domingo, 3 de abril de 2016
sábado, 2 de abril de 2016
PEDIDO DE CASAMENTO
quero pedir teu consentimento
pra oficiar um casamento:
você aceita viver eternamente
no meu pensamento?
prometo honrar sempre
o mais puro sentimento
tem compromisso algum da tua parte
só q eu preciso de ti em mim
simples assim.
MÃO
Pra quem tomou café na cama
com quem ama
já teve o melhor da semana.
Pra imensa maioria
que não
tem todo dia
pra estender a mão
MOEDA
O amor pode ser uma esquina
onde dobramos pro nada
pode ser uma neblina
q ofusca por um tempo
e aí logo logo vem o sol
e ilumina cada momento
jogue a moeda pra cima.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
BORA FAZER BESTEIRA
A gente se ama
e reclama
acho q perdemos a cabeça
esqueça
mas não é assim quando o
coração
assume o comando?
ou o desmando,
sei lá...
tanta gente reclama
ter com quem conjugar
o verbo amar!
bora ser feliz!
bora brigar!
que a gente se ama
bora pra cama!
que a gente se ama
bora chafurdar na lama!
e rir do mundo
imensamente imundo
vamos fazer sujeira
vamos fazer besteira
q nisso somos doutores
bora quebrar a casa!
bora quebrar a cara!
bora quebrar a cama!
porque a gente se ama
e reclama
de coração cheio.
quinta-feira, 31 de março de 2016
PRU ZÉ
sentado na calçada
vê quase nada
deitado na rede
olha parede
no ouvido
pouco sentido
que tanta batalha vencida
nessa guerra pela vida
que tanto mais lhe diz não
mas resiste o coração
vencer na vida é vencer a sorte
é vencer a morte
e vencer a morte ele sabe como é
porque ele é Zé
já venceu tantas vezes
q a própria morte pede arrego!
vê quase nada
deitado na rede
olha parede
no ouvido
pouco sentido
que tanta batalha vencida
nessa guerra pela vida
que tanto mais lhe diz não
mas resiste o coração
vencer na vida é vencer a sorte
é vencer a morte
e vencer a morte ele sabe como é
porque ele é Zé
já venceu tantas vezes
q a própria morte pede arrego!
Ele não pode ser o pai q queria. Não pode ser o esposo que queria. Não pode ser o chefe de família q queria. Ele não pode ir trabalhar todo dia. Ele não teve nem o direito de sonhar, a não ser o sonho de viver cada dia. Porque todo dia ele tinha que vencer a vida, derrotar a morte.
Quem passa por aquela casa simples de uma rua da periferia, uma casa como todas da periferia, com obras sempre por fazer, aquelas paredes sem reboco, e que lembram a canção de Vinícius Moraes: "são casas simples com cadeiras na calçada, e na fachada escrito em cima q é um lar”; quem passa por aquela casa simples de uma rua da periferia, vê todos os dias, por horas e horas aquele homem sentado ali contemplando a vida q passa e a paisagem humilde. O nome dele é Zé.
Ar cansado, vista fraca, ouvido mouco, corpo roto, um celularzinho pré-histórico, elo com o mundo, q dentro do ouvido ele ouve... Quem passa ali não sabe nada daquela vida. É apenas um velho sentado na calçada. Mas nós somos asssim mesmo, passamos pela vida e esquecemos de olhar a vida, as vezes até esquecemos de vivê-la, é ela q passa por nós. Mas se alguém sentasse com Zé, e ouvisse sua história... ah, quanta coisa saberia e aprenderia. Saberia que ali não está um derrotado, pobre velho cansado, sentado numa calçada na periferia, olhando a vida passar. Ali está um vencedor. Saberia q há uma grande diferença em vencer na vida e vencer a vida. E saberia q Zé venceu as duas. Saberia, sabendo a história de Zé, q vencer na vida não é ganhar dinheiro, ter sucesso. Vencer na vida é construir laços, preservar raízes, origens, ser digno, ser querido, ter uma família onde o amor e a luta (pela vida e pela união) dizem presente todo dia. Vencer na vida não é bater continência pro sistema, pra fila do banco (porque tem dinheiro lá), pro engarrafamento (porque tem carro ali), enfim, vencer na vida é o q Zé fez, apesar de toda roda viva q viveu e vive. E saberia q vencer a vida é ainda mais importante. Porque ela te desafia todo dia, e esse desafio é a morte. Vencer a vida é uma metáfora para o vencer a morte. Porque sabemos que death always wins, ou se preferirem Mors omni aetate communis est (a morte não poupa ninguém).
Quantas vezes por dia vc escapa de morrer? Na verdade, vencer a vida é derrotar a morte todo dia, ou melhor, adiá-la. E Zé já recebeu tantas vezes essa visita na sala de espera do seu coração, q ela cansou de esperar e entrou na fila de novo e de novo e de novo.
Ele não pode ser o pai q queria. Não pode ser o esposo que queria. Não pode ser o chefe de família q queria. Ele não pode ir trabalhar todo dia. Ele não teve nem o direito de sonhar, a não ser o sonho de viver cada dia. Porque todo dia ele tinha que vencer a vida, derrotar a morte.
Mas se alguém sentasse com Zé, naquela calçada, aprenderia q está diante de um vencedor. Quase cego, quase surdo, cardíaco, transplantado e ali, vivo, vendo a vida dos outros, q não teve. E não pense q ele é amargurado, infeliz. Uma festa em família se divide em uma festa com Zé, outra sem Zé. Como disse Shinyashiki “o sucesso é ser feliz”. E Zé do jeito dele é feliz, porque está vivo, e isso é uma celebração no seu cansado coração. Ele bate na cara de todos nós, q só nos queixamos e reclamamos da vida dura. Vida dura foi e é a de Zé. Aquele homem de ar cansado, vista fraca, ouvido mouco, corpo roto, é um canto à vida, naquele canto do mundo. Zé vencedor.
Ar cansado, vista fraca, ouvido mouco, corpo roto, um celularzinho pré-histórico, elo com o mundo, q dentro do ouvido ele ouve... Quem passa ali não sabe nada daquela vida. É apenas um velho sentado na calçada. Mas nós somos asssim mesmo, passamos pela vida e esquecemos de olhar a vida, as vezes até esquecemos de vivê-la, é ela q passa por nós. Mas se alguém sentasse com Zé, e ouvisse sua história... ah, quanta coisa saberia e aprenderia. Saberia que ali não está um derrotado, pobre velho cansado, sentado numa calçada na periferia, olhando a vida passar. Ali está um vencedor. Saberia q há uma grande diferença em vencer na vida e vencer a vida. E saberia q Zé venceu as duas. Saberia, sabendo a história de Zé, q vencer na vida não é ganhar dinheiro, ter sucesso. Vencer na vida é construir laços, preservar raízes, origens, ser digno, ser querido, ter uma família onde o amor e a luta (pela vida e pela união) dizem presente todo dia. Vencer na vida não é bater continência pro sistema, pra fila do banco (porque tem dinheiro lá), pro engarrafamento (porque tem carro ali), enfim, vencer na vida é o q Zé fez, apesar de toda roda viva q viveu e vive. E saberia q vencer a vida é ainda mais importante. Porque ela te desafia todo dia, e esse desafio é a morte. Vencer a vida é uma metáfora para o vencer a morte. Porque sabemos que death always wins, ou se preferirem Mors omni aetate communis est (a morte não poupa ninguém).
Quantas vezes por dia vc escapa de morrer? Na verdade, vencer a vida é derrotar a morte todo dia, ou melhor, adiá-la. E Zé já recebeu tantas vezes essa visita na sala de espera do seu coração, q ela cansou de esperar e entrou na fila de novo e de novo e de novo.
Ele não pode ser o pai q queria. Não pode ser o esposo que queria. Não pode ser o chefe de família q queria. Ele não pode ir trabalhar todo dia. Ele não teve nem o direito de sonhar, a não ser o sonho de viver cada dia. Porque todo dia ele tinha que vencer a vida, derrotar a morte.
Mas se alguém sentasse com Zé, naquela calçada, aprenderia q está diante de um vencedor. Quase cego, quase surdo, cardíaco, transplantado e ali, vivo, vendo a vida dos outros, q não teve. E não pense q ele é amargurado, infeliz. Uma festa em família se divide em uma festa com Zé, outra sem Zé. Como disse Shinyashiki “o sucesso é ser feliz”. E Zé do jeito dele é feliz, porque está vivo, e isso é uma celebração no seu cansado coração. Ele bate na cara de todos nós, q só nos queixamos e reclamamos da vida dura. Vida dura foi e é a de Zé. Aquele homem de ar cansado, vista fraca, ouvido mouco, corpo roto, é um canto à vida, naquele canto do mundo. Zé vencedor.
quarta-feira, 30 de março de 2016
QUERO UMA MULHER
Quero uma mulher que adore surpresas tolas, como escrever ‘eu te amo’ com papel picado no console do carro, enquanto espero ela descer; que curta bilhetinhos escondidos nas suas calcinhas, no bombom, na escova de dentes, e até no rolo de papel higiênico com mensagens nada decentes; e quando eu arrancar flores da rua e ir colocando no chão que ela vai pisar, ou convidá-la para sentar na praia, tarde da noite, só pra ouvir a música do mar, nunca me diga “você as vezes me assusta”
Quero
uma mulher que quando eu disser que não gosto e não entendo de
carros, e nem trocar pneu eu sei, não fique chocada, mas que me
diga: “que bom, temos uma afinidade, já”. Que quando eu disser
que amo poesia e Fernando Pessoa, não comece a me olhar desconfiada,
mas que, se não for pra dizer “eu também”, diga pelo menos
“também gosto de poesia, mas não conheço Fernando Pessoa, me
apresenta?” Vai doer um pouco alguém gostar de poesia e não
conhecer Pessoa, mas talvez valha o investimento, porque como ele
disse “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E se gosta de
poesia, tem alma viva ali dentro.
Quero
uma mulher que quando eu me emocionar e chorar falando de algo como a
beleza de encontrá-la, não me tire por bobo apaixonado, porque
seria o óbvio, e o óbvio me incomoda; e que quando eu tiver uma
crise de choro que a assuste diante de uma ameaça de rompimento, não
me julgue fraco, nem frágil, mas apenas sensível, bobo apaixonado.
Que quando eu deitar do seu lado e não estiver a fim, ela não pense
que não sou macho o bastante, “porque todos os homens querem
sempre transar”, mas entenda que o desejo, o do homem também, e o
meu no particular, sofre nuances de humor e intensidade; e que quando
eu quiser transar na hora mais inoportuna, entenda que pra mim aquela
é a hora mais oportuna.
Quero
uma mulher que curta comigo eu cuidar o calendário, para comemorar
nosso dia de aniversário; q comemore comigo se eu lhe mandar flores
comemorando dez meses, duas semanas, três dias e dez horas da
primeira troca de olhares. E que se eu lhe mandar três buquês de
uma vez, não me chame de exagerado, louco, mas até ache pouco,
diante de tanto amor.
Quero
uma mulher que adore surpresas tolas, como escrever ‘eu te amo’
com papel picado no console do carro, enquanto espero ela descer; que
curta bilhetinhos escondidos nas suas calcinhas, no bombom, na escova
de dentes, e até no rolo de papel higiênico com mensagens nada
decentes; e quando eu arrancar flores da rua e ir colocando no chão
que ela vai pisar, ou convidá-la para sentar na praia, tarde da
noite, só pra ouvir a música do mar, nunca me diga “você as
vezes me assusta”. Porque me assustam as que se assustam.
Quero
uma mulher que desfrute do meu corpo sem pudor, posto que o entrego
sempre em holocausto, e que me deixe dispor do seu como se fosse
extensão do meu.
Quero
uma mulher que durante o sexo não se choque com os meus palavrões
misturados com os “eu te amo” e que no silêncio do depois,
entenda que eu também curto aquele momento de quietude, um quase
vazio, e também gosto de carinho, dengo e palavrinhas bobas-boas. E
nunca pergunte “foi bom?”
Quero
uma mulher que adore dançar e que carregue uma frustração infinita
porque entre eu e um pau fincado no sertão, este aí dança mais que
eu. Meu lado sádico. Mas adoro que dance pra mim, se exiba pra mim.
Meu lado masoquista.
Quero
uma mulher que quando eu me fechar em mim, entenda que preciso
visitar meu mundo para poder respirar aqui fora e que não estou
fugindo, muito menos amando menos.
Quero
uma mulher que mesmo me achando de outro mundo, faça a loucura de
viajar comigo pro meu planeta. Opa! Peraí. Nave mãe chamando!
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