo uma multidão perdida entre cuecas e meias,  livros e CDs, panetones e perus.  Enquanto isso o amor despojado jaz atirado numa prateleira poeirenta. Enquanto isso, o abraço sincero, o beijo limpo que traduz  o melhor sentimento, a palavra pura que traduz a verdadeira emoção, jazem no fundo de cada um.  E  o camarada aquele de quem se comemora o nascimento, jaz  atirado no esquecimento de uma gente que precisa gastar, precisa comprar  pra dar provas de amor; uma gente que tem a vitrine como altar, no dinheiro sua benção e no shopping seu novo templo, sua nova igreja. “Comprai-vos uns aos outros”, não foi o que Ele disse?  Oremos, então.  Ou melhor, compremos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4789503182963495054?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4789503182963495054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4789503182963495054' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4789503182963495054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4789503182963495054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/natal-shopping-e-cristo-ou-comprai-vos.html' title='Natal, shopping e Cristo (ou &quot;Comprai-vos uns aos outros&quot;)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4911125337783933162</id><published>2009-12-12T17:17:00.007-03:00</published><updated>2009-12-30T20:38:59.639-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>A cantora nua</title><content type='html'>Imagine a cena. Corpos nus sobre a cama desarrumada, roupas pelo chão.  Recém refeitos do delírio erótico, do "prazer cumprido", como escreveu Braga, ela deitada sobre o peito dele diz que quer cantar uma música pra ele, porque adora cantar. Ele consente, claro, imaginando que vai ouvir aquela voz que tanto ama cantar algo agradável, falando de amor. Algo como uma declaração, tipo “eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer...”. Ou "eu sei que vou te amar, por toda a minha vida..."  Mas é outra a música. E a voz... o que ele ouve lhe coloca em novo êxtase, dessa vez um êxtase estético-espiritual. Simplesmente ela canta divinamente, como ele não imaginara jamais. E aquela voz que a pouco sussurrava e gemia vibrando fisicamente nos seus ouvidos, agora transcendia e lhe tocava espiritualmente do modo mais belo que a alma de alguém possa ser tocada. “Deus, ela canta demais!”, pensou. E agradeceu tê-la encontrado, uma mulher linda, que ainda por cima – na hora, era mesmo por cima – ainda cantava como quase ninguém canta. Era como ter uma Marisa Monte particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"O que há dentro do meu coração&lt;br /&gt;Eu tenho guardado pra te dar&lt;br /&gt;E todas as horas que o tempo&lt;br /&gt;Tem pra me conceder&lt;br /&gt;São tuas até morrer"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os versos de Djavan escorriam pelas paredes e por um momento ele acreditou que o casal do quarto do lado parou de fazer amor pra ouvir a voz do amor que cantava ali sobre ele. E que as camareiras pararam nos corredores para, além dos gemidos dos corpos que se desfrutavam, ouvir o prazer da alma que alça vôo e emana o divino em cada um de nós. E que até o segurança lá da portaria fechou sua revistinha em quadrinhos porque sentiu uma vibração no ar e, súbito, olhou para a lua,  que tímida,  já desistia de ser percebida na sua palidez diurna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"E a tua história, eu não sei&lt;br /&gt;Mas me diga só o que for bom&lt;br /&gt;Um amor tão puro que ainda nem sabe&lt;br /&gt;A força que tem&lt;br /&gt;é teu e de mais ninguém"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que vale nessa vida são os momentos que guardamos. E guardamos os momentos mais importantes, os melhores e os piores. Belchior tem um verso lindo - dentre tantos outros lindos - na canção “Como nossos pais”: “Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais”. Mas tem o outro lado: as lembranças mais bonitas, as lembranças do que nos deu mais prazer, alegria, enlevo e satisfação. E a lembrança dela cantando nua, depois do amor, linda e divinamente, ficara gravada e cravada como das preferidas na parede da minha memória. E chegou a condição de ser o quadro mais bonito. Nesse tempo louco, de culto ao corpo e erotizado, se pensa que sexo é tudo, mais do que amor até.  Não é. Sexo é ótimo, amar melhor ainda, os dois juntos são o máximo, mas viver esses momentos que transcendem o corpo e o sentimento e se fundem com o espírito, são o que há de mais maravilhosamente humano. Só nós humanos temos essa qualidade do viver. Só nós humanos temos essa faculdade de se embebedar de beleza, de encharcar a alma de leveza, de encher a cara de êxtase. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;"Te adoro em tudo, tudo, tudo&lt;br /&gt;Quero mais que tudo, tudo, tudo&lt;br /&gt;Te amar sem limites&lt;br /&gt;Viver uma grande história&lt;br /&gt;Aqui ou noutro lugar&lt;br /&gt;Que pode ser feio ou bonito&lt;br /&gt;Se nós estivermos juntos&lt;br /&gt;Haverá um céu azul"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza dos versos, a beleza da canção, a beleza dela, a beleza da voz dela, a beleza do momento, tudo aquilo fez com que eu agradecesse à vida, a Deus. Mas as coisas desafinaram. Sua voz não canta mais pra mim. Seu corpo não se deita mais com o meu e provoca orgias de prazer. Seu corpo não se deita mais sobre o meu peito e me deleita com o divino de ouvi-la cantar. E hoje na parede da minha memória essa lembrança é o quadro que dói mais. É o quadro mais triste. Ave Belchior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4911125337783933162?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4911125337783933162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4911125337783933162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4911125337783933162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4911125337783933162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/cantora-nua.html' title='A cantora nua'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-7563064354705595304</id><published>2009-12-03T11:02:00.002-03:00</published><updated>2009-12-03T11:04:36.489-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Eu sou mesmo exagerado (ou Cazuzando)</title><content type='html'>Estava em um belo papo sobre o amor com a amiga e professora Tânia Tajra, quando me veio a frase de Cazuza “quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Quando saí - estava a pé -, resolvi caminhar um pouco pensando no que havíamos conversado, no que eu havia aprendido. Aí me assaltou outra obra de Cazuza: “Exagerado”. Pensei: esse é meu momento Cazuza. É que eu sou mesmo exagerado. E, exagerado, não caminhei só um pouco, caminhei muuuuito. &lt;br /&gt;Exagerado, quando choro, seco. Quando bebo, me encharco. Quando fumo, me esfumaço. Quando gosto de um artista, Chet Baker, por exemplo, não tenho só um disco, tenho todos. O mesmo vale pra Chico Buarque, Elis Regina. Idem para escritores, como Carson McCullers, Fernando Pessoa. Quando era criança colecionava carteiras de cigarros com amigos. Eles tinham 50, 100, eu tinha mais de mil. Eu sou mesmo exagerado. Quando estou alegre, não me caibo; e triste, o mundo se faz pequeno pra tanto cinza.&lt;br /&gt;E quando amo... meu Deus do céu! eu amo todo o amor que houver nessa vida. O amanhecer tem a cara do meu amor, a chuva chove o meu amor. Se eu durmo, é que eu quero sonhar só com ela; e se acordo, é por acaso, porque no sonho ela me ama, e se acordo, é por descuido, por engano.&lt;br /&gt; Quando amo não mando flores, mando a floricultura inteira. E aí quando deito, não durmo, e amo me dar por feliz em perder noites de sono só pra vê-la dormir (que prazer mais egoísta o de cuidar de um outro ser, mesmo se dando mais do que se tem pra receber). E faço promessas malucas, tão curtas quanto um sonho bom.&lt;br /&gt;Não façam o que faço. Mas pra mim, exagerado, carteira de cigarros, Chico Buarque e tudo que amo é motivo de culto, devoção. No amor, então, eu largo tudo: carreira, dinheiro, canudo, até nas coisas mais banais, pra mim é tudo ou nunca mais. Acho até que mereço ganhar pra ser carente profissional, levando em frente um coração dependente, viciado em amar errado.&lt;br /&gt;Exagerado. Quando corro, me exauro. Quando vou ao cinema e amo o filme, assisto três sessões seguidas. Quando amo uma  música, o cd player pede água. E quando escrevo, descrevo, porque perco o controle sobre meus dedos e eles correm soltos pelo teclado. Me faço escravo das palavras que me possuem. Sou mesmo exagerado. No amor – sou chato e exagerado em falar dele - quando amo, sinto pena de quem não ama assim e chego a pedir piedade. Que o Senhor dê grandeza e um pouco de coragem pra quem não sabe amar e fica esperando alguém que caiba no seu sonho. &lt;br /&gt;Um dia uma namoradinha da adolescência me disse: “tu és muito exagerado”. Daí pra frente, só piorei. Desde então pequenas poções de ilusão, mentiras sinceras, me interessam cada vez mais. &lt;br /&gt;Caminhando, depois da conversa com  Vânia, roubei flores dos canteiros fazendo festinha pra mim mesmo. Um vira-lata começou a me acompanhar. Contei pra ele como eu era. Ele abanou o rabo. Parei e insisti que eu era péssima companhia. Ele sentou. Mandei embora. Ele deitou. Pensei: é irmão. E seguimos lado a lado. Exagerados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-7563064354705595304?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/7563064354705595304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=7563064354705595304' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7563064354705595304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7563064354705595304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/eusou-mesmo-exagerado-ou-cazuzando.html' title='Eu sou mesmo exagerado (ou Cazuzando)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-6535217396117672237</id><published>2009-12-02T17:02:00.002-03:00</published><updated>2009-12-02T17:34:20.789-03:00</updated><title type='text'>VOLTEI</title><content type='html'>Depois de algum tempo, volto a acionar o blog, agora de vez e pra sempre.Perdão aos amigos que vieram aqui e não acharam mais nada.Foi uma parada estratégica, para reabastecimento e revisão geral. Agora, na estrada de novo. Bjs e abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-6535217396117672237?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/6535217396117672237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=6535217396117672237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/6535217396117672237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/6535217396117672237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/voltei.html' title='VOLTEI'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-8280255766992722045</id><published>2009-12-02T16:45:00.000-03:00</published><updated>2009-12-02T16:46:08.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Da primeira vez que me matei</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Da vez primeira em que me assassinaram&lt;br /&gt;Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...&lt;br /&gt;Depois, a cada vez que me mataram,&lt;br /&gt;Foram levando qualquer coisa minha...&lt;br /&gt;Mário Quintana)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da primeira vez que me matei, jurei que nunca mais amaria a ninguém de novo. Digo me matei, porque nunca mais amar é uma forma de se matar.  Mas inexperiente nas dores do amor, foi assim. “Nunca mais vou amar”, jurei pra mim mesmo. Juramento em falso. Mas passa o tempo e vem novo amor. Passa o tempo e vem nova dor. Porque esse negócio de amar não é brincadeira não. Eu sou dos raros que ainda acreditam que uma história de amor pode durar pra sempre. Mas parece que essa história do amor eterno é a exceção que confirma a regra de que todo amor acaba, pelo menos de um dos lados. E geralmente não é do meu. Não morro de amores por Julio Iglesias, acho meloso demais, mas uma música dele, chamada &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hey&lt;/span&gt;, tem um verso que gosto muito: “é sempre mais feliz quem mais amou, e quem mais amou fui eu”. Então, geralmente sou mais feliz. Claro que depois, quando acaba, sou o próprio infeliz. Passo por baixo das portas, odeio ver namorados felizes, dias lindos me entristecem e como Drummond, acho o ponto de exclamação uma aberração. Mas passa. Dali um tempo, olha eu sendo o mais feliz de novo. Mas o que quero dizer aqui é que o amor não passa. Ele se transforma em outra coisa. Às vezes numa mágoa profunda, às vezes numa lembrança meiga, momentos lindos; outras, uma raiva pitibulesca. Porque as pessoas que você amou sempre serão especiais, pro bem ou pro mal. É aquela história: ex é pra sempre. Encontrar alguém que amamos, assim, por acaso num bar, por exemplo, gera em nós, sempre, sentimentos atrapalhados. Se estamos com outra pessoa e se a ex está também com outra pessoa, então a coisa fica mais atrapalhada ainda, e para todos, porque o atual amor odeia o ex-amor do seu amor.  Geralmente estraga a festa.  Mas não devia ser assim, porque o amor é um só, nossa cota de amar é infinita. Gastamos um pouquinho aqui, outro tanto lá, um montão depois, mas o amor é um só. E nós também levamos sempre pedaços dos amores antigos para o novo. Coisas erradas que fizemos, mentiras, traições, ofensas, posturas, birras e burrices e as coisas boas também, claro: uma novidade no fazer amor, uma comidinha; aperfeiçoamos as DR (sigla da moda para “discutir a relação”), novas canções, filmes...&lt;br /&gt;Eu, do fim da  relação que tive (não posso dizer fim do meu amor), posso dizer que aprendi muita coisa. Aprendi que amar é uma merda! e que  não  quero mais saber de amar  a ninguém. Que toda essa conversa aí em cima é muito bonitinha, tem muito de verdade, mas, porra! amar é foda! O que eu quero dizer meeeesmo aqui é que não quero que esse meu amor passe e se transforme em qualquer coisa, quero que volte para o palco e seja maravilhoso, sofrido, alegre, chorado, tesudo, brochado, como foi. Quero os fiascos de novo, quero até as baixarias; quero as trepadas inesquecíveis – brincadeiras de carne da melhor qualidade. Quero as fugas, as surpresas, os choros sem motivo, os choros com muitos motivos. Quero as mentiras ditas com cara de verdade, quero as verdades jogadas na cara, quero roubar flores, puxar cadeira, abrir porta (enfim, ser o babaca de sempre). Quero aquela espera agoniada, que não acaba nunca; aquela partida doída, que leva a dor junto no peito. Quero o beijo de cinema depois da briga, num banco de um velho táxi, enquanto o taxista cantarola uma breguice muito vagabunda. Quero o amor vagabundo, quero o lado puta dela, quero o amor divino, os olhos mostrando a alma. Quero o meu amor de volta. Ou juro que me mato pela segunda vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-8280255766992722045?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/8280255766992722045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=8280255766992722045' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8280255766992722045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8280255766992722045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/da-primeira-vez-que-me-matei.html' title='Da primeira vez que me matei'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4431036274408103223</id><published>2009-12-02T16:36:00.000-03:00</published><updated>2009-12-02T16:37:22.179-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Homem morre de medo de mulher</title><content type='html'>Os dois chegaram altos da balada, já madrugada. Ela senta na cama e com cara de moleca diz: “tira a roupa e vem cá!” Atendendo a seus instintos e à formação de que deve estar sempre pronto a mostrar serviço, ele se posta diante dela, baixa as calças e... nega fogo. Ela fica frustrada. E ele como fica? Melhor nem falar. Os homens me entendem. As mulheres acham que entendem. Ela, além da frustração e do constrangimento (dizer o quê?), sofre também um sentimento de que não é desejada. Pelo menos naquela hora em que ela desejava tanto. A resposta para o ocorrido é simples. Homem morre de medo de mulher. Mulher assim ousada, então, apavora o macho. As mulheres nem imaginam o quanto os homens as temem. Se pesquisassem um pouco sobre esse pobre ser, saberiam o quanto ele se sente inseguro e literalmente morre de medo delas. E falo isso ao longo dos séculos. Nem precisa complicar vasculhando a psicanálise. É só ir na História. Antes, existia, em várias culturas, o mito da vagina dentada, que dispensa explicações (aliás, a própria palavra ‘vagina’ já é assustadora). Sem falar na Deusa-Mãe. Maiores informações basta ir ao Google. Hoje o homem se sente diminuído e medroso por vários motivos. Dois deles: a capacidade orgástica da mulher, incomparável à dele e comprovada por ele; e a performance da mulherada na cama, igualmente aferida. Falo das mulheres em geral, mas no particular da mulher que na cama se mostre muito solta, tesuda, tomando a iniciativa. Essa é um terror. Por isso que o instituto IMS Health - que audita o setor farmacêutico no Brasil e no mundo – aponta que o Cialis foi o segundo medicamento mais vendido no Brasil no ano passado, só perdendo para o Dorflex. O Cialis, pra quem não sabe, é um remedinho pra não acontecer aquilo com o camarada do início desse texto, e é usado em larga escala, inclusive pelos jovens, por garantia. Só pra complementar, o terceiro medicamento mais vendido é a Neosaldina e o quarto, o Viagra, que dispensam apresentações. Desculpe, mas não resisto ao blague - parece que as cabeças são  problema para o brasileiro. &lt;br /&gt;Voltando às mulheres, lembro agora de um amigo que teve seu casamento ameaçado bem por esse motivo da pegada feminina. A mulher tomava a iniciativa sempre e não dava oportunidade a ele de ser agressivo, pegador, homem, enfim, como lhe ensinaram que deveria ser. Não sei como resolveram, se resolveram, mas estão juntos até  hoje.&lt;br /&gt;Uma outra amiga, conta que quando foi a um velho e conhecido motel que freqüentava com o ex, se fez de sonsa, como se não entendesse de motel, principalmente daquele. Sentou na cama e olhando aquele console cheio de luzes e botões se fez de maravilhada. Apertava um botão e exclamava: “oh, ascende a luz de cima!”  Apertava outro e se extasiava: “olha só, esse é da televisão!” Não demorou e o namorado novinho em folha aterrissou do lado dela e cheio de orgulho e autoridade explicou cada botão, cada luzinha. Tiveram uma noite ótima. E nunca tiveram problemas até onde sei. Outra amiga se botou nas lingeries, preparou uma banheira cheia de sais e espumas, com champanhe, taças e muito clima, para que quando o marido chegasse fizessem uma happy hour  realmente happy. Aparentemente muito feliz com a surpresa, ele se refestelou na espuma e enquanto ela buscava uma toalha, ele... dormiu. Psicóloga ela, não tinha dúvidas, me dizia depois, de que o sono foi a fuga que ele encontrou para não enfrentar aquela sessão erótica. Eles tinham esse problema. Ele se sentia seguro no feijão com arroz. Ela gostava de novidades, ousadias, curtia preparar o ambiente e desbravar novos. Estou me sentindo um traidor da raça masculina. A verdade é que não está longe o dia em que o homem vai começar a dizer “hoje, não, amor, tô com uma puta dor de cabeça”, ou “hoje tô estressado, meu bem, me incomodei demais no trabalho”. Logo logo os machos do planeta vão criar o Dia Internacional do Homem, pra defender seus direitos, incluindo o de não estar a fim. E olha que nem falei da paranóia do homem com o tamanho do pinto, agora sujeito à comparações. Isso me lembra um trecho do filme Vinícius, de Miguel Faria Jr, onde Chico Buarque pergunta ao poetinha se ele acreditava em reencarnação e, acreditando, como queria voltar a esse mundo. Vinícius disse que “queria voltar ele mesmo, só com o pinto um pouquinho maior”. E daí linco com uma crônica de Walter Navarro, onde falando  do filme e a propósito da frase de Vinicius de Mores, diz  que  “se não der pra voltar como Vinicius, eu gostaria de voltar como eu mesmo, Walter Navarro, mas com o pinto um pouquinho menor. E menos mentiroso também”. Com essa, só posso pedir: Senhor, tende piedade de nós, homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4431036274408103223?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4431036274408103223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4431036274408103223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4431036274408103223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4431036274408103223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/homem-morre-de-medo-de-mulher.html' title='Homem morre de medo de mulher'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4090128790445112930</id><published>2009-12-02T16:34:00.001-03:00</published><updated>2009-12-12T12:29:13.759-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O amor tá por fora</title><content type='html'>Já escrevi, dia desses, que nossa civilização cristã divinizou o sofrimento e assim passamos a medir o amor pela dor que ele gera e não pela alegria, paz e felicidade que produz. Quem eu mais amei foi aquela por quem eu mais sofri, o que não tem valor de verdade sempre. Quero fazer agora uma outra reflexão. Ainda medimos o amor pela dor, mas há algo novo no ar: a idéia de que sofrer por amor é babaquice. Você sofre, tudo bem, mas o mundo ri de você. Ralar pra ganhar dinheiro, pode; se esfolar nesse esquema competitivo, perverso, sem ética, é a regra. Sennet, no livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A corrosão do caráter&lt;/span&gt;, mostra o quanto estamos nos destruindo como indivíduos no nosso trabalho. Mas contraditoriamente, o amor é cada vez mais tratado em nossa sociedade frívola e materialista como uma tolice, uma perda de tempo. Vale como negócio. E a dor que às vezes o acompanha, nem se fala. “A Sandra? Tá lá chorando por causa de homem, aquela idiota, ao invés de partir pra outra.” Versão masculina: “O Paulo, olha, um bobo, tá bebendo todas depois que levou o fora da fulana, com tanta mulher no mundo”. Não é assim? Fazemos troça da dor de amor dos outros. Pimenta no dos outros... Sofrer por alguém é pequeno, inconveniente, inoportuno. O cara fica chato. Ficar é legal, transar é o canal. Mas amar, bem isso já é mais complicado para essa gente criada na civilização capitalista, onde as pessoas se usam como coisas e se gastam como máquinas. Pra amar é preciso entrega, doação, algo que não combina com esse tempo que vivemos. O lema é: eu me amo e o outro eu desfruto. Se não vejamos o que é o ficar. Nada mais que um teste-drive.  A gente dá uma pilotada no outro, prova um pouco do gosto, pisa um pouco mais fundo, dá uma verificada no motor, faz um balanço da potência... E vai contar pros outros. E vai pro próximo teste-drive. E o transar? Bem esse é o grande lance, desde que a mídia disse para todos que só o sexo e o dinheiro trazem a felicidade. &lt;br /&gt;E se o capitalismo nos fez acreditar que tempo é dinheiro, a cultura aí gerada nos diz que tempo é prazer também. Quer dizer, temos pouco tempo pra gozar tudo e aí não cabe ficar chorando por dor de cotovelo, abandono, cornice. A coisa foi sacramentada já na frase de Luana Piovani, uma de nossas grandes filósofas atuais: “A fila anda”.  Um sistema que prioriza o ter ao ser, só pode medir a felicidade pela quantidade de parceiros que se teve/tem, e não pela qualidade das relações; pela quantidade de orgasmos e não pela qualidade. Além do que, o amor é subversivo. Sempre que ele irrompe no coração de uma pessoa, ele imediatamente causa estranheza, incomoda o mundo. O apaixonado vive num outro planeta, a vida lhe fica diferente. E a sociedade gosta do igual, do mesmo, não do diferente. Octávio Paz, num belo texto do livro Labirinto da solidão, diz que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“no nosso mundo o amor é experiência quase inaceitável”&lt;/span&gt;. E na verdade, todo tipo de amor é viável. Não existe amor impossível. O fato de existir um amor impossível já diz que ele é possível, pois que aconteceu. O que existe é a sociedade e seus impedimentos. Branco com preta, baixo com alta, velho com moça, cristão com muçulmana, homem com homem, mulher com mulher - todo tipo de amor é possível e se realiza, porque é da essência do amor se realizar. Mas porque a sociedade não gosta do amor? Porque, com raiz no diferente, ele rompe com as regras. De novo Octávio Paz: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“[...]. A sociedade concebe o amor, contra a natureza desse sentimento, como uma união estável e destinada a criar filhos. Identifica-o com o casamento. [...] Daí também que o amor seja, sem se propor a isso, um ato anti-social, pois cada vez que consegue ser realizado, viola o casamento e o transforma no que a sociedade não quer que ele seja: a revelação de duas solidões que criam para si mesmas um mundo, que quebra a mentira social, suprime o tempo e o trabalho e se declara auto-suficiente&lt;/span&gt;.” Vejamos a publicidade, o cinema, as novelas, as letras de música (e não preciso nem citar as obras-primas do forró). Eles excitam as pessoas, erotizam o mundo, passando uma tesão  e um espírito de aventura e gozo que as pessoas não tem, mas são iludidas a ter. Quando que a mídia enaltece o amor? Nas grandes datas comerciais: dia das mães, dos pais, natal... De resto é muita mulher pelada, cervejada na praia, carro potente pra conseguir mais teste-drive  - não no carro, claro. E aí duas pessoas se apaixonam e fogem desse mundo, mergulham no deles. E logo vem a sociedade para domesticar essa rebeldia – tem que se acalmar, namorar, noivar, casar, ter filhos e, enfim, domesticar-se na vidinha doméstica. E depois ficar cinza olhando o álbum esmaecido de fotos do tempo dos sonhos, das loucurinhas, das escapadas. Ou então tem que acabar a relação.&lt;br /&gt;Se o amor precisa ser domado, aquietado, logo a dor do amor precisa ser desprezada. São Paulo dizia que o melhor era não casar, “mas se arder, então que se case”, mas sem muito fogo. Era preciso segurar s fúria da carne. Hoje, amar é bobo e perda de tempo. E como tempo é dinheiro, e o consumo berra aos nossos ouvidos “transe, transe, transe”, lá vamos nós, buscando uma felicidade cada vez mais distante. Sem direito a amar de verdade, muito menos sofrer de amor, que tudo bem, não é a melhor coisa (já falei disso), mas é digamos, um nobre direito de quem ousou amar e romper.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4090128790445112930?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4090128790445112930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4090128790445112930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4090128790445112930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4090128790445112930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/o-amor-ta-por-fora.html' title='O amor tá por fora'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-811861314900095420</id><published>2009-12-02T16:30:00.001-03:00</published><updated>2009-12-02T16:33:44.667-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O medo de amar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quem já passou por essa vida e não viveu &lt;br /&gt;Pode ser mais, mas sabe menos do que eu &lt;br /&gt;Porque a vida só se dá pra quem se deu&lt;br /&gt;Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu (...)&lt;br /&gt;Eu francamente já não quero nem saber &lt;br /&gt;De quem não vai porque tem medo de sofrer &lt;br /&gt;Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, 8h. Depois de uma discussão com o marido, ainda na cama, Joana levantou, tomou uma dose de uísque, puxou uma cadeira para a varanda, subiu e saltou para a morte. Linda, 20 anos, casada havia dois anos, ela não suportou a decisão dele, 28 anos, de se separar.  Precipitadamente, as pessoas julgam que Joana se matou por amor. Não foi bem assim. Essa história começou anos antes, quando era criança e seus pais se separaram.  Ela, super ligada ao pai, nunca aceitou aquilo, nunca o perdoou por tê-la deixado, e teve uma relação tumultuada com ele, a partir dali. A ruptura dos pais e principalmente a negação do amor do pai, pelo menos na intensidade e presencialidade exigida por Joana, marcaram-na para sempre. Ela se transformou numa border line, seres marcados por rupturas e que pululam aos milhões por aí, com sua  instabilidade de humor, tédio, sentimentos autodestrutivos e, claro, dificuldades na realização amorosa. O border line vive situações-limite, não raro à beira do abismo. Joana  não viveu o amor de forma plena na infância e bloqueou-se em relação a ele. O amor virou um fantasma no seu inconsciente e ela passou sua breve existência sem se entregar ao amor de ninguém, à confiança de ninguém, exceto daquele que lhe seria um substituto do pai. E este lhe fugiu, como o outro. Rupturas demais. Ela se matou não propriamente por amor, mas por medo do amor, esse sentimento de entrega e integração que lhe era tão difícil.&lt;br /&gt;Saindo da tragédia da vida real e entrando na fantasia da tela, o filme Eu odeio Dia dos Namorados, uma comédia romântica de Nia Vardalos, lançada esse ano, mostra um quadro interessante para esse papo aqui.  Genevieve é uma florista que não quer envolvimento.  Todos os seus relacionamentos não passam do quinto encontro, para evitar que surja o amor e, daí,  sofrimento. Ela jura que assim é feliz. Até, claro, que aparece um bonitão que a faz querer o sexto encontro, o sétimo... E ele para  no quinto, conforme  o combinado. Só então ela descobre  que não queria amar para não sofrer o que sua mãe sofrera com as traições de seu  pai. Ela diz para si mesma: “nenhum homem vai me fazer sofrer como mamãe sofreu”.&lt;br /&gt;Voltando à vida vivida, Fernando amou muito  Raquel e quebrou a cara. Romântico e apaixonado, era do tipo que ainda manda flores, estende tapetes com toalhas, bermudas e meias, e compra  nuvem para passear com seu amor. Pessoas assim, geralmente encontram pessoas não-assim.  Resultado: agora ele foge do amor. Só ‘fica’, e jura que é feliz com essa “solidão de mão em mão”, como toca uma música por aí. Se ele continuasse a buscar a mulher para viver um grande amor, talvez  no  próximo se desse pior  ainda. E no terceiro encontrasse alguém que curtisse flores, tapetes e nuvens. Falando em música, Beto Guedes canta faz quase  25 anos que&lt;span style="font-style:italic;"&gt; “o medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier”&lt;/span&gt;, e o Forró  do Muído  toca nas rádios daqui  dizendo  &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“tá com medo de amar, é? Tá com medo do amor, e aí? Deixa a página virar”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o ponto. Morremos de medo de amar. E os motivos são vários, como vimos. Podem vir isolados, ou misturados. Resumindo, não queremos amar porque já sofremos muito por amor e assim, acovardados, perdemos o melhor da festa, como Fernando. Também não queremos amar, embora na maioria das vezes nem tenhamos consciência disso, porque nossas histórias familiares contam com perdas, rupturas e ‘faltas’ de amor, tal como Joana. Se não tive amor quando criança, como vou lidar com esse sentimento agora que cresci (pelo menos por fora)? Se nunca andei de bicicleta antes, como vou saber andar de bicicleta agora? Logo, passo a não gostar de bicicleta, tiro-a  da minha vida. E também não queremos amar porque, esse tempo egoísta, narcisista, individualista que vivemos, nos grita que o grande barato é a emoção, a intensidade das paixonites, a quantidade dos “ficares”, sem alma no meio, assim meio como a Genevieve do filme ali atrás. Amores  líquidos, como definiu Bauman no livro com esse nome. E como ele escreveu: “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt;O filósofo francês Michel Lacroix, à propósito,  num belo livro do ano passado, O culto da emoção,   nos alerta que vivemos a era do grito e não do suspiro, da emoção-choque e não da contemplação.  Buscamos, desesperadamente, viver emoções, seja nos filmes violentos, nos esportes radicais, nos relacionamentos tão loucos e intensos quanto rápidos.. . que acabamos ficando insensíveis. Mais ou menos como o astronauta que voando a milhares de quilômetros por hora tem a sensação de estar parado. Não amando, seja por qual motivo for, e vivendo uma vida covarde, mutante, cheia de emoções baratas e baldias, cama em cama, bar em bar, corpo em corpo – e pretensamente feliz - parecemos com o camarada que diante de um banquete, se empanturra com as entradas e não chega ao prato principal. No máximo vai beliscar a sobremesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-811861314900095420?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/811861314900095420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=811861314900095420' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/811861314900095420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/811861314900095420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/o-medo-de-amar.html' title='O medo de amar'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-8674647552876394598</id><published>2009-12-02T16:24:00.000-03:00</published><updated>2009-12-02T16:26:52.209-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O luxo do centro</title><content type='html'>Teatro José de Alencar, sábado.  Lá dentro a música, pra mim a mais bela manifestação do gênio humano, explodia em vozes, instrumentos  e  boniteza. Teatro José de Alencar, sábado. Lá fora, o lixo, o lixo material e o lixo humano davam outro espetáculo, muito mais espetacular. Dentro, vozes afinadas dedilhavam almas sensíveis. Quase se ouvia o suspiro das pessoas que assistiam. Fora, roncos desencontrados de quem dorme torto num banco de pedra feito pra sentar, como as confortáveis poltronas lá de dentro. Lá dentro, uma mistura de perfumes dava ao ar um cheiro de leveza, de limpeza, um cheiro de mulher saindo do banho, de mulher saindo. Os cheiros se misturavam como aquele leve burburinho que  ouvimos, quando a vida, com surpresa e encanto, nos depara com algo agradável, bom. Lá fora os cheiros de lixo, de mijo, de um mundo doente, pobre, feio, sujo, de gente que nunca toma banho, de gente pra quem a arte está em chegar ao dia seguinte. Lá dentro a música levava ao sonho, à fantasia, ao enlevo que só a arte é capaz. Fora, o sonho estava no sono mal dormido, perturbado por aquele ‘barulho,’ e aquecia pratos de comida e preparava camas macias. &lt;br /&gt; A música que vazava para a rua era basicamente popular. Seria ideal, nesse cenário, que se tocasse a Nona de Bethoveen, pra mim a maior criação de um ser humano, se é que Bethoveen foi realmente um ser humano. Ou ainda Trois Gymnopédies, de Satie, pra mim o mais maluco, irreverente e sensível compositor. Seria perfeito: o máximo da beleza e o máximo da feiúra.&lt;br /&gt;Duvido que mesmo na Índia se veja um cenário desses. Antes, as pessoas saindo de seus carros também lavados e brilhantes para o show - como os corpos e pescoços das mulheres -, desviam dos que dormem no chão, das latas, dos papéis que rolam...  O luxo desvia do lixo. Mas o perfume não supera o mau cheiro.&lt;br /&gt;Saio no meio do show tocado pela emoção e fico caminhando pelos jardins. Atendo o chamado do Carlton vermelho e opto por mais uns momentos daquele outro espetáculo, na verdade um show assustador da injustiça e da indiferença humanas. Penso no ícone da cultura, da arte e do status cearense mergulhado  na triste verdade desse país. Escuto um mendigo deitado rosnar para si mesmo: ‘que horas vai terminar essa zoera?”  &lt;br /&gt;La dentro alguém canta “We are the champions”. Aqui  fora se poderia  fazer o coro: “e nós somos os perdedores”.&lt;br /&gt;Lá dentro as cortinas se fecham. Aplausos para o melhor do ser humano. Aqui fora, céu aberto, o espetáculo continua, hoje e todas as noites, com o pior que conseguimos fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-8674647552876394598?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/8674647552876394598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=8674647552876394598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8674647552876394598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8674647552876394598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/12/o-luxo-do-centro.html' title='O luxo do centro'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-966915680310728655</id><published>2009-09-10T21:16:00.002-03:00</published><updated>2009-09-10T21:27:20.327-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>A mulher que o homem quer</title><content type='html'>Freud desvendou a alma, foi um gênio que pra mim não tem rival em toda trajetória humana. Mas desistiu de saber o que queria uma mulher. “A grande questão que nunca foi respondida, e que eu ainda não fui capaz de responder, apesar de 30 anos de pesquisa sobre a alma feminina, é: o que querem as mulheres?”, reconheceu. Então não sou eu que vou me atrever a tentar descobrir. Mas e os homens? O que querem os homens? As mulheres têm a resposta pronta: os homens querem sexo. De pronto, como parte da raça masculina, reconheço que elas não estão totalmente erradas. Um escritor de humor gaúcho, Carlos Nobre, dizia que “sexo não é tudo na vida, tem as mulheres ainda”.  Quer dizer, é tudo mesmo! Mas não é bem assim. Disse que elas não estão totalmente erradas. Mas há correções. Biologicamente falando, a função do macho é engravidar o maior número de fêmeas possível, e a função da fêmea é escolher o melhor provedor. Isso desde o tempo das cavernas. A mulher escolhia o macho que fosse forte e valente para gerar filhos também fortes e valentes e para lhe dar proteção e comida, enquanto ela criava as crias. Hoje, a mulher continua sendo atraída pelo homem forte... mas na conta bancária. É o mesmo provedor, no fim das contas.  Parêntese: dois livros que valem ser lidos a respeito são &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O animal moral&lt;/span&gt;, de Robert Wright, e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guerra de esperma&lt;/span&gt;, de Robin Baker. Escreverei sobre eles outro dia. Fecha parêntese. Voltemos ao homem. Ele, então, cumprindo primeiro a sua função biológica, primeiro deseja sexualmente a fêmea. E sabedora, desde que o mundo é mundo, que se o peixe morre pela boca, o homem morre pelo olho, ela desenvolveu e aperfeiçoou táticas, técnicas e fórmulas de sedução para atraí-lo. A roupa por exemplo. O livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Psicologia do vestir&lt;/span&gt;, de Umberto Eco, nos lembra que a roupa da mulher, toda ela, exala sexualidade. A dos pobres coitados dos homens, longe disso. No máximo elegância e bom gosto, que, aliás, no fim, significam “conta bancária”. Basta dar uma passada no Boteco uma sexta à noite, pra ver aquela mulherada toda produzida e sensual, desfilando ante os olhos bêbados de álcool e desejo dos machos.&lt;br /&gt;Mas não se engane, menina: o homem não quer só sexo. Como disse Gonzaguinha: “um homem também chora, também deseja colo, palavras amenas, precisa de carinho, da própria ternura, precisa de um abraço da própria candura”. Em outras palavras menos poéticas, o homem precisa que se dê bola pra ele; quer ser admirado. E assim, o problema nem é dar ou não na primeira vez. O segredo está no antes do sexo, que ele vai querer de qualquer jeito. E isso vale pra primeira saída, pra segunda... Deixemos a biologia de lado e encaremos um pouco de psicologia. O segredo está em você desvendar o mundo dele e cativá-lo por aí. E isso é facinho facinho. Esses dias, falando com uma advogada brasiliense, pós-graduada e tão bonita quanto inteligente, que passava uns dias em Fortaleza, ouvi essa: “homem pra mim tem que gostar de futebol, carro e cerveja”.  Ela captou o espírito da coisa; em bom cearês: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;coisô&lt;/span&gt;. Ela não tem problema com homens. O que eu quero dizer é: use sua maior sensibilidade. Se ele adora carros, ama futebol e explica a diferença entre a Kaiser e a Schincariol timtim por timtim, não diga que não entende nada disso, que pra ele é o óbvio; muito menos despreze sua explanação com frase do tipo “mas que importância têm isso?” Pra ele, tem toda!  Diga algo do tipo “bacana, você é um cara do seu tempo”. Ele vai adorar. Se ele for normalmente doente por futebol, fale que o jogo lembra um balé, a dança das pernas; e diga que quer então que ele lhe explique direitinho o que é impedimento, que ninguém conseguiu até agora. Não diga que odeia futebol ou pior, que acha ridículo 11 marmanjos correndo atrás de uma bola. Isso é o que todas dizem.  &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Coisô?&lt;/span&gt; Mostre que você é diferente. E mesmo que você entenda desses assuntos, não faça a asneira de discutir com ele. O macho gosta de dar as cartas e cantar o jogo. Pois jogue. E ganhe. Então deixe o pavão se achar. Não seja óbvia, seja surpreendente. Respeite, ou faça de conta que respeita o mundinho dele. E ele vai querer algo mais do que sexo com você. É por aí. As mulheres não dão a mínima bola pro mundo dos homens. Eles são carentes disso. Eu sei, sou um deles. Meu Deus, é tão fácil! O mundo do homem é tão pobrinho que você nem precisa se esforçar muito para agradá-lo.  Ele gosta de poucas coisas e (quase) só pensa naquilo. Não seja tão superiora, que você acaba só por baixo. Ele entra com a biologia e você com a psicologia. E o dito estará no papo, literalmente. Porque se o homem morre pelo olho é pela palavra que ele agoniza e se entrega. Pois mate-o! E não estou falando de sexo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-966915680310728655?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/966915680310728655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=966915680310728655' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/966915680310728655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/966915680310728655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/09/mulher-que-o-homem-quer_10.html' title='A mulher que o homem quer'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4677929552324143339</id><published>2009-08-22T20:35:00.001-03:00</published><updated>2009-08-24T14:06:45.809-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Quero uma mulher</title><content type='html'>Quero uma mulher que quando eu disser que não gosto e não entendo de carros, não fique chocada, mas que me diga: "que bom, temos uma afinidade, já". Que quando eu disser que amo poesia e Fernando Pessoa, não comece a me olhar desconfiada, mas  que, se não for pra dizer “eu também”, diga “também gosto de poesia, mas não conheço Fernando Pessoa, me apresenta?”.&lt;br /&gt;Quero uma mulher que quando eu me emocionar e chorar falando de algo como a beleza de encontrá-la, não me tire por bobo, apesar de fofo; e que quando eu tiver uma crise de choro que a assuste diante de uma ameaça de rompimento, não me julgue fraco, nem frágil, mas apenas sensível. Que quando eu deitar do seu lado e não estiver a fim, ela não pense que não sou macho o bastante, “porque todos os homens querem sempre transar”, mas entenda que o desejo, o do homem também, e o meu no particular, sofre nuances de humor e intensidade; e que quando eu quiser transar na hora mais inoportuna, entenda que pra mim aquela é a hora mais oportuna.&lt;br /&gt;Quero uma mulher que se eu mandar flores só no dia dos namorados, ou no aniversário de namoro, fique zangada e ache que o certo é mandar quando se faz dez meses, duas semanas, três dias e dez horas de namoro. E que se eu lhe mandar três buquês de flores de uma vez, não me chame de exagerado, louco, mas de apaixonado e até ache pouco, diante de tanto amor.&lt;br /&gt;Quero uma mulher que adore surpresas, como escrever ‘eu te amo’ com papel picado no console do carro, enquanto espero ela descer do seu apartamento; ou arrancar flores da rua e ir colocando no chão que ela vai pisar, e nunca me diga “suas surpresas me assustam”. Porque me assustam as que se assustam. &lt;br /&gt;Quero uma mulher que desfrute do meu corpo sem pudor, posto que o entrego sempre em holocausto,  e que me deixe dispor do seu como se fosse extensão do meu.&lt;br /&gt;Quero uma mulher que durante o sexo não se choque com os meus palavrões misturados com os “eu te amo” e que no silêncio do depois da fusão e da explosão, entenda que eu também curto aquele momento de quietude e também gosto de carinho, dengo e palavrinhas boas.&lt;br /&gt;Quero uma mulher que quando eu me fechar em mim, entenda que preciso visitar meu mundo para poder respirar aqui fora e que não estou fugindo, muito menos amando menos.&lt;br /&gt;Quero uma mulher que mesmo me achando de outro mundo, cometa a loucura de viajar comigo pro meu planeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4677929552324143339?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4677929552324143339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4677929552324143339' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4677929552324143339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4677929552324143339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/08/quero-uma-mulher.html' title='Quero uma mulher'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-8536655556845203944</id><published>2009-08-18T00:54:00.005-03:00</published><updated>2009-08-18T08:15:32.875-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Caras</title><content type='html'>Uma das cenas mais tristes de se ver ao andar por essa cidade (leia-se qualquer cidade) é a cara das pessoas nas paradas de ônibus. Triste não é uma palavra que defina bem esse sentimento. Melhor é a expressão borocoxô. Aliás, a palavra triste não é triste, mas borocoxô é isso mesmo: borocoxô. O dicionário diz : “borocoxô - que está sem ânimo, sem energia; que está alquebrado, envelhecido, que está amuado, aborrecido”. E não é isso que vemos nas caras das pessoas que esperam ônibus? É que esperar, seja o que for, já não é legal; esperar ônibus, pior ainda; mas esperar em Fortaleza, quer dizer, sabendo onde vai entrar... isso merece um outro texto. &lt;br /&gt;Mas tem coisa ainda mais borocoxô do que a cara de paisagem de quem fica plantado num abrigo esperando o ônibus. É a cara de quem passa de ônibus. Aquela cara que vemos passando rapidamente quando vamos atravessar a rua, ou, lei da compensação, quando estamos na parada esperando.Cara de natureza morta. &lt;br /&gt;Outra cara para o catálogo das mais danadas – cara de consultório (qualquer consultório). Aquele monte de gente estranha, que entre uma revista Caras, sem capa, e outra, sem capa de novo, volta e meia olha para as caras em torno. A gente olha e fica pensando, “o que será que essa criatura tem?” Ou então se perde a olhar o pé da mulher da frente, bem feito... bem feio; ou o cabelo daquela outra, filosofando sobre qual o nome que a fábrica da tintura deu aquele tom; ou a gente se liga tentando ouvir a  conversa daquelas duas senhoras falando algo empolgante sobre seus filhos ou sobre um novo ponto de crochê. Isso mesmo, crochê, sabe o que é? É que a gente naquele mundinho busca assuntos adormecidos que acordam no torpor do consultório. Mas o melhor mesmo é olhar as caras. Bom não levar espelho.&lt;br /&gt; Outra cara que dói: cara de elevador. Aí não é só a cara, claro. É a situação toda que incomoda. A invasão do território da gente. A ciência diz que temos em torno de nós uma faixa de 1 a 1,5 metro, que  invadida, nos constrange. É o nosso espaço, o nosso território. Aí a gente fica ali sendo invadido no nosso cheiro, na nossa caspa, nas nossas manchas, e invadindo as dos outros. &lt;br /&gt;Mas o pior de caras que já vi , foi numa exame de fertilidade que fiz; o exame se chama espermograma. Imagine uns oito homens sentados em um baquinho, a maioria não fazendo porra nenhuma a não ser esperar a hora em que serão chamados para justamente coletar a tal. Existe um só local para coleta do material, que na verdade é um banheiro. A cada um que entra a gente fica controlando quanto tempo o camarada vai levar para gozar, de olhos abertos e fazendo pontaria num pote que nem em um ano ele encheria. (Abro esse parêntese para pensar na diferença entre homem e mulher. Imagine se para saber se pode ter filho, a mulher precisasse ter um orgasmo? Fecha parêntese). Bem, a cara do sujeito quando sai do banheiro com o material coletado com as próprias mãos é de dar dó. Aquele minguadinho no vidro, os olhares dos outros homens na espera de fazer sua parte, a entrega para as moças do balcão... Taí uma cara que não desejo pra ninguém. Cara de pau ao contrário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-8536655556845203944?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/8536655556845203944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=8536655556845203944' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8536655556845203944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8536655556845203944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/08/caras.html' title='Caras'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-6349855599750541593</id><published>2009-08-16T19:34:00.004-03:00</published><updated>2009-08-16T19:49:36.676-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Amor proibido, ou blood, sweet and tears</title><content type='html'>João tinha bebibo copos adentro numa agonia auto-destrutiva. Motivo: desamor. Causa: rompimento. &lt;br /&gt;Pois João estava assim, quando sentimento causa dor física. Dor de amor não dói só na alma, dói na carne. Sua solidão era do tamanho da sua dor. Rodando e rolando, num bar, vendo um solitário com cara de vontade de morrer, sentou pensando dividir copo, papo e dor. O cara não deu a menor importância a João. Disse que não queria conversa, que já tinha decidido se matar mesmo e estava indo fazer isso logo que terminasse a cerveja. João não deu importância. Afinal ele também pensava nessa possibilidade e talvez nem esperasse terminar a cerveja.&lt;br /&gt;Levantou-se, deu um tapinha no ombro do sujeito, querendo dizer "que merda, camarada" e "foda-se" ao mesmo tempo. Resolveu ir para casa decidir seu destino com a geladeira. Abriu mais uma e deitou-se na cama. Dormiu antes de pensar na janela, onde embaixo, num barzinho alguém tocava Dindi. Nem percebeu que a garrafa entornou e enxarcou seu corpo também por fora. &lt;br /&gt;Acordou às 5h com o telefone tocando. Zonzo, não sabia se o corpo estava molhado de sangue, se havia se cortado; nem se estava vivo. No telefone alguém com voz triste, bêbada, chapada, diz apenas: "onde?". João não entende. "O teu endereço, onde fica?". Era ela, a que fazia sua alma e sua carne doer. Ele nem lembrou o endereço, deu uma referência lá embaixo. Ela saiu correndo de casa, pegou um táxi e disse pro motorista: "o mais rápido que você puder, por favor". João desceu para a rua à espera do que nunca esperara. Olhando para um lado da rua, é abraçado por trás com força e desespero. Ficaram as 12 horas seguintes na cama juntando almas e corpos doloridos. Fizeram um sexo desesperado: não era o gozo, era a fusão que importava. "Se não tivesse grades nas janelas lá em casa, tinha me jogado". "Se não tivesse a geladeira cheia aqui, também". Olhos nos olhos, carinhos, olhos nos olhos, sexo, olhos nos olhos, lágrimas. "É nosso último encontro, não suporto a pressão do mundo, amigos, mãe, vou ficar louca". "Eu já estou louco". Sem banho, sem levantar da cama, sem comer, misturando porra com sangue de menstruação, lágrimas e suor com saliva, eles se purificaram. Naquelas 12 horas o mundo perdeu, o mundo se fudeu com seus preconceitos e sua verdadeira sujeira. Naquelas 12 horas foram felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 SE MEXERAM:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;André Victor disse...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando se lê um texto seco, ríspido, escrito sem frescuras e com uma exposição visceral, é inevitável a ligação à um nome: Charles Bukowski. Para quem não o conhece, procure... O velho safado, apesar de marginal da literatura mainstream, é um grante escritor e que traz um grande dueto entre vida e obra, pois os dois entrelaçam-se e acabam gerando registros ficticios e ao mesmo tempo autobiográficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns pelo texto, Capa!&lt;br /&gt;10 DE AGOSTO DE 2009 18:59  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;luiz gonzaga capaverde disse...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;André Victor, só vc pra lembrar do nosso amado Bukowski. Qdo escrevi pensei nele e pensei que só tu farias essa relação. Jamais respondi ou comentei um comentário, mas vc me forçou a isso. Se não falasses no velho e incomparável Buk, eu ia ficar puto contigo. Valeu, garoto, faça a diferença nesse curso. Vem mais desse meu lado podre por aí. Abração.&lt;br /&gt;10 DE AGOSTO DE 2009 19:20  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Natalie disse...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;incrível. a sensação nua, literalmente, do que é AMAR.&lt;br /&gt;11 DE AGOSTO DE 2009 00:44  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Almir Moreira disse...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;textos pesados, também são sensuais.&lt;br /&gt;existe uma ligação muito forte também com desilusões e dá muita mais vida a obra.&lt;br /&gt;muito bom, Capa Vêrdê&lt;br /&gt;11 DE AGOSTO DE 2009 16:19  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Anônimo disse...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Enfim, parece que surge um escritor peso pesado no Ceará.&lt;br /&gt;11 DE AGOSTO DE 2009 17:55 &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Magali Schmitt disse..&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Que coisa mais... real. Se alguém se chocar, é por que nunca viveu uma grande história. Se não curtir, é porque não tem coragem de expor seu âmago, como tu tão bem o fizeste, Capa, dando tua cara a tapa. Coragem admirável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;super beijo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-6349855599750541593?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/6349855599750541593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=6349855599750541593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/6349855599750541593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/6349855599750541593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/08/amor-proibido-ou-blood-sweet-and-tears_16.html' title='Amor proibido, ou blood, sweet and tears'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-259976884398478364</id><published>2009-07-25T10:45:00.006-03:00</published><updated>2009-07-25T15:17:57.270-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Eu queria ter escrito isso</title><content type='html'>Tem uma canção de Milton Nascimento e Tunai que fala daquele sentimento maluco que vez por outra nos acomete quando nos deparamos com algo que tem a cara da gente, tem tudo a ver com a gente, mas não foi a gente que fez, escreveu, compôs... Chama-se &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Certas Canções&lt;/span&gt; e diz assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Certas canções que ouço&lt;br /&gt;Cabem tão dentro de mim&lt;br /&gt;Que perguntar carece&lt;br /&gt;Como não fui eu que fiz?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois quero aqui iniciar uma "sessão" nesse meu bloguizinho tão fulero e sem leitor chamada "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu queria ter escrito isso&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;E começo com Affonso Romano Sant'anna, pra mim(e muitos) o maior poeta vivo desse país. Quatro jóias da palavra que eu queria ter escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Poemas para a Amiga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Fragmento 7) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Estranho e duro amor &lt;br /&gt;é o nosso amor, amante-amiga, &lt;br /&gt;que não se farta de partir-se &lt;br /&gt;e não se cansa de querer-se. &lt;br /&gt;Amor &lt;br /&gt;todo feito de distâncias necessárias &lt;br /&gt;que te trazem &lt;br /&gt;e de partidas sucessivas &lt;br /&gt;que me levam. &lt;br /&gt;Que espécie de amor &lt;br /&gt;é esse amor que nos doamos &lt;br /&gt;sem pensar e sem querer com tanto amor &lt;br /&gt;e tão profundo magoar? &lt;br /&gt;Estranho e duro amor &lt;br /&gt;que não se basta &lt;br /&gt;e de outros amores se socorre &lt;br /&gt;e se compensa &lt;br /&gt;e neste alheio compensar-se &lt;br /&gt;nunca se alimenta, &lt;br /&gt;mas se avilta e se desgasta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho amor, &lt;br /&gt;ferino amor, &lt;br /&gt;instável amor &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feito sem muita paz, &lt;br /&gt;com certo desengano &lt;br /&gt;e um desconsolo prolongado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito de promessas sem futuro &lt;br /&gt;e de um presente de saudades. &lt;br /&gt;Chorar tão dúbio amor &lt;br /&gt;quem há-de? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho amor &lt;br /&gt;e duro amor &lt;br /&gt;incerto amor, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que não te deu o instante que esperavas &lt;br /&gt;e a mim me sobejou do que faltava.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Poemas para a Amiga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Fragmento 2) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu sei quando te amo: &lt;br /&gt;é quando com teu corpo eu me confundo, &lt;br /&gt;não apenas nesta mistura de massa e forma, &lt;br /&gt;mas quando na tua alma eu me introduzo &lt;br /&gt;e sinto que meu sangue corre em ti, &lt;br /&gt;e tudo que é teu corpo &lt;br /&gt;não é que um corpo meu &lt;br /&gt;que se alongou de mim. &lt;br /&gt;Eu sei quando te amo: &lt;br /&gt;é quando eu te apalpo e não te sinto, &lt;br /&gt;e sinto que a mim mesmo então me abraço, &lt;br /&gt;a mim &lt;br /&gt;que amo e sou um duplo, &lt;br /&gt;eu mesmo &lt;br /&gt;e o corpo teu pulsando em mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.........................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Separação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Desmontar a casa &lt;br /&gt;e o amor. Despregar &lt;br /&gt;os sentimentos das paredes e lençóis. &lt;br /&gt;Recolher as cortinas &lt;br /&gt;após a tempestade &lt;br /&gt;das conversas. &lt;br /&gt;O amor não resistiu &lt;br /&gt;às balas, pragas, flores &lt;br /&gt;e corpos de intermeio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empilhar livros, quadros, &lt;br /&gt;discos e remorsos. &lt;br /&gt;Esperar o infernal &lt;br /&gt;juizo final do desamor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vizinhos se assustam de manhã &lt;br /&gt;ante os destroços junto à porta: &lt;br /&gt;-pareciam se amar tanto! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(................)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amou-se um certo modo de despir-se &lt;br /&gt;de pentear-se. &lt;br /&gt;Amou-se um sorriso e um certo &lt;br /&gt;modo de botar a mesa. Amou-se &lt;br /&gt;um certo modo de amar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o amor bate em retirada &lt;br /&gt;com suas roupas amassadas, tropas de insultos &lt;br /&gt;malas desesperadas, soluços embargados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou amor no amor? &lt;br /&gt;Gastou-se o amor no amor? &lt;br /&gt;Fartou-se o amor? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto dos filhos &lt;br /&gt;outra derrota à vista: &lt;br /&gt;bonecos e brinquedos pendem &lt;br /&gt;numa colagem de afetos natimortos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor ruiu e tem pressa de ir embora &lt;br /&gt;envergonhado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguerá outra casa, o amor? &lt;br /&gt;Escolherá objetos, morará na praia? &lt;br /&gt;Viajará na neve e na neblina? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tonto, perplexo, sem rumo &lt;br /&gt;um corpo sai porta afora &lt;br /&gt;com pedaços de passado na cabeça &lt;br /&gt;e um impreciso futuro. &lt;br /&gt;No peito o coração pesa &lt;br /&gt;mais que uma mala de chumbo.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mistério&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O mistério começa do joelho para cima. &lt;br /&gt;O mistério começa do umbigo para baixo &lt;br /&gt;e nunca termina.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-259976884398478364?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/259976884398478364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=259976884398478364' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/259976884398478364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/259976884398478364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/07/eu-queria-ter-escrito-isso.html' title='Eu queria ter escrito isso'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-3787000029169260934</id><published>2009-06-24T15:02:00.005-03:00</published><updated>2009-06-25T00:14:42.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O vazio nosso de cada dia</title><content type='html'>Li uma entrevista do Tom Jobim - isso faz muuuito tempo, mas me marcou - onde ele dizia que todos temos um vazio dentro nós que jamais preencheremos e por isso ele fazia música. Que por mais que se aprenda, se viva; por mais que nos busquemos e até nos encontremos, nunca conseguiremos preencher esse vazio. O que é esse vazio, o porquê dele, Jobim deixava para os entendidos na alma humana. Assino embaixo. Mas que ele existe, o vazio, dentro de mim, dentro de todos, ele existe.  O que é esse peso na minha alma nessa manhã franzina? O vazio pesa. O que é esse cinza que entristece e descolore minha tarde? O vazio tem cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos a vida aos tapas e aos tombos com ele. Passamos a vida tentando preenchê-lo. No verso, no trago, no sexo, no shopping, no trabalho... Escrevo por isso – tô tentando. E você? Enfrenta o seu vazio de que maneira? Colecionando amores? Esvaziando garrafas? Afundando no trabalho? Abrindo a geladeira? Também escrevendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense comigo: por que será que quando vamos a uma festa, quando saímos à noite, temos que beber? Se não se bebe parece que a coisa não liga, não tem graça, fica vazia, enfim. Festa boa, é de porre grande. As pessoas hierarquizam a diversão na medida em que bebem e conseguem se livrar das inibições, dos medos, e dele, claro, do vazio, que assim fica submerso no álcool, bebinho bebinho. “A festa tava ótima, tomei um foguete daqueles”. Que pobreza as nossas diversões – alegria movida a cerveja, sorriso movido a uísque, simpatia movida a vinho, sexualidade à champanhe; e o outro sendo apenas prato para matar a nossa fome! Mas nada extingue, supera, resolve o problema do vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tem hora para atacar, mas é a noite que age mais furiosamente. Por isso na noite bebemos mais, fumamos mais (aqui lembro Quintana: “desconfio das pessoas que não fumam. Fumar é uma maneira disfarçada de suspirar”). Às vezes ataca de manhã ao acordarmos e olharmos para o dia à frente como dois parênteses sem nada dentro, ou talvez pior, como uma página já escrita e da qual sabemos tudinho que vai acontecer até o ponto final. Uma página-dia cheia de vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pensando bem, eu não quero deixar de me deparar com o vazio, vez por outra. Porque eu gosto de ter medo, me sentir inseguro, meio perdido e confuso diante da maravilha que é a vida e as pessoas todas, tão atrapalhadas todas. Porque existindo esse vazio, o pecado pode ser doce, o amor eterno, o gole suave e a geladeira uma grande amiga (que bom, num domingo, em casa, sem nada pra fazer, abrir a geladeira e encontrar algo muito bom pra comer e tentar encher o vazio; mas não se engane, ele não está no estômago). Porque por causa do vazio, existe mais sensível a música, a poesia, a arte toda, o sorriso do filho, a beleza da mulher que passa do outro lado da rua e que nunca mais se verá, o dia de sol, o dia de chuva e... a geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, na próximo vez que o vazio me atacar, vou tratá-lo bem. Faça o mesmo, sugiro. Afinal, vamos viver juntos a vida toda. Nós e o vazio. E depois, é graças a ele que a gente enche do outro, do emprego, do mundo e da vida que se leva, vazia, e se arranca para novos caminhos – outros carinhos, outro cartão-ponto, outro mundo. E pensando melhor: dá pra agüentar ser feliz sempre? Nada mais triste do que alguém que anda sorrindo sem parar por aí. Parece gente sem vazio, cheia de risada. Pensando bem: hei,vazio! olha eu aqui!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-3787000029169260934?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/3787000029169260934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=3787000029169260934' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3787000029169260934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3787000029169260934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/06/o-vazio-nosso-de-cada-dia.html' title='O vazio nosso de cada dia'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-1801743271213360179</id><published>2009-05-19T14:29:00.003-03:00</published><updated>2009-05-19T14:42:02.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='midia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Teoria e prática: O jornalismo e a mesmice da vida</title><content type='html'>A formação e a prática jornalística têm como dogma que um bom texto deve sempre ser escrito de forma simples, de forma que todos entendam - como se constata em qualquer manual de redação. Esse dogma, que numa primeira interpretação, poderia me afastar do pensamento e do texto adornianos, tem justamente a força do contrário, posto que me levou, é bem verdade que aos poucos, a ancorar e, por fim, aportar em Adorno. E me salvar. Para explicar isso é preciso dizer que por mais de duas décadas exerço o magistério superior, lecionando disciplinas que, só também numa primeira interpretação, podem ser vistas como distantes em forma e conteúdo: redação jornalística e teoria da comunicação, uma prática e outra teórica.  Aos poucos fui percebendo que elas estavam, realmente, tão distantes na roda do mundo... que se tocavam. Aos poucos fui percebendo que Adorno se interpunha entre as duas disciplinas e que ele ia se constituindo no ponto, não que separava, mas que as unia, pelo menos em mim.&lt;br /&gt;     Na primeira, redação jornalística, com conteúdo programático preso às técnicas de redação importadas da cultura pragmática e midiática norte-americana, eu me via diante da formatação e da padronização justamente que a segunda, teoria da comunicação, no enfoque da indústria cultural, apontava e condenava. Por um lado, então, eu “ensinava” os alunos a produzirem textos dentro das fórmulas e moldes ditados pela técnica jornalística, isto é, textos que seguissem os mandamentos da clareza, da ordem direta, da voz ativa, da concisão, enfim, que seguissem o que os manuais, todos os manuais, diziam e ainda dizem que são os requisitos para um bom texto. Porque ele seria ouvido ou lido por todas as classes, do operário que prepara paredes sólidas numa construção, ao douto profissional liberal que, solidamente instalado, ocupa essas quatro paredes. Em outras palavras, o texto era para um público heterogêneo e assim ele devia ser homogêneo. Sendo para todos, ele deveria ser para ninguém, porque ele era para a massa. Eu, vítima como todos de um mundo fracionado, de um ensino fragmentado e de um pensamento, por conseqüência, também compartimentado, não percebi isso aos poucos, muito aos poucos, fazendo o meu caminho, me (re)construindo – muito graças a Adorno – a partir do que havia sobrado de mim, de “eu”, do que não me fora “mesmizado”, destruído mesmo. E foi então, trabalhando com a indústria cultural, na disciplina de teoria da comunicação, que comecei a juntar as peças separadas e, mais que isso, comecei a perceber que essas peças foram propositalmente separadas. Fui percebendo que ensinava numa disciplina – redação jornalística - a fazer de um jeito que era justamente o jeito que eu ensinava que a outra – teoria da comunicação - condenava. Ensinando, aprendi que a técnica e a teoria andam juntas sempre, a mesma face de uma mesma moeda chamada vida, e que eu como o mundo, as tratava de maneira separada. E aprendi que a primeira, a técnica, despreza a segunda, tida como algo vago, imponderável, inútil mesmo. Fui percebendo que os alunos desprezavam a teoria – as disciplinas teóricas eram, como são, chamadas de “caça-níqueis” -, fui percebendo que eles desprezavam aquilo que não ensinava a fazer, mas que ensinava a pensar o fazer. Fui percebendo que a teoria era e é vista no mundo da obrigatoriedade do pensamento objetivo, como um mal necessário, algo a suportar. Adorno, falando sobre o ato de escrever, diz no aforismo Atrás do espelho, em &lt;em&gt;Minima moralia&lt;/em&gt; (p.75):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O escritor instala-se em seu texto como em sua casa [...]. (Seus pensamentos) são para ele como móveis nos quais se acomoda, sente-se bem ou se irrita. Ele acaricia-os afetuosamente, usa-os, desarruma-os, organiza-os de outro modo, arruína-os. Para quem não tem mais pátria, é bem possível que o escrever se torne a sua morada.&lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Fui percebendo que a técnica que tanto eu usara como profissional da escrita e que agora passava para meus alunos, funcionava sem dúvida, “comunicava”, mas era a técnica do pensamento objetivo, instrumentalizado. Comunicava faticamente, como diria Jakobson, assim como o “bom dia” frio e impessoal ao porteiro do prédio comunica minha existência (nossas existências), mas não lhe comunica um sentimento. Usando a metáfora adorniana que coloca os pensamentos como móveis de uma casa, eu percebi que esses móveis na verdade eram inarredáveis, móveis imóveis, construídos para serem daquele jeito e ficarem naquele lugar fixo, pensamentos amarrados. Eram pensamentos da vida instrumentalizada, filhos da razão instrumental. A técnica de escrever, no particular, domava e dominava o pensamento – como obviamente ainda o faz, do mesmo modo que a técnica toda doma e domina tudo e todos. A técnica de escrever gera a técnica de ler, assim como a técnica de fazer um filme gera uma técnica de ver um filme. Se sair daquilo que é o formato, a gente não entende aquilo que é o conteúdo. Por isso temos dificuldades nos textos mais elaborados, que extrapolam os modelos e fórmulas. E textos aqui tem o sentido semiótico de todos os textos – uma notícia, um livro, um filme, uma roupa ou mesmo uma postura. A técnica é como uma sala cheia de móveis que não se pode mudar de lugar: oferecem até conforto, mas são sempre os mesmos, senta-se olhando sempre para o mesmo lugar. Aliás, já se procura o mesmo lugar para sentar porque se sabe para onde se olhar e o que se vai olhar. É como o velho cavalo do padeiro, que “decorou” cada parada – a casa está vazia, o dono se mudou, mas a parada é automática.  No caso da produção textual, escreve-se de modo tão sempre igual, que qualquer outro jornalista, cavalo de padeiro, poderia fazer o mesmo texto. “Qualquer outro” são todos e não é ninguém. E o leitor, tão rotinizado e robotizado na sua leitura, cavalo de padeiro, pode ser qualquer leitor. Qualquer leitor também é ninguém, porque são todos. No ensaio Sobre música popular Adorno vai dizer: “O ouvinte sente-se lisonjeado porque ele tem o que todo mundo tem”. Era sobre música que escrevia, mas vale também para a leitura, já que na vida administrada pela razão, a padronização da produção e a reprodução da mesmice mudam só de lugar, as salas são sempre iguais, os textos são sempre iguais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-1801743271213360179?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/1801743271213360179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=1801743271213360179' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/1801743271213360179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/1801743271213360179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/05/teoria-e-pratica-o-jornalismo-e-mesmice_5513.html' title='Teoria e prática: O jornalismo e a mesmice da vida'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-3100582882478952659</id><published>2009-05-19T14:10:00.004-03:00</published><updated>2009-05-19T14:28:27.143-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='midia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Teoria e prática: O jornalismo e a mesmice da vida (final)</title><content type='html'>Fui percebendo, aos poucos então, que a minha atividade profissional como jornalista era a realidade de todos os profissionais, não só jornalistas – uma vivência de práticas, de técnicas, de fórmulas, clichês, standards e slogans que envelheciam ad infinitum sem desaparecer nunca. Entendi que, no caso da comunicação feita através da indústria cultural, como disse Bruno  Pucci&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[...] as conseqüências inevitáveis do uso abusivo dos clichês desembocam no “esvaziamento da atividade de comunicação”, no “empobrecimento da imaginação do indivíduo”, na justaposição de um discurso demasiadamente colado aos fatos ou por demais abstrato. Podemos dizer que os clichês se transformam no avesso dos exercícios estéticos propostos por Baumgarten, ainda no século XVIII, para desenvolverem nas pessoas “a aptidão para pensar de modo belo e de modo lógico ao mesmo tempo”. Através deles, se pode exercitar e harmonizar os sentidos e as “faculdades inferiores”, em proveito da elegância do conhecimento. E experimentar o mais plenamente possível a fantasia, a perspicácia, o dom poético, o gosto fino e apurado, a disposição de pressentir (arte divinatória) e a capacidade de expressar com elegância suas percepções.Na era esplendorosa dos meios de comunicação, tudo é facilitado, tudo se torna tão próximo, tudo já vem pronto e direcionado [...].&lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;       A palavra é, assim, “cunhada pelo comércio”, isto é, é transformada em instrumento para a compreensão rápida, digestão imediata, pseudamente isenta, falsamente acrítica. Fui aos poucos entendendo que a vida vivida nesse mundo instrumentalizado é toda ela – não só a do jornalismo - voltada para essa praticidade, essa visão de resultados, um outro nome para a cegueira. Pucci vai falar no texto já citado em “orientação funcionalista e fragmentária”, “visão dicotômica e fragmentária”, referindo-se aos cursos pré-vestibulares e aos cursos de graduação, lugares onde “&lt;em&gt;a exclusão da reflexão e do estético [...] transferem para a pós-graduação [...] candidatos com dificuldades extremas para pesquisar, elaborar reflexões, redigir um texto&lt;/em&gt;”. Era sobre ensino formal que ele escrevia, mas vale também para o “grande” ensino, a grande escola do mundo, além dos muros das escolas institucionalizadas, que mais formata do que forma tudo e todos. Tal qual o Operário em Construção, de Vinicius de Moraes, que de operário construído se fez operário em construção, eu percebi o quanto fragmentariamente eu ensinava e vivia, e o quanto à vida toda e tudo é isso. E me mudei de mim mesmo. Hoje não rejeito as fórmulas, os rótulos, mas questiono-os. E na medida do impossível busco o diferente, a variante, o outro jeito. Minhas aulas de redação jornalística ainda ensinam o texto formatado, condição de mercado, mas com postura crítica, de que se escreve assim porque se escreve pra ninguém, ou para todos, que é a mesma coisa. E trabalho sempre o texto livre, leve e solto, condição básica de vôo e sobrevivência para cada um que quer flanar pelo universo da palavra, do jornalismo, e da vida, enfim. Como pessoa cada vez mais reverencio os Satie, os Modigliani, os McCullers, gente diferente, que fez a diferença.&lt;br /&gt;        Quero destacar, também, que nessa caminhada com Adorno percebi ainda que como professor eu fui ensinado que ensinar, ser didático, era explicar coisas aparentemente complicadas, ou complicadas mesmo, mas sem apresentar essas coisas aos alunos. Por exemplo: eles não liam Adorno, mas liam textos mais acessíveis que descomplicavam Adorno, que, como disse Valls, escrevendo difícil fazia o “seu jogo de esconde-esconde e de meias palavras [...] por simpatia, por respeito à inteligência do leitor”. O pensar com mais profundidade era (e é)) desestimulado. Mas se “conhecia” Adorno. Mais ou menos como se “conhece” a Sinfonia nº 40 de Mozart através do trecho mais popular dela, de preferência usando como referência o enunciado: “aquela da propaganda do sabonete”. Essa superficialidade, estendida a todas as formas do viver, um viver danificado – o viver do clichê, da padronização, dos jogos de aparências em que estamos metidos, do fácil e do fútil - isso foi do que acabei me dando conta, em reconstrução, a partir das idéias de Adorno e Horkheimer. Eu já quase virava dinossauro, não tanto pela idade, mais pela dureza/rudeza que o mundo objetivo e seco me impingira no corpo e na alma. Mas como bem frisou Che Guevara, de que devemos endurecer, “pero sin perder la ternura jamás”, sobrou um pouco de mim, e desse pouco refiz-me, no que ainda deu tempo e no que havia ainda de tinta para escrever a minha própria narrativa de ser.  Essa reconstrução, lembro  Barthes, deu-se com “nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível". Tenho saboreado muito, desde então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-3100582882478952659?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/3100582882478952659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=3100582882478952659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3100582882478952659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3100582882478952659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/05/teoria-e-pratica-o-jornalismo-e-mesmice_19.html' title='Teoria e prática: O jornalismo e a mesmice da vida (final)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2715190757469879333</id><published>2009-05-15T14:52:00.002-03:00</published><updated>2009-05-15T15:01:27.206-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><title type='text'>As mulheres só querem sexo</title><content type='html'>Eu tomava uma cerveja, depois da aula, num bar em frente à Unisinos, universidade onde eu trabalhava, no torrão gaúcho, e um aluno se aproximou com aquela  intimidade que a noite propicia e o álcool exacerba. Conversa vai e vem ele entrou no assunto que estava enlouquecendo o seu copo.&lt;br /&gt;“Professor, é o seguinte. Não agüento mais essa mulherada.Não consigo uma garota prá namorar. Só prá transar. Toda sexta à noite  eu saio, vou num bar, uma danceteria, e arrumo mulher prá dormir. Mas eu  quero namorar, sabe?”&lt;br /&gt;E explicou o que era namorar prá ele.&lt;br /&gt;“Eu quero ficar em casa com a menina fazendo massa e enchendo a cara de vinho barato, daqueles de garrafão. Quero caminhar de mãos dadas pela calçada. Quero gostar, sabe?”.&lt;br /&gt;Aquilo me lembrou imediatamente uma outra conversa, dessa vez com uma garota, também aluna. Ela me pediu que apresentasse alguém prá ela, que ela não agüentava mais não ter namorado. “Puxa, professor, o senhor conhece todos os alunos, me apresenta um que queira uma namorada. Os homens não querem mais namorar, só querem transar.” As mulheres se queixam muito dos homens.&lt;br /&gt;Pensei em apresentar os dois, mas não me lembrava mais quem era a menina. Mas contei a história para ele, que enquanto me escutava enchia o seu copo. Ele era um tipo que acho que as universitárias acham interessante. Devia ter uns 24 anos. Pele morena, cabelos num corte meio feminino, penso que chanel, um brinco  discreto. Mas com cara e corpo de homem, o que fazia um arranjo bonito.  &lt;br /&gt;Daí passamos a falar de livros, aula. Até que uma menina no fundo do bar chamou a atenção dele. Bonita, loira do tipo “olha como sou gostosa”, ela atirava os cabelos pra lá e pra cá, e entre um gole e outro de cerveja olhava para o pobre procurador de namorada. Talvez conscientemente, ela bebia sua garrafinha direto no bico. Isso reforçava o jogo de sedução que ela estava jogando, pelas mensagens outras que passava ao procurador de namorada. Procuradora de namorado? &lt;br /&gt;Vi o brilho no olho dele. E lá foi, copo em punho, conversar com a menina. Procurar o quê mesmo? &lt;br /&gt;Fui pra casa pensando em Vinicius de Moraes que escreveu: “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Fui pra casa pensando em Arthur da Távola, que disse que “não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente... “&lt;br /&gt;Fui pra casa cantando Vinicius baixinho, respeitando meus ouvidos: “Se você quer ser minha namorada / ah! que linda namorada você poderia ser / se quiser ser somente minha / exatamente essa coisinha / essa coisa toda minha / que ninguém mais pode ser...”. Puxa, conquistei “todas” as namoradas cantando essa música. Parecia tão fácil arrumar namorada cantando “Minha namorada”. Mas lembro que os amigos já se queixavam muito das mulheres.&lt;br /&gt; Dias depois, encontrei de novo o procurador de namorada. &lt;br /&gt;Arrisquei: “E aí, encontrou a parceria para o vinho de garrafão?”  &lt;br /&gt; E ele: “Que nada! Aquela loira queria era sexo. Fomos lá pra casa, depois de muitas cervejas. Mas não a vi mais por aqui. É o que eu te disse, as mulheres só querem transar, professor”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2715190757469879333?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2715190757469879333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2715190757469879333' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2715190757469879333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2715190757469879333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/05/as-mulheres-so-querem-sexo.html' title='As mulheres só querem sexo'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-499482626696705975</id><published>2009-05-06T08:21:00.001-03:00</published><updated>2009-05-06T08:23:43.127-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>No meio da minha rua tinha um lixeiro</title><content type='html'>Saía de casa pro trabalho bem arrumadinho e cheiroso. Lá adiante, uns 100 metros, vi um velho lixeiro começando o seu serviço. Empurrava um carrinho e vestia um macacão puído, sujo. A barba branca estava por fazer; o rosto, marcado, expressava um misto de tristeza e dor. Eu me sentia bem nessa manhã. Minha alma devia estar pesando um milésimo de grama. Meus pensamentos estavam em paz e meus sentidos bebiam as cores, os cheiros e os rostos da manhã. Enquanto eu caminhava e me aproximava do velho lixeiro, pensava como pode alguém chegar à velhice assim – caminhando pra morte juntando restos da vida (boa, farta, em alguns casos) dos outros; varrendo as ruas de uma sociedade que nunca lhe deu chances? Quando passava por ele, nossos olhos se cruzaram. Timidamente ele baixou os dele. Pensei que estivesse envergonhado, assim velho e lixeiro diante de alguém, mais jovem, bem arrumadinho e cheiroso. Mas logo a vergonha mudou de lado, se é que estava ou esteve do lado dele. A vergonha ficou por minha conta, ficou em mim, por me flagrar julgando aparências. Quem disse que esse velho lixeiro não deu mais certo do que eu? Quem disse que sua alma não pesava menos que a minha nessa manhã, enquanto empurrava seu carrinho e seu radinho chiava uma música qualquer, mas que eu certamente não aprovaria? Quem disse que esse velho lixeiro, com sua barba por fazer e seu macacão surrado, não deu mais certo do que esses que andam por aí desfilando marcas novinhas no corpo todo, no carro, como se nossas vidas e corpos fossem grandes outdoors do sucesso e felicidade de cada um? E afinal o que é dar certo? Dar é certo é ser feliz, pô! Shinyashiki, aliás, tem um livro que se chama O sucesso é ser feliz. Quem pode dizer que aquele velho lixeiro é mais infeliz do que eu? Ou menos feliz? Ou mais feliz? Sabe-se lá da sabedoria que se esconde naquela cabeça branca – aquela sabedoria que vem da dor e da delícia da vida vivida... Sabe-se lá de suas alegrias, de seus prazeres? Os momentos de enlevo que vive quando a noite chega e esperando o jantar fuma um cigarro, quem sabe até daqueles juntados da rua, escutando sua musiquinha chiada? Sabe-se lá da alegria que ele experimenta nos domingos indo passear na casa dos filhos, ou dos netos, ou ficando em casa, à espera deles? Sabe-se lá como vive bem com sua companheira de tantos anos, e que os anos murcharam e sulcaram e como nas noites frias eles encaixam seus corpos cansados e aquecem suas almas? Pode não ser nada disso. Pode ser mais do que tudo isso. A vergonha ficou por minha. Ficou comigo. Me incomoda ainda. Deitou comigo ontem e atrapalhou meu sono. Acordou comigo hoje e atrapalha o meu dia. Antes de sair pro trabalho, não me sentindo nem arumadinho nem cheiroso, sou salvo por meu velho salvador - Fernando Pessoa: &lt;br /&gt;           &lt;em&gt;Imita o Olimpo&lt;br /&gt;             No teu coração.&lt;br /&gt;            Os deuses são deuses&lt;br /&gt;             Porque não se pensam.&lt;br /&gt;             ..............&lt;br /&gt;            Porque pensar é não compreender... &lt;br /&gt;           O Mundo não se fez  para pensarmos nele&lt;br /&gt;           (Pensar é estar doente dos olhos)&lt;br /&gt;           Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... &lt;br /&gt;          Porque quem ama nunca sabe o que ama&lt;br /&gt;          Nem sabe por que ama, nem o que é amar... &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-499482626696705975?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/499482626696705975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=499482626696705975' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/499482626696705975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/499482626696705975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/05/no-meio-da-minha-rua-tinha-um-lixeiro.html' title='No meio da minha rua tinha um lixeiro'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-1452164813275589949</id><published>2009-04-28T15:52:00.002-03:00</published><updated>2009-04-28T15:57:13.247-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><title type='text'>A arte de cruzar as pernas (ou ainda, a arte da espera)</title><content type='html'>A mulher tem várias armas para derrubar, ou pelo menos bambolear um homem, no jogo da sedução. Uma das mais eficazes é o cruzar de pernas. Com saia ou vestido, claro, nem se fala. Aliás, essa é uma distinção - saia e vestido – que está além da minha compreensão. Tudo pra mim é saia ou tudo é vestido. Uma mulher que, diante de espécime macho, saiba cruzar as pernas e, o que é mais perturbador, saiba descruzá-las,  soma pontos valiosos na planilha da sedução. A imortalidade de Sharon Stone está garantida não pela sua obra, mas pelos cinco segundos de seu cruzar e, principalmente, descruzar de pernas.&lt;br /&gt;Antes de tudo, mais importante que tudo, acima de tudo, quase tudo: é preciso calma nessa hora, digo, nessa arte. É preciso ser mesmo lenta, câmara lenta – slow motion, para quem está mais acostumado ao português moderno. Aliás, a calma, um jeito devagar de fazer tudo, irmã gêmea da delicadeza, deveria ser a norma de todas as condutas da mulher. Na verdade, creio que as mulheres são mais lentas por natureza, e, por favor, eu estou elogiando. As ligeirinhas, agitadas, que me perdoem, mas não são o melhor do gênero. Foram corrompidas. Esses tempos de velocidade, de potência, de gente máquina, esse cruzamento doido de alma com tecnologia, que acelera tudo, isso é coisa de macho, mas acabou atingindo a mulher. Mas no fundo, na essência, ela tem a calma. Porque a mulher conjuga, como o homem não sabe conjugar, o verbo esperar. Ela espera no bar, na festa, que o homem, normalmente já escolhido, venha conversar. Ela espera o sangue vir, depois espera ele ir. Se o sangue não vem, ela espera bebê. Nove meses de espera. Coisa que homem nenhum suportaria. Ela espera o homem vir. Rubem Braga escreveu aos 20 e poucos anos uma bela crônica sobre a mulher que espera homem. “Não importa que seja a esposa vulgar de um homem vulgar; e que no fim a história do atraso dele seja também vulgar, neste momento ela é a mulher esperando o homem”.&lt;br /&gt;E quando um pneu do carro fura, a mulher simplesmente desce e ... espera alguém – homem, claro – para trocá-lo. No sexo, ela demora mais, e o homem, sem paciência, não espera como ela certamente esperaria. Depois, ela espera um papo carinhoso e ele não espera pra dormir. Até na hora da concepção se faz a diferença – 350 milhões de espermatozóides em louca carreira para chegar ao óvulo, que lentamente foi dos ovários para a trompa e lá, placidamente, espera o vencedor da corrida. O que não é diferente aqui de fora, onde o homem corre, corre, atrás de quem mesmo? Porra-louca dentro e fora.&lt;br /&gt;Então, mulher, busque a calma se ela anda agitada dentro de você, que ela lhe pertence. A menos que você tenha 18 anos, ou por aí, porque aí é quase impossível. Vale para todas o que Afonso Romano escreveu sobre a mulher madura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Há uma serenidade em seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosas. A adolescente não sabe ainda os limites do seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muitos barulhos, joga muita água para os lados. Enfim, desborda. A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo de repouso da garça sobre o lago."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius, em Receita de Mulher já tinha dado o veredito: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“É preciso que súbito tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada”&lt;/span&gt; . É isso. A mulher ao mover-se, e aqui, no caso, ao sentar-se, precisa parecer uma garça pousando. Leve, suave, esbelta, senão esguia. É que no cruzar e descruzar de pernas, a mulher se abre e se fecha. Porque quando uma mulher faz sexo, ela se abre em oferenda, ela se dá. E até nessa hora, sem pressa, ao contrário do desesperado macho. Veja a localização do sexo no homem e na mulher. O homem, arma em riste; a mulher, algo escondido - um lugar quente, úmido, pra dentro, estranho, muito diferente do sexo dele, pra fora, solto no mundo (agite antes de usar). Mulher é interior e tudo que isso implica - emoção, sexto sentido, mistério; homem é exterior, e tudo que isso explica.&lt;br /&gt; Dito isso, minha amiga, calma sempre e em tudo, que esse bicho apressado chamado homem corre tanto justamente pra chegar aí – um regaço morno, um cafuné de mãos delicadas, a paz depois da correria, o sono abraçado numa nuvem. Então, mãos à obra. Aliás, pernas. Mas bem devagarzinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-1452164813275589949?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/1452164813275589949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=1452164813275589949' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/1452164813275589949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/1452164813275589949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/04/arte-de-cruzar-as-pernas-ou-ainda-arte.html' title='A arte de cruzar as pernas (ou ainda, a arte da espera)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2359963373344381388</id><published>2009-04-21T23:41:00.005-03:00</published><updated>2009-04-22T08:44:53.126-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indústria cultural'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chet Baker'/><title type='text'>Com Chet, sofrer é quase um prazer</title><content type='html'>A madrugada avança, a noite vai se indo. E aí? Não mudou nada. “Inútil dormir que a dor não passa”. Tampouco ficar acordado. Talvez esse seja o momento mais comum aos mortais que gostam de escrever e passam momentos de solidão, dor, tristeza, desespero – desafiar palavras, desafogar palavras, desenterrar palavras que traduzam o interior e enfrentem o exterior. Sinto-me humanamente igual a todos e tantos quantos já enfrentaram essa “insônia do tamanho do mundo”, empunhando palavras ou não. É verdade que nem todos nem tantos partem para essa batalha ouvindo algo como Chet Baker tocando e cantando &lt;em&gt;I fall in love too easily&lt;/em&gt;, como faço agora. O que é bom, porque muitos talvez não suportassem. O que também é mau, porque muitos talvez suportassem e partissem para ouvir Chet estraçalhar &lt;em&gt;Misty&lt;/em&gt; ou ainda &lt;em&gt;Everything happens to me&lt;/em&gt;, na versão mais longa com o quarteto de Charlie Haden. E se chegassem a esse momento atingiriam o nirvana da angústia, quase o prazer do sofrer. E paralelo à grande dor sentiriam, quem sabe, como eu agora, uma profunda piedade dos que dividem essas horas com todo o lixo que se produziu e se produz para cantar e chorar o amor/desamor, a solidão, a tristeza – coisas como Bruno e Marroni,  ou mesmo Renato Russo, poetinha menor que escreveu versinhos bobinhos para adolescentes em crise eterna com os pais e o mundo, mesmo passando dos 40. Ah!, licença então: que coisa boa sofrer ouvindo Chet. Sade? Sabe, dá até um orgulho, uma coisa boa mesmo, assim do tipo puxa, pelo menos a  indústria cultural e sua cocacolização do mundo, com sua produção em série de mais do mesmo sempre, ainda não me capturou de todo. Daí eu estaria aqui ouvindo  um popizinho gravado pelo Latino ou uma versão pseudamente cult de Ivete Sangalo ou Daniela Mercuri, ou... sei lá, são todas iguais - parece que desceram do mesmo caminhão de som ou saíram do mesmo programa dominical. O que quero dizer é que a dor não pode ser a mesma. Quem chora ouvindo “&lt;em&gt;tô fazendo amor com outra pessoa/ mas meu coração vai ser pra sempre teu&lt;/em&gt;”, não pode sofrer igual a quem chora escutando “&lt;em&gt;não, solidão, hoje não quero me retocar/nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas/deixo que as águas invadam meu rosto/gosto de me ver chorar/finjo que estão me vendo/eu preciso me mostrar&lt;/em&gt;”, do Chico. Quem sofre ouvindo "&lt;em&gt;eu sou dela ela é minha/ e sempre queremos mais/ se me manda ir embora/ eu saio pra fora/ ela chama pra trás&lt;/em&gt;", não pode sentir igual ao ouvir "&lt;em&gt;vem me fazer feliz/ porque eu te amo/ você deságua em mim/ e eu oceano/ e esqueço que amar/é quase uma dor&lt;/em&gt;", do Djavan.&lt;br /&gt;Sentimento e gosto se educam e nossa juventude, de todas as idades, foi tão educada dentro do igual e do medíocre - que melhor seria dizer tão deseducada -, tão sem ídolos que valham a pena, tão sem referências para tudo que não seja descartável, fútil, que dói vê-los sarados, fashion, bêbados, cantando "&lt;em&gt;um minuto é muito pouco pra poder falar/ a distância entre nós não pode separar&lt;/em&gt;" e... se achando. Ei cara!, até pra sofrer existe beleza, até no sofrer existe estética, e a história da arte, desde os gregos, mostra isso.&lt;br /&gt; Estou naqueles momentos em que como disse Drummond, não há nada no mundo que justifique o ponto de exclamação.&lt;br /&gt; Estou mais para Pessoa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não há na travessa achada o número da porta que me deram. &lt;br /&gt;Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido. &lt;br /&gt;Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. &lt;br /&gt;Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. &lt;br /&gt;Até a vida só desejada me farta - até essa vida...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A beleza toca a dor, que toca Chet, que toca e me toca. Percebo agora que algo mudou, sim. Talvez esse seja o momento que vivo mais incomum aos mortais que gostam de escrever e passam momentos insones de solidão, tristeza, desespero. Sofro quase com gozo. Me vem Leminski: “&lt;em&gt;Um homem com uma dor é muito mais elegante&lt;/em&gt;”. Sei que não sou melhor do que ninguém, mas nesse momento, com essa música e com essa dor que carrego, me sinto. Desculpe, amanhã eu volto a me achar o último da fila. Hoje, Chet me deu dignidade e superioridade na dor. Coisa de beleza. Me deu a diferença nesse mundo de iguais. Coisa de sentimento. A melhor arte me deu uma melhor dor. Coisa de Chet.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2359963373344381388?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2359963373344381388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2359963373344381388' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2359963373344381388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2359963373344381388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/04/com-chet-sofrer-e-quase-um-prazer.html' title='Com Chet, sofrer é quase um prazer'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-5010851363128732086</id><published>2009-04-21T22:45:00.004-03:00</published><updated>2009-04-22T00:16:54.156-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chet Baker'/><title type='text'>Um pouco de Chet</title><content type='html'>Se você conhece e gosta de Chet Baker, isso é bom pra sua alma. Se você ama Chet, como eu, encare o cara - a música dele - como um presente divino. Se não conhece, nunca é tarde pra se redimir e acalmar os deuses. No Google existem mais de 2 milhões de sites sobre Chet baker. Apresento aqui alguns onde você encontra um pouco da vida maluca, desregrada e desgraçada desse cara que aos 25 anos causava desmaios nas mocinhas, pela sua beleza; e aos 50, com cara de 100, causava espanto, pela feiura. Álcool, drogas, brigas de perder os dentes, prisões, Chet Baker teve uma vida tão tumultuada que parece incrível que tenha mantido sua arte num nível exepcional de leveza e beleza. Como uma alma tão amargurada podia produzir uma música tão suave, tão calma, tão sublime? Onde um camarada tão transtornado que chegou ao ponto de voar por uma janela e se desmanchar numa calçada encontrava paz pra fazer a música que fazia?&lt;br /&gt;Bem, se quiser mais de Chet clique &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=113"target=_blank&gt;aqui&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chet_Baker"target=_blank&gt;aqui&lt;/a&gt;. Para ouvir &lt;em&gt;I fall in love too easily&lt;/em&gt;, vá ao Youtube abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3zrSoHgAAWo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/3zrSoHgAAWo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-5010851363128732086?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/5010851363128732086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=5010851363128732086' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5010851363128732086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5010851363128732086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/04/um-pouco-de-chet.html' title='Um pouco de Chet'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-7935195256224674936</id><published>2009-04-20T19:50:00.000-03:00</published><updated>2009-04-20T19:55:37.707-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Chuva: diário de um molhado</title><content type='html'>Chove. E a vida fica perfeita quando me sobe um cheiro de café forte do apartamento daquela mulher que mora sozinha com seu cachorro. Fico imaginando ela tomando seu café, contemplando a chuva pela janela enquanto seu cachorro fica sentado olhando  a cena e de repente espirra. A chuva tem poder! Não falo  das catástrofes, tampouco dos resfriados. Falo desse sentimento que ela nos cria. Essa umidadezinha que parece que borrifa nossa alma e lhe tira um pouco da secura que a vida, dura e sem sentido que levamos, instala nela. Esse cheiro de terra, que nos remete, inconscientemente, atavicamente, a um  passado muito distante de quando ainda corríamos pelos campos e pradarias atrás de alces e gazelas e vivíamos com os pés fincados nela e dormíamos sentindo seu coração. Esse cheiro de água, que não tem cheiro, dizem, mas que a gente sabe que tem - cheiro de lembrança. É um cheiro que traz à memória momentos bonitos, amargos, alegres, tristes... momentos. Pense e você vai encontrar momentos inesquecíveis marcados pela chuva! A água repentina que caiu quando você chegava em alto estilo numa cerimônia de luxo. A tarde em que chovia muito e você amou inesquecivelmente aquela pessoa que fez folia em seu corpo, cujos exércitos invadiram o seu país e correu da sua vida sem dizer com pernas você devia seguir. A batida no trânsito, por culpa do asfalto molhado. O dia  aquele  em que sua adolescência ganhou  o primeiro "eu te amo" escrito num vidro embaçado. Escolha um momento de tantos e cante à chuva, que ela merece todo o canto e louvor.&lt;br /&gt;Eu me lembro aqui de dois momentos. Um, eu tinha sete anos e ia pra escola. Naquele tempo a gente usava capa-de-chuva, galocha e, ainda, guarda-chuva. A gente se preparava pra enfrentar a chuva. Mas nessa manhã eu não tinha saído nem de capa, nem de galocha, nem de guarda-chuva, porque minha mãe achou que não fosse chover. Às vezes ela errava, como errou prevendo que eu seria um grande homem, muito rico e importante. Naquele dia, quando me deparei com a chuva, a saída foi saltitar entre uma marquise e outra. Mas quando cheguei na quadra da escola, surpresa: não tinha mais marquise na rua. E cheguei todo molhado. E pior: molhei o caderno de caligrafia que eu amava. Chorei e pra sempre me lembrarei da chuva batendo no meu rosto, se misturando com as lágrimas, uma cena que se repetiu muitas vezes depois... chuva e lágrimas. A gente passa a vida pulando de uma marquise pra outra, sai pra chuva sem capa nem nada e não quer se molhar. Mas não adianta. A gente acaba perdendo o emprego de que gostava tanto ou precisava muito. A gente tenta não sofrer, tenta até não amar. Mas não adianta, um dia o coração acelera, a alma dilacera. Um dia fica só, sentado na calçada do mundo. Um dia, enfim, não tem marquise e a gente se molha e molha o caderno de caligrafia. A outra lembrança é de uma madrugada em que eu e Manon, uma moça tão linda como é raro seu nome, esperávamos táxi na esquina da minha casa. Eram 4h. De repente, chuva. Eu, elegantemente, tirei minha jaqueta jeans e armei uma proteção para nós. Ficamos bem juntinhos. Eu sentia o perfume do seu corpo, seu cabelo me reçova, seu hálito de vinho misturado com chiclete acariciava minha emoção. Naquela  noite tínhamos saído pra jantar. Bebemos, fomos pro meu aparamento, bebemos, conversamos muito, rimos muito. E foi só. E estranhamente foi uma noite inesquecível, porque não acontecendo nada, aconteceu tudo. Das outras que aconteceu tudo, não lembro nada. Nunca mais vi Manon, mas ela viverá pra sempre em mim. Porque não acontecendo nada, aconteceu tudo. E porque chovia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-7935195256224674936?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/7935195256224674936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=7935195256224674936' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7935195256224674936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/7935195256224674936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/04/chuva-diario-de-um-molhado.html' title='Chuva: diário de um molhado'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-5595815513610237257</id><published>2009-04-07T14:59:00.001-03:00</published><updated>2009-04-07T15:10:50.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dia do jornalista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><title type='text'>O motel, o doce da mãe e dia de hoje</title><content type='html'>Hoje é o dia de uma pessoa muito especial para você, mas talvez você nunca tenha parado para pensar nisso. O simples fato de você estar me lendo já mostra quanto essa pessoa é importante para você. Se ela não existisse, nós não estaríamos, eu e você, nessa convivência tão íntima - estamos só nós dois aqui metidos nessas linhas, não? -, e tão anônima ao mesmo tempo - não sei em que lugar estamos nos encontrando: na sua casa, no trabalho, num bar; pior, no banheiro? E não sabemos nada um do outro: peso, cor, idade, renda; pior, muito menos sabemos se vamos nos encontrar de novo. Essa pessoa tão especial está presente em todos os dias da sua vida. Às vezes lhe conta coisas ruins, coisas que você preferia não ouvir da boca de ninguém; outras lhe dá alegria como só ela sabe, contando coisas bonitas, maravilhosas, que você nem esperava ouvir de alguém. Por vezes essa pessoa é fofoqueira, metida na vida dos outros e até na sua; outras, é maldosa e mesmo que ela não reconheça isso, faz e diz coisas que envergonham  as outras como ela. Mas eu não tenho a menor dúvida de que você não tem dúvida nenhuma sobre preferir a vida e o mundo com essa pessoa. Aliás, você não saberia viver sem ela. Estou falando de quem? Tchan, tchan, tchan, tchan, tchan: do jornalista !&lt;br /&gt;Eu não tenho dúvidas também de que ele é Deus e diabo, às vezes ao mesmo tempo. Mas pense comigo. Vamos pegar só um exemplo: o caso Nardoni. Tudo bem, que a cobertura não precisava ser de 48 horas por dia, mas imagine o contrário: não ver nem saber  nada disso. Imagine sua vida sem o Fantástico nos domingos mornos em que não aconteceu nada na sua vida, nem mesmo aquela sobremesa idolatrada na casa da mãe. O Fantástico garante a emoção do final de semana.  E mais, garante suas conversas na segunda-feira, na fila do banco, no trabalho, ou até mesmo com aquelas certas pessoas das suas relações, sonolentas de dormir demais e ver e viver de menos. Imaginemos a seguinte situação: a tv mostrou à noite uma reportagem interessantíssima que você não viu porque estava no motel vivendo emoções como aquelas que o Roberto cantou, ou porque estava assistindo um filme muito muito  bom ao lado de alguém melhor do que o filme; ou ainda porque estava se deliciando com aquela sobremesa tão famosa e  já falada na casa da mãe. Pois bem, a primeira pessoa que lhe perguntar: “você viu a reportagem aquela no Fantástico?” Você diz: “não”. Simplesmente. Quando a segunda pessoa perguntar, você já vai falar um pouco mais: “ Pois é, sabe, eu estava fora...” E  já vai ficar meio que se explicando. Quando a terceira pessoa vier lhe perguntar se você não viu a tal reportagem, você já vai estar se odiando por ter ido ao motel, ou à locadora ou à casa de mamãe. Por quê? Porque a mídia é sua referência, lhe dá não só assunto, mas identidade, lhe faz existir no mundo, que é no fundo, o mundo criado muito muito por ela. Claro que isso é tema para discussão e produção intelectual sem fim. Existe até um livro chamado &lt;em&gt;Ansiedade de informação&lt;/em&gt;, de Richard Wurman, tratando de como sofremos porque não vimos, ou não lemos o que os outros leram, e também porque não conseguimos ver, ler, tudo que o mundo – aquele mesmo criado pela mídia – diz que devemos ver, ler. Mas aqui quero só marcar esse dia que é  o Dia do Jornalista, uma pessoa muito importante na sua vida. Só agora confesso que sou um deles. E, ao mesmo tempo, que homenageio, agradeço: obrigado pela parte que me toca. E a parte que me toca é você, leitor, leitora, razão de existir do jornalista. Logo, você também é uma pessoa muito importante para essa pessoa, o jornalista.  Deixando então todas as discussões e produções intelectuais/literárias para depois, saúdo a nós dois, eu e você, por construirmos uma coisa tão mágica e bonita e humana – a comunicação. Porque se hoje é, “calendariamente” falando, o Dia do Jornalista, verdadeiramente, hoje é o Dia da Comunicação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-5595815513610237257?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/5595815513610237257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=5595815513610237257' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5595815513610237257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5595815513610237257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/04/o-motel-o-doce-da-mae-e-dia-de-hoje.html' title='O motel, o doce da mãe e dia de hoje'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-1597549130152672402</id><published>2009-04-06T11:32:00.003-03:00</published><updated>2009-04-08T14:21:47.276-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><title type='text'>A solidão das estrelas</title><content type='html'>Tarde da noite.  Mais de 1h30min. Vou caminhando pela rua, sem pressa,  no rumo de casa. Ouço apenas ruídos distantes – um carro que arranca com força, talvez um namorado tentando mostrar que ele tem a força daquela máquina; um cachorro latindo, talvez por absoluta falta de sono, quem sabe irritado com aquele tolo namorado. E ouço meu próprio caminhar, que no silêncio fica forte, decidido, como não sou. Distraído, penso em quase nada. Sigo em paz com o sono e os sonhos das casas e apartamentos. E assim penso que a noite dorme em paz.&lt;br /&gt;De repente um baque forte me faz sair daquele estado em que a escuridão e o silêncio se apoderavam de mim. Em seguida gritos, vozes alteradas, gente se ofendendo. Vêm da janela de uma casa pobre, de tábuas secas, descoloridas pelo tempo e carcomidas pelas goteiras de tantas chuvas. Apresso o passo. Chego mais perto. É a velha quitandeira, que mora na casa, que grita agora. É ela, sempre tão doce, tão risonha, discutindo com seu filho, que, dizem, anda envolvido com drogas.&lt;br /&gt;Meus pensamentos voam. Penso em quantos mundos trágicos, infelizes, se escondem atrás dessas janelas cerradas da noite e desses sorrisos abertos do dia. Com as estrelas, penso, somos trazidos à realidade de nossas dores, nossa solidões, nossas dificuldades diante disso que se chama viver – essa coisa fácil como respirar e difícil como aceitar a morte. Com a escuridão e as estrelas somos trazidos à realidade de nossa pobre condição de seres humanos confusos e perdidos num planeta perdido numa galáxia - perdida em meio a milhões de outras galáxias – que tem mais de cem milhões de estrelas perdidas. Que tristeza penso, ao mesmo tempo tão pequena, tão solitária - desesperadoramente solitária – e infinita dessas janelas que sofrem e não dormem. E que no outro dia se abrem doces e risonhas. Por fora. Mas continuam tristes e baldias. Por dentro. Apresso o passo, quero chegar logo em casa. Preciso dormir. Quando abro o portão, olho para as janelas da minha casa. Já sei que não vou dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-1597549130152672402?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/1597549130152672402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=1597549130152672402' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/1597549130152672402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/1597549130152672402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/04/solidao-das-estrelas.html' title='A solidão das estrelas'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-5744062849324318905</id><published>2009-03-29T12:30:00.006-03:00</published><updated>2009-04-22T08:49:22.333-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='virgindade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='midia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>A virgindade de Sandra</title><content type='html'>Sandra, uma jovem universitária de 19 anos não conseguia mais conviver com a sua virgindade. A cada segunda-feira ela inventava para as suas amigas, todas na faixa de 18-20 anos, histórias sensuais e sexuais, que vivera no final de semana.  As amigas ouviam entusiasmadas e logo contavam as suas aventuras e performances também. Sandra fantasiava, para não dizer mentia. Assim como as amigas acreditavam nela, ela também acreditava nas amigas.  Mas aquela situação lhe incomodava.  Na verdade, ser virgem não lhe incomodava, íntima e individualmente. Ser virgem lhe incomodava enquanto pessoa no mundo, isto é, enquanto pessoa em relação com o mundo que não era mais virgem, um mundo que não via mais na virgindade um valor; pelo contrário, um mundo que zombava da virgindade com frases do tipo “virgindade dá câncer” e “virgem, eu? Só no signo, graças a Deus”. Todo o domingo à noite, Sandra ao deitar ficava elucubrando as histórias que narraria no dia seguinte. Até que, em conversa com uma rara amiga conhecedora de seu “problema”, e que morava em outra cidade para estudar, resolvera armar um plano para acabar de vez com aquela situação. Sandra iria passar o final de semana com a amiga e na noite de sábado mesmo acabaria com aquela realidade, acabaria com a sua virgindade. E assim aconteceu. Lá foi ela para o apartamento da amiga. E na noite histórica de sábado, antes de deixarem o apartamento e irem pra balada, as duas arrumaram a cama com o melhor lençol, colocaram champagne na geladeira e deixaram de prontidão um cd de música suave. Só faltava escolher entre os desconhecidos que perambulavam pela noite, entre copos e olhares, aquele corpo que faria para sempre parte de sua vida e que ela, a poucas horas de um acontecimento tão marcante, desconhecia quem fosse.&lt;br /&gt;E assim se deu. Na descontração juvenil que reveste a noite, onde os corpos falam muito mais do que as falas, ou seja, onde o olho é muito mais importante do que o ouvido, e os hormônios valem muito mais do que os neurônios, encontrou um jovem bonito fisicamente, universitário como ela, e com algum assunto. Ficou com ele até certa hora e depois foram para o apartamento da amiga. Na segunda-feira, finalmente, ela pode contar uma história real, omitidos, claro, os detalhes da timidez, da insegurança e do desprazer.  Mas isso não importava. O que importava era que finalmente ela estava inserida no mundo, tal qual o mundo pedia. Como sujeito, ela se sujeitara ao mundo. E o que podia ser uma vivência rica em afeto e troca, ficou sendo um ritual de acasalamento para inserção social. &lt;br /&gt;A pergunta que fica: Sandra é dona do seu corpo? Ou antes: Sandra é dona dos seus pensamentos? Me assusta o modo fácil com que as pessoas  entram nas modas e modos impostos pelo mundo, sem a menor reflexão. Ainda mais nesses tempos da deusa Mídia. Minha avó casou virgem, passou a vida servindo o marido, a quem disse que aprendeu a amar, dormiu com esse único homem mais de 50 anos e jamais teve um orgasmo, que ela achava “isso de sexo uma nojeira e sem-vergonhice”. Morta há pouco, achava as jovens de hoje umas perdidas, que casavam por amor e separavam logo depois. Cada um é filho do seu tempo, sem dúvida. Ou vítima do seu tempo, melhor. Minha vó só estudou até a terceira série, porque mulher não precisava estudar. Seu irmão se formou em direito e foi grande advogado, porque era homem. E hoje, com toda a informação e a possibilidade de conhecimento dadas às mulheres, não consigo saber quem foi menos ela mesma, quem foi mais vítima do seu tempo, minha vó ou Sandra? Quem mais perdida, no sentido de viver a vida que o mundo manda e não a sua? Sei não, mas desconfio que Sandra  seja mais pobre diabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-5744062849324318905?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/5744062849324318905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=5744062849324318905' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5744062849324318905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5744062849324318905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/virgindade-de-sandra.html' title='A virgindade de Sandra'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-53322440945418075</id><published>2009-03-27T19:15:00.002-03:00</published><updated>2009-03-27T19:21:32.274-03:00</updated><title type='text'>A música do meu Brasil II</title><content type='html'>Continuando a mostrar um pouco da alma brasileira que fui descobrindo nesse meu andar por aí, aí está Waldonis, um sanfoneiro que merece ser ouvido e admirado. A música fala dessa outra cidade maravilhosa, que é Fortaleza, onde vivo e me encanto todos os dias com seu canto e seus cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WvOGMO29i-M&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/WvOGMO29i-M&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-53322440945418075?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/53322440945418075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=53322440945418075' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/53322440945418075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/53322440945418075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/musica-do-meu-brasil-ii.html' title='A música do meu Brasil II'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-735090690961444785</id><published>2009-03-26T16:08:00.002-03:00</published><updated>2009-04-08T14:23:59.214-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rotina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>A amada rotina (quem disse que ela atrapalha?)</title><content type='html'>As férias se foram e já voltamos todos ao normal, ao feijão com arroz do nosso dia-a-dia. Mesmo aqueles que não tiveram férias, de um modo ou de outro acabaram envolvidos pelo clima delas, pelo astral de verão. E tiveram suas rotinas alteradas. Agora é tudo de novo outra vez. O que não nos damos conta é que, na verdade verdadeira, apenas trocamos de rotina. Trocamos feijão com arroz por outro prato, mas também rotineiro, com raras exceções para quem sobe o Aconcágua, dá uma volta de bicicleta pelo continente, ou vai passar uma temporada em Nome, uma cidadezinha no fim do Alasca, já no Pólo Norte. De resto, o que mais acontece, é que trocamos nossa cidade por alguma outra, à beira-mar. Uma rotina por outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas suspiram, mergulhadas no seu mundo cotidiano: “não agüento mais essa rotina”. Uma frase já cimentada na nossa cultura é: “a rotina acaba como o casamento”. Nananina: agüentamos muito bem essa rotina. E mais: ela salva as nossas vidas. O que acaba com nossas vidas é a monotonia, isto é, quando a rotina se transforma em algo chato, pesado, sufocante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Façamos um teste. O que você faz logo que acorda? É rotina. Você já se deu conta de que se levanta e faz tudo sempre igual? E o banho? Primeiro lava isso, depois aquilo e vai lavando ... sempre na mesma seqüência. Na mesa em casa, você tem um lugar preferido, certo? Na sala, pra ver tv, idem, certo de novo? E para dormir, não tem um lado e um jeito preferidos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala de aula, o mesmo lugar. No bar, o mesmo lugar. Alias de preferência no mesmo bar. Para o supermercado vale a regra, porque não tem coisa que dê mas na paciência da gente, do que procurar o sabão em pó e não saber onde está, querer lâmpada e não encontrar nem o remarcador de preços para informar. E o seu prato de almoço/janta? Não me diga que um dia coloca o feijão embaixo do arroz, no outro o contrário e, no terceiro, o ovo vai para o subterrâneo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom do verão não é ficar na vagabundagem riscando a areia ou passando o dedo no copo suado de cerveja? Ou, ainda, ficar tomando uma rica duma caipirinha ao sair da água, bebendo junto as garotas da sukita que passam? Então? Rotina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom do inverno não é chocolate quente, cobertorzinho de orelha e filme daquele tipo que precisam dois para operar o dvd? Rotina da melhor qualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quando você namora está lá a velha e boa rotina. Ninguém agüenta ipsilone duplo e canguru perneta todo dia, ou toda noite. Aliás, como já escrevi aqui: o que torna o amor bonito, doce e até mesmo eterno, senão a rotina? A fogueira da paixão, com toda a sua excitação, mas também com toda a sua insegurança e incerteza, nos queima logo, se não se transforma num braseiro que aquece a rotina da relação. Remember Mario Quitana, também já citado: “Amizade é quando o silêncio não se torna incômodo. Amor é quando o silêncio se torna cômodo”. Amor e rotina andam juntos, não se iluda. Nós só existimos felizes da vida na rotina. Do contrário, a gente não suportaria a família, o emprego, o curso, a cidade, os amigos – tudo isso é o nosso cotidiano. Então, bem vindo a rotina do resto do ano. Sem monotonia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-735090690961444785?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/735090690961444785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=735090690961444785' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/735090690961444785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/735090690961444785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/amada-rotina-quem-disse-que-ela.html' title='A amada rotina (quem disse que ela atrapalha?)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-8638688704689973817</id><published>2009-03-23T14:51:00.003-03:00</published><updated>2009-04-22T08:50:48.477-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>A eleição da sua vida</title><content type='html'>Vivemos um tempo de eleições. Agora, nos Estados Unidos, recém tomou posse Barak Obama. Uma eleição impensável alguns anos atrás. Aqui já se fala na sucessão de Lula desde que ele assumiu o  segundo mandato. Na verdade, passamos a vida fazendo eleições. Elegemos uma profissão; uma cidade para morar, outra, ou outras, para passar as férias; elegemos amigos e elegemos amores. Fiquemos com esses últimos, por ora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi o seu grande amor? Ou quais foram seus grandes amores? Ele está com você ou está perdido na sua memória? Existe uma tendência a julgarmos o amor pela dor que ele gera. Isto é, quanto mais sofremos, pensamos que mais amamos. Impossível sermos diferentes. Fomos criados numa tradição cristã de séculos de crescimento pela dor, de amadurecimento pelo sofrimento. “É quebrando a cara que se aprende”, ouvimos e dizemos. "É preciso penar para se conseguir as coisas". A dor, enfim, é o parâmetro, no geral. No particular, no caso do amor, não é exceção. Já dizia Monsueto, num samba memorável, “mora na filosofia: pra que rimar amor e dor?”. Mas não é essa a rima certa: o que rima com dor é desamor. Infelizmente não existe um aparelinho chamado amorômetro. Mas medimos sempre a intensidade do amor pelo quanto sofremos. “Aquela mulher? Nossa, só eu sei quanto amei, o que eu sofri por ela”. “Aquele cara?, meu Deus, quase morri por ele”. É o que ouvimos e dizemos. Mas não pense que deva ser assim. Aliás, não é assim. Casos patológicos à parte, certamente a pessoa que está a seu lado há algum tempo, ou aquela com quem você ficou mais tempo, não era aquela com quem você mais brigou, ou por quem você mais sofreu, certo? E essa é, ou foi, por isso mesmo, aquela que você mais amou. Perguntado num programa de TV sobre o que era amar, um psicólogo que nem lembro o nome disse: amar é gostar de estar junto. Matou a charada. Amar é ficar junto feliz, mas é também ficar separado feliz, é ter a felicidade de uma individualidade a dois. Ficar do lado de quem faz a gente sofrer, chorar, ser infeliz, pode ser qualquer outra coisa, mas não amor. Um namoro sem brigas, um casamento sem desavenças (falo de coisa séria, não das pequenas e deliciosas chateações e bronquinhas do dia-a-dia) são, um e outro, grandes casos de amor, pode ter certeza. Sabe aquele delicioso ficar junto, cada um no seu mundo? Taí um grande amor. Sabe aquele passear de mãos dadas cada um vendo suas vitrines, suas flores, suas pessoas engraçadas? Que beleza de amor tão grande. Lembro de Mário Quintana: “Amizade é quando o silêncio não se torna incômodo; amor, é quando o silêncio se torna cômodo”. Então, olhe para quem está do seu lado, ou para quem esteve por mais tempo ali, e tenha certeza de que esse é um seu grande amor. Aquele amor que lhe fez mofar o travesseiro de tantas lágrimas, ou beber todo o bar da sua casa e mais o da esquina, que lhe amolecia as pernas e os neurônios, foi só amor que não deu certo, foi desamor. O que deu certo, o que dá certo, é o amor das flores roubadas, do escrever devagar I love you no guardanapo do restaurante, do brincar de trançar os dedos e fazer jogo do sério... vida a fora. O verdadeiro amorômetro é o dos dias de paz em frente à TV, é o das noites em que um lava e outro enxuga a louça ouvindo um cd novo, é o caminhar junto na beira da praia riscando a areia com os respectivos dedões, ou quando juntas duas almas se deliciam lendo Pessoa. Então, não meça seus amores pelas suas dores. O grande amor você conta pelos sorrisos, pela paz e pela doce rotina de estar com quem você gosta de estar. O grande amor é eleição que não se perde nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-8638688704689973817?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/8638688704689973817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=8638688704689973817' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8638688704689973817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/8638688704689973817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/eleicao-da-sua-vida.html' title='A eleição da sua vida'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4914756643988121896</id><published>2009-03-22T23:41:00.005-03:00</published><updated>2009-03-23T10:02:40.789-03:00</updated><title type='text'>A música do meu Brasil</title><content type='html'>Começo essa série de postagens da música do meu país com Genésio Tocantins, um camarada que o Brasil devia conhecer mais,um dos grandes artistas desta terra. Aliás, ele é de um estado, que tá no seu nome, e que devíamos também conhecer melhor. Dos lugares por onde andei e vivi, esse é o mais mágico,o mais fraterno e o mais acolhedor. Abraço Genésio; abraço meus alunos, meu povo sensível, sofrido e lindo do Tocantins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    &lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aoZoeGisffk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/aoZoeGisffk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4914756643988121896?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4914756643988121896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4914756643988121896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4914756643988121896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4914756643988121896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/cultura-da-minha-terra.html' title='A música do meu Brasil'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-5203245197502670700</id><published>2009-03-17T14:06:00.007-03:00</published><updated>2009-04-08T14:25:38.901-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='midia'/><title type='text'>O ódio à Luizianne e Clodovil - divulgar ou não?</title><content type='html'>Uma vez, sexta-feira à noite, eu estava em aula quando uma moça chegou à porta. Fui atendê-la, pensando que buscava alguma irmã ou amiga. Não. Ela perguntou pelo marido dela. Disse o nome, eu fui na lista de chamada e conferi: o camarada nunca tinha aparecido nas aulas de sexta. Eu voltei e disse pra ela: “olha, ele nunca veio nesse dia”. Ela abaixou a cabeça, num misto de dor e humilhação que me fez me odiar por ter dito a verdade. Não quero aqui filosofar sobre a verdade, mas a verdade é que nem sempre ela cabe. Nesse caso, é óbvio. Bastava eu dizer que o marido não estava. Pronto, era verdade também. O que nos mostra que a verdade nunca é uma só, e que não existe em estado “puro”. É aquela velha história: a única verdade é que a verdade não existe.&lt;br /&gt;A partir desse episódio em sala, criei um novo verbo – omintir. Aquela frase que não é dita todinha como podia, aquela informação que não é dada na completude, deliberadamente - um mix de omissão e mentira. Nem totalmente falso, nem iluminadamente verdadeiro. Penso que somos todos assim mesmo, pessoas, entidades, coisas. O jornalismo também.&lt;br /&gt;Acho descabida, exagerada a postura de alguns jornais na web, que colocam comentários de leitores, não só cheios de erros de português, como ofensivos. O jornal &lt;em&gt;O Povo&lt;/em&gt; colocando &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; comentários grosseiros, raivosos, contra a prefeita Luizianne Lins, que estava internada em UTI no final de semana, comete uma insensibilidade, pra ficar no mínimo. Foram poucos comentários, no geral. Mas os odiosos se destacavam. Coisas desse tipo:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Crise de hipertensão? Deve-se, com certeza, ao seu empenho em transformar Fortaleza na capital mais abandonada do país!!!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esse diabo já vai é tarde, cade que vaca louca vai para o IJF? Que tal o Frotinha de Messejana ; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou esse terrível:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sai uma loura gelada&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não ficar só com &lt;em&gt;O Povo&lt;/em&gt;, fui buscar no &lt;em&gt;G1&lt;/em&gt; (da Globo) os comentários sobre a internação do costureiro e deputado federal eleito com 500 mil votos em São Paulo, Clodovil Hernandes. Dos 113 que estavam sob a notícia “Clodovil caiu depois de sofrer um AVC, segundo médicos”, apenas três são ofensivos, mas como são! Os dois menores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Que pena! poderia ter sido Infarto fulminante!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; esse palhaço teve o q merece &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não sei como funciona isso nos jornais na internet, mas dá pra ver que, na verdade, não funciona. Quem tocou as teclas com tamanha raiva e desumanidade não ofendeu Luizianne ou Clodovil. Ofendeu o leitor. E não deveria estar ali. A mídia não precisa disso em nome da interatividade, ou mesmo da pobre verdade. Até hoje me incomoda ter dito àquela jovem esposa, que seu marido nunca ia à aula nas sextas. Era só uma parte da verdade que não cabia a mim contar. Não assim, não ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-5203245197502670700?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/5203245197502670700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=5203245197502670700' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5203245197502670700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/5203245197502670700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/o-odio-luizianne-e-clodovil-divulgar-ou.html' title='O ódio à Luizianne e Clodovil - divulgar ou não?'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2238245674894948385</id><published>2009-03-17T10:08:00.002-03:00</published><updated>2009-04-08T14:26:33.316-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='iso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>A faculdade que forma 'universotários" - 1ª parte</title><content type='html'>Cada um de nós tem doses variáveis de talento, técnica e criatividade. No futebol, como na vida, essa combinação em alta dosagem só acontece nas exceções que forjam os excepcionalmente bons no que fazem, e alguns gênios. Senão vejamos. Costureiras, existem muitas. Boas costureiras, poucas. Costureiras maravilhosas, raríssimas. O mesmo vale para cabeleireiros, padeiros, médicos, padres, professores… Luiz Fernando Veríssimo disse algo mais ou menos assim, falando do jornalista: “Com técnica, não morre de fome, com técnica e talento até ganha dinheiro”.&lt;br /&gt;É preciso distinguir talento de criatividade. São próximos, mas não a mesma coisa. Em alguns casos até se confundem. O talento está mais para um dom, aquela coisa que uma pessoa tem e pronto, e que ela pode ou não usar. Algumas pessoas têm um talento bárbaro para desenhar… e não desenham. No caso da costureira, a técnica com que ela manipula a tesoura, mais o talento para provar e fazer daquele pedaço de pano uma coisa bonita em alguém, fazem a diferença. Mas será a criatividade que a transformará numa Coco Chanel. Ou melhor, será a soma dos três .&lt;br /&gt;Talento não se adquire, se tem. Criatividade todos tem, mas se adquire mais, se desenvolve. E técnica só se adquire. Juntando os três, dá nisso: Beethoven, Pelé e companhia limitadíssima. Priorizando ou o talento ou a criatividade, caminha-se por um mundo mais bonito, melhor. Priorizando a técnica, como hoje, caminha-se por um mundo que se faz sem graça, que se faz frio, cada vez menos humano. Um mundo voltado para a técnica de fazer amor e que de amor não fala e que amor, mesmo, não faz. Eis um de nossos erros basilares, enquanto civilização nos últimos séculos. As empresas aplicam as técnicas de reengenharia, dos isos, da qualidade total, do planejamento estratégico… e esquecem das pessoas. E esquecem que as pessoas gostam de carinho, que qualidade total mesmo é ouvir um “bom-dia” alegre, que realmente queira dizer bom-dia; que planejamento estratégico que funciona mesmo é aquele que prevê e provisiona doses diárias de beleza, de emoção, de humanidade enfim, nesse mundo de telas, celulares, competências; nesse mundo de tanto &lt;em&gt;iso&lt;/em&gt; e pouco riso, tanto aquilo e tão pouco isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2238245674894948385?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2238245674894948385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2238245674894948385' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2238245674894948385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2238245674894948385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/faculdade-que-forma-universotarios-1.html' title='A faculdade que forma &apos;universotários&quot; - 1ª parte'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-3847975714200296935</id><published>2009-03-17T10:02:00.004-03:00</published><updated>2009-04-08T14:27:06.392-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='iso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>A faculdade que forma 'universotários' (final)</title><content type='html'>As universidades, cada vez mais, refletem essa verdade crua do mundo-mercado e cada vez mais, como disse Ciro Marcondes Filho, tendem para o ensino técnico-prático, formando “cada vez mais competências para repassar saberes específicos e formados à la carte, tornando os professores meros instrutores da operacionalidade técnica”.&lt;br /&gt;Nossas faculdades são cada vez mais profissionalizantes. Jornalismo, Administração de Empresas, Direito, cada vez mais são cursos técnicos, como Contábeis, Sistemas de Informação, Engenharia… Cursos superiores? Acho um deboche à cultura que a humanidade começou a construir desde 450 a. C. com os gregos, chamar esses cursos todos e todos os outros não citados, de superiores. Superiores a quê? em quê? Ensinam, no máximo, um fazer, uma técnica. Nunca um pensar o fazer. O ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, seu atual vice, e também da Academia Nacional de Economia, Antônio Lopes de Sá, perguntado sobre o principal problema dos cursos de Ciências Contábeis, disse: “falta filosofia, psicologia, tem contabilidade demais e cultura de menos”. Lopes de Sá é doutor em Contábeis e doutor em Letras pela London University. Falta pensamento nos nossos cursos, isso que nos faz diferentes das outras espécies, ou pelo menos vinha fazendo nesses últimos séculos. Falta também emoção, falta afetividade nas nossas salas de aula. É claro que isso não falta só na universidade, falta em todas as salas de aula, com exceção das do prezinho. Aliás, já chamamos afetuosamente prezinho, porque ele vem antes da sala de aula propriamente dita, aterradora, castradora. Como lembrou Rubem Alves, estranho que nessa fase do prezinho, as crianças queiram ir para a aula e depois isso se transforma numa coisa enfadonha, triste mesmo. O sociólogo Francisco de Oliveira, tempera esse papo dizendo que “quando uma criança tem medo e não consegue dormir no escuro, nós devemos ir lá e acender a luz”. Nas nossas salas de aula de hoje o ar condicionado está ligado, mas as luzes estão apagadas e nós, professores, não sabemos onde está o interruptor, porque nunca nos disseram e tampouco fomos ensinados a procurar. Podemos até ter a técnica de uma boa aula, dominarmos o &lt;em&gt;power point&lt;/em&gt;, mas não nos falaram sobre emoção, fraternidade. E sem isso não existe talento, não existe criatividade. Sem amor ninguém desperta. Na porrada, na cobrança, na competição, no máximo, se assusta. Basta ver a cara de espanto dos jovens tendo que fazer uma faculdade pra não terem futuro nenhum, ou na melhor das hipóteses, ter algum. São empurrados para um tal de empreendedorismo sonhando com concurso público, a única tábua para se agarrar nesse mar de desamor e insegurança. Aristóteles, no Primeiro Livro da Metafísica faz a distinção entre a técnica e saber. A técnica “é o conhecimento do profissional, é o saber fazer baseado na experiência (…) mas não um saber das razões e das causas do que acontece. Esse é o verdadeiro saber”, como explica o semiótico português António Fidalgo. A universidade está subserviente demais. “Diz-me, ó mercado, que tipo de formando quereis e eu te darei”. E Ele - o novo Deus - responde: “Quero gente fria, que saiba fazer e não pense muito, quero gente-máquina, gente técnica que baixe a cabeça e produza e não ouse olhar o resto de nuvem que passeia pelo céu, gente que só pense em comprar uma calça nova, um carro novo, no final do mês”. E o pior - ou melhor de tudo, dependendo do lado que se olha a coisa – é ver que os universitários querem é esse ensino mesmo, embotados que já foram. Talvez seja melhor chamá-los não de “universitários”, mas como Sérgio Augusto em artigo na Bravo, de “universotários”. A universidade cada vez forma mais gente só para produzir e consumir, enfim, viver como máquina. E produzir se conseguir emprego. E consumir se tiver renda. Sonhar, ousar, mudar, isso nunca. Aliás, sonho nesse mundo, só os que a mídia cria, de preferência de consumo. A técnica venceu. O talento e a criatividade perderam. A inteligência e a sensibilidade também. O homem perdeu. O futebol, pelo menos dentro do campo ainda é prova e mostra, de que com talento é muito mais gostoso, é muito mais bonito. É como o sexo com amor. Não há&lt;em&gt; iso&lt;/em&gt;, reengenharia, ou coisa que o valha, capaz de criar a emoção dos jogadores se abraçando depois do gol, ou a sensação de um abraço, depois do sexo com amor, ou a beleza de um verso de Pessoa, ou ainda a gratidão alegre por uma mão pousada no ombro em meio ao turbilhão desumano que o ser humano criou no trabalho, nas salas de aula, nos shoppings…. Essas são coisas do outro mundo, não desse mundo técnico-tecnológico, que coloca ferro nos dentes pro sorriso ficar bonito, mas não ensina nem diz do que rir.&lt;br /&gt;A técnica venceu. E o homem pensa que está ganhando o jogo. Ele está qualquer coisa, menos &lt;em&gt;iso.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-3847975714200296935?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/3847975714200296935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=3847975714200296935' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3847975714200296935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/3847975714200296935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2009/03/final-faculdade-que-forma.html' title='A faculdade que forma &apos;universotários&apos; (final)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-4250926086789591956</id><published>2008-11-25T17:23:00.002-03:00</published><updated>2009-04-08T14:28:23.126-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fim do livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tecnologia'/><title type='text'>Terminou a Bienal do Livro. Quando acaba o livro?</title><content type='html'>Terminou a Bienal do Livro em Fortaleza. Na outra semana encerrara a Feira do Livro de Porto Alegre. E sempre que se fala a sério sobre livro, hoje, não se pode deixar de lado a questão do futuro dele e, conseqüentemente, o futuro das feiras e bienais do setor livreiro. Recentemente estive em Rio Branco, no Acre, para  um congresso e numa mesa  redonda onde eu estava, surgiu o papo do fim do jornal impresso (era um encontro sobre jornalismo na UFAC – Universidade Federal do Acre). Como eu acredito no fim do jornal impresso e vejo até pontos positivos nisso, tive uma pequena polêmica com os que não aceitam e/ou não acreditam nisso, e daí, também no fim do livro. Aqui, quero aproveitar o lançamento durante a Feira de Porto Alegre da primeira editora exclusivamente digital do Brasil – a Plus -, para reproduzir um texto feito sobre ela e a questão do  livro, e provocar reflexões. O texto eu capturei  do  blog de Carlos  Augusto Brum,  no jornal Zero Hora, e vale a pena conferir aí embaixo na íntegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“NA Feira do Livro vai se encaminhando para seu final - hoje é sexta-feira, domingo acaba, e agora já nos vemos correndo até as bancas tentando abocanhar os últimos exemplares dos amigos que nos acompanharão até a 55ª. Não há momento mais pertinente do que esse para pensarmos no futuro da Feira - e não o futuro imediato, mas no longínquo.&lt;br /&gt;Nessa quarta-feira assisti à palestra “The book was on the table”, que comemorava o lançamento da Editora Plus (&lt;a href="http://editoraplus.org/" target="_blank"&gt;clique aqui para ver o site&lt;/a&gt;), a primeira editora puramente digital do Brasil. Para explicar melhor, Juremir Machado da Silva, Marcelo Träsel e Francisco Menezes Martins discutiram sobre o possível futuro do livro impresso, e como isso afeta o maior evento editorial do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;Para Menezes, o próprio título da palestra já diz bastante: é uma paródia da frase “o livro está sobre a mesa” – o “the book is on the table” usada como bê-á-bá do ensinamento do inglês faz séculos – e o transforma naquilo que a editora aposta: "o livro estava na mesa, mas agora saiu de lá e está dentro do notebook. O notebook, por sua vez, não está necessariamente na mesa, mas em qualquer lugar", explica. É aquilo que Träsel chama de “virtualização do livro”, onde o conhecimento pára de ser reconhecido apenas no papel e toma uma forma mais fácil de divulgar. Afinal, o papel não é apenas ecologicamente incorreto – ele também é pesado, difícil de transportar, suja, estraga, é difícil de pesquisar, ocupa espaço... Enquanto você pode levar para ler no veraneio três livros na sua maleta, você pode levar três mil livros no seu iPod. Olhando por esse lado, realmente, os e-books ganham dos tradicionais livros, ao menos na logística.&lt;br /&gt;Träsel explica que o mundo já está ao nosso alcance através de uma tela, mas algumas pessoas não gostam. Os últimos preconceitos do consumidor, porém, devem sumir: eventualmente serão eliminados os problemas fisiológicos, participativos e distributivos. O problema fisiológico é que ler no computador cansa – afinal, a tela emite luz, enquanto o papel reflete luz. Porém, já existem nos Estados Unidos telas com a capacidade de agredir o olho humano tão pouco quanto uma folha de papel – o que resolve o problema. O problema participativo é aquele “mas eu gosto de ter livro para poder riscar”. Quando a tecnologia do livro como bytes for implementada, os leitores serão também editores, e você poderá riscar e anotar tanto quanto em uma folha. O último problema, o problema distributivo, também promete sumir – e sumirá quando a conexão wireless estiver distribuída em toda cidade. Quando esses três últimos problemas sumirem, Träsel acredita que o papel deixará de ser importante.&lt;br /&gt;Juremir Machado, porém, vai mais longe: o papel não apenas perderá sua importância, mas ele será tão perseguido quanto o tabagismo é hoje em dia. O papel sumirá, disso não se duvida – "hoje discutir com os defensores do papel é como discutir com os homens da caverna que preferem pedra", disse o jornalista-professor-escritor. Juremir fala de algo que sabe – afinal, ele vê a diferença entre o Jornal Impresso da FAMECOS e o Jornal Digital da FAMECOS. O primeiro só ocupa espaço, dá trabalho e gasta dinheiro, enquanto o segundo é mais versátil, abrangente e fácil de fazer. "Fazer uma enciclopédia hoje é burrice, por exemplo. Por que alguém vai querer imprimir a Wikipedia?", explica: "A PUCRS agora decidiu que vai imprimir todos os documentos da Revolução Farroupilha. Não sei porquê! Seria melhor ficar digital mesmo. Imagine eu, querendo fazer uma pesquisa sobre as ocorrências de negros na Revolução. Eu posso ir lá nos documentos impressos, ler, ler, ler tudo, e anotar ocorrência por ocorrência. Ou eu posso olhar o digital, clicar em ‘buscar’ e ver automaticamente quantas vezes ocorre a palavra ‘negro’ no documento. Qual é mais fácil, prático e eficiente? Em qual dos dois não há margem para o erro?"&lt;br /&gt;Juremir, Träsel e Menezes ainda discutiram sobre as possibilidades de lucro em tal negócio, mas sem apontarem uma boa resposta: nesse ponto o negócio ainda engatinha. Juremir apontou a eventual mudança da figura do escritor, que deixará de viver pela venda dos livros e começará a viver do lucro dos 'shows' e participações que realiza – algo como os músicos fazem hoje com o advento do Mp3. É um mercado em mutação, que precisa ser acompanhado.&lt;br /&gt;Pessoalmente, me senti em uma palestra de vanguarda. Escutei com atenção e absorvi o quanto pude, achando tudo muito interessante e novo – senti-me como um homem que, cansado de andar de cavalo, ouve Henry Ford falar em 1905 sobre um tal de ‘automóvel’ e acha o máximo. Fiquei realmente fascinado pela possibilidade da informação circular de tal maneira tão leve e contagiosa. Seria uma honra viver para ver um mundo tão fluído e informado.&lt;br /&gt;Porém, minha opinião sobre o futuro é a mesma de sempre: não cabe a nós dizer. Hoje em dia, por exemplo, é dificílimo encontrar alguém jovem que prefira a maquina de escrever ao computador – quase toda geração atual nasceu com um mouse na mão, e não faz idéia de como colocar uma fita numa máquina de escrever. Apenas a geração seguinte (formada por esses fedelhos aí) poderá dizer o que farão do papel, da informação, da impressão, da comunicação. Esses já nasceram mexendo no Google e sabem HTML, então o mundo-que-aí-vem é mais deles do que nosso.&lt;br /&gt;Ano passado, na 54ª Feira do Livro, eu assisti a uma palestra sobre o rádio, onde Jaime Copstein contou uma história: “quando eu era bem pequeno, achei a máquina de escrever do meu avô. Nunca tinha visto antes, e muito menos tocado – era uma novidade. Vi que o vô não tava perto e fui usá-la. Procurei o J. Achei o J. Cliquei no J. Procurei o A. Achei o A. Cliquei no A. Quando fui procurar o I, meu avô entrou na sala, furioso: ‘Jaime, guri! Sai de perto dessa máquina de escrever!’ e eu, sem entender nada, quis saber o porquê: ‘se tu escrever na máquina vai estragar a tua caligrafia!’. O medo dele era que teclar fosse estragar minha letra escrita à mão. Hoje sabemos que isso é um medo infundado. Quando vejo um jornalista velho como eu reclamar dos novos e rápidos meios de comunicação – que eu não entendo nada –, vejo novamente meu vô me correndo da máquina de escrever pra não estragar minha caligrafia. Jovens, façam o que vocês acharem melhor, o mundo é de vocês.”&lt;br /&gt;A Editora Plus é a primeira editora puramente digital do Brasil. Como Juremir Machado disse, "espero poder estar na comemoração de 100 anos da Editora Plus". Porém, o fracasso ou o sucesso da Editora Plus certamente não representarão plenamente o fracasso ou o sucesso desse novo advento do conhecimento, mas sua existência já é um sinal da possibilidade de mudar, de avançar, de evoluir. E isso é, no mínimo, excitante.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-4250926086789591956?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/4250926086789591956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=4250926086789591956' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4250926086789591956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/4250926086789591956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2008/11/terminou-bienal-do-livro-quando-acaba-o.html' title='Terminou a Bienal do Livro. Quando acaba o livro?'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-903580567060300399.post-2691892785982876493</id><published>2008-11-21T15:18:00.006-03:00</published><updated>2009-04-08T14:29:33.809-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='publicidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='midia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>mulher em pose vulgar vende bolsa pra mulher (?)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rTDyImJ2u0Q/SScBTctKJBI/AAAAAAAAABQ/NUippkeo6lE/s1600-h/topcouros.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271183322495198226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_rTDyImJ2u0Q/SScBTctKJBI/AAAAAAAAABQ/NUippkeo6lE/s320/topcouros.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Andar pela cidade é ser atingido por algumas das mais belas mulheres que a natureza produziu e que a publicidade tratou de selecionar para ajudar a vender seus produtos. Que a mulher é excelente vendedora não é novidade. Compradora, também. Mas nesse mar de outdoors em que o capitalismo nos mergulha e, que, pela saturação de tantas imagens a gente quase nem percebe nada, algumas peças acabam chamando a atenção. Mais pelo mau gosto do que pelas qualidades. O anúncio da Top Couros é um deles. Tão feio, tão vulgar, que perguntar carece: será que alguma mulher se motiva a comprar aquela bolsa, ou outra bolsa da mesma marca? Porque vejamos, o que acontece na publicidade de gênero, no caso a voltada para a mulher, é um processo de identificação, ou projeção. Quer dizer, a mulher se vê naquela mulher da propaganda. Diferente da mulher usada em um comercial de carro dirigido para um público masculino e que faz com que o homem queira aquele carro porque junto vem aquela mulher, ou as outras mulheres que se encantarão com o carro dele, e, por tabela, com ele. Porque a potência do carro é a potência dele. O preço do carro é o dinheiro que ele tem.&lt;br /&gt;Bem, mas então a pergunta é: as mulheres que vêem uma propaganda como essa da Top Couros, se identificam com aquela pose? Querem ser aquela modelo? Vão comprar aquela bolsa?&lt;br /&gt;Lipovestky diz no livro A terceira mulher que a mulher do século XXI está mais na dela do que na dos homens, quer dizer, ela busca nas roupas e acessórios muito mais uma coisa, um sentimento, para-a-moda do que um para-o-desejo- masculino. Isto é, hoje, a mulher busca a beleza mais para satisfazer a si mesma. Primeiro, bonita e gostosa para ela mesma. Depois, para as outras mulheres, eternas e odiosas concorrentes; depois, para os pobres homens. Pobres homens que querem ser ricos para comprar os carros das propagandas e assim comprar as mulheres, transferindo a potência de motores medidos em cavalos para os seus frágeis e tímidos pintos.&lt;br /&gt;Lembram quando a Juliana Paes surgiu bem mais magra para a gritaria indignada dos machos? Ela disse que não queria ser a gostosona, que se gostava magra; ela se fez magra para ela e para as outras mulheres. Porque todas querem ser mais magras. Como disse o Jô Soares, todas (que estão ótimas) querem perder dois quilos. Quem ama a Gisele Bündchen são as mulheres. Homens amam mulheres-melancias, mulheres-melões, mulheres-qualquer-coisa-com-sustância.&lt;br /&gt;Lipovestky diz em outro trecho que “... a manequim, com suas linhas ‘cabide’ é um espetáculo destinado a seduzir prioritariamente as mulheres... São elas e não mais os homens que, em nossas sociedades, constituem o público mais atento às figuras emblemáticas da sedução feminina”. Com a manequim afirmam-se valores, critérios de beleza que estão muito distantes do mundo masculino, muito longe da visão do homem do que é ser uma mulher sedutora. Para Lipovetsky “é um reconhecimento do ponto de vista das mulheres”.&lt;br /&gt;Essa mudança toda se deu na conseqüência lógica de uma sociedade de consumo cada vez mais centrada no lazer, no prazer, na individualidade. A nova cultura “desvalorizou um modelo de vida feminina mais voltada para a família do que para si mesma, legitimou os desejos de viver mais para si e por si”. A mulher vai para o trabalho, conquista sua individualidade, constrói seu prazer. E aqui não estou julgando se isso é bom ou ruim, ou o que isso tem de bom e de ruim.&lt;br /&gt;Se é assim como Lipovestsky nos coloca, então a campanha da Top Couros está completamente equivocada. Colocando uma mulher, e uma mulher coxudona, gostosona, de pernas abertas numa posição vulgar - não seria mesmo vulvar? – o outdoor atrai quem? O modelo de modelo das mulheres não é esse. A pose “sedutora” não provoca a identificação feminina, porque elas querem se ver elegantes, charmosas, independentes e não esse tanto de vulgar e, indiretamente, falando aos homens. Já esses olham e gostam, claro, chegados que são - somos - num escracho e numa baixaria.&lt;br /&gt;Donde concluir: publicitários, alunos de publicidade, estudai mais a sociologia, a antropologia da coisa. Olhai o mundo em que vivem, mas com olhos de quem o vê pela primeira vez. Sabe aquela disciplina chamada Semiótica? Pois é, o mundo, no caso as mulheres, falam e vocês não estão sabendo ler. Pelo menos os que fizeram esse anúncio. Como bem colocou nosso guru Mcluhan, seguimos para o futuro olhando pelo espelho retrovisor. As mulheres mudaram, meus caros, e vocês não sacaram. Se nem as propagandas de calcinhas e sutiãs apelam mais para esse lado sedutor e falam de conforto, beleza e liberdade para a mulher, uma publicidade de bolsa vai fazer isso de colocar a coitada da modelo lá de pernas abertas numa angulação até difícil, para seduzir a mulherada a comprar? Sem falar na cara da modelo – uma expressão séria, quase carrancuda, que não combina com a oferta insinuada pela tal abertura.&lt;br /&gt;Mas aqui falando apenas como homem que anda pela cidade e encara aquele mulherão de pernas abertas de frente pra mim, mesmo com cara de raros amigos - ao invés de 'caros amigos' -, só posso dizer: let it be. Sem devaneios e vendo por uma ótica exclusiva e absolutamente masculina, digo: mandem logo outro outdoor tão ruim, tão deliciosamente ruim quanto esse. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine meu blog aqui&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/903580567060300399-2691892785982876493?l=lgcapaverde.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/feeds/2691892785982876493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=903580567060300399&amp;postID=2691892785982876493' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2691892785982876493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/903580567060300399/posts/default/2691892785982876493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lgcapaverde.blogspot.com/2008/11/mulher-de-perna-aberta-vende-bolsa-pra.html' title='mulher em pose vulgar vende bolsa pra mulher (?)'/><author><name>luiz gonzaga capaverde</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03941242832311723084</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rTDyImJ2u0Q/SScBTctKJBI/AAAAAAAAABQ/NUippkeo6lE/s72-c/topcouros.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
