sexta-feira, 29 de abril de 2016

DA SÉRIE "DOS OUTROS, QUE AMO" : O AMOR NÃO É PROS FRACOS

O AMOR NÃO É PROS FRACOS

Carpinejar

Amor é o que fica depois do desespero.
Amor é o que fica depois da vingança.
Amor é o que fica depois da solidão.
Amor é o que fica depois das brigas.
Amor é o que fica depois da bebedeira.
Amor é o que fica depois da fofoca.
Amor é o que fica depois das dúvidas.
Amor é o que fica depois do orgulho.
Amor é o que fica depois dos gritos.
Amor é o que fica depois da raiva.
Amor é o que fica depois dos erros.
Amor é o que fica depois da cobrança.
Amor é o que fica depois do cansaço.
Amor é o que fica depois de ir embora.
Se o amor ficou depois de tudo, não finja que ele é nada.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

MISTÉRIO





como pode do nada
da situação mais improvável
surgir uma pessoa q vira tudo
insanidade saudável
de um dia pro outro
sua cabeça pra baixo
seu coração sem compasso
a lua vira sol
o sertão vira mar
segredos do destino?
Puro desatino?
É a magia do amoramar!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

HOMEM MORRE DE MEDO DE MULHER

As mulheres nem imaginam o quanto os homens as temem. Se pesquisassem um pouco sobre esse pobre ser, saberiam o quanto ele se sente inseguro e literalmente morre de medo delas. E falo isso ao longo dos séculos. Nem precisa complicar vasculhando a psicanálise




Os dois chegaram altos da balada, já madrugada. Ela senta na cama e com cara de moleca diz: “tira a roupa e vem cá!” Atendendo a seus instintos e à formação de que deve estar sempre pronto a mostrar serviço, ele se posta diante dela, baixa as calças e... nega fogo. Ela fica frustrada. E ele como fica? Melhor nem falar. Os homens me entendem. As mulheres acham que entendem. Ela, além da frustração e do constrangimento (dizer o quê?), sofre também um sentimento de que não é desejada. Pelo menos naquela hora em que ela desejava tanto. A resposta para o ocorrido é simples. Homem morre de medo de mulher. Mulher assim ousada, então, apavora o macho.

 As mulheres nem imaginam o quanto os homens as temem. Se pesquisassem um pouco sobre esse pobre ser, saberiam o quanto ele se sente inseguro e literalmente morre de medo delas. E falo isso ao longo dos séculos. Nem precisa complicar vasculhando a psicanálise. É só ir na História. Antes, existia, em várias culturas, o mito da vagina dentada, que dispensa explicações (aliás, a própria palavra ‘vagina’ já é assustadora). Sem falar na Deusa-Mãe. Maiores informações basta ir ao Google. Hoje o homem se sente diminuído e medroso por vários motivos. Dois deles: a capacidade orgástica da mulher, incomparável à dele e comprovada por ele; e a performance da mulherada na cama, igualmente aferida. Falo das mulheres em geral, mas particularmente da mulher que na cama se mostre muito solta, tesuda, tomando a iniciativa. Essa é um terror.

Lembro agora de um amigo que teve seu casamento ameaçado bem por esse motivo da pegada feminina. A mulher tomava a iniciativa sempre e não dava oportunidade a ele de ser agressivo, pegador, homem, enfim, como lhe ensinaram que deveria ser. Não sei como resolveram, se resolveram, mas estão juntos até hoje.
Uma outra amiga, conta que quando foi a um velho e conhecido motel que freqüentava com o ex, se fez de sonsa, como se não entendesse de motel, principalmente daquele. Sentou na cama e olhando aquele console cheio de luzes e botões se fez de maravilhada. Apertava um botão e exclamava: “oh, ascende a luz de cima!” Apertava outro e se extasiava: “olha só, esse é da televisão!” Não demorou e o namorado novinho em folha aterrissou do lado dela e cheio de orgulho e autoridade explicou cada botão, cada luzinha. Tiveram uma noite ótima. E nunca tiveram problemas até onde sei.

 Outra amiga se botou nas lingeries, preparou uma banheira cheia de sais e espumas, com champanhe, taças e muito clima, para que quando o marido chegasse fizessem uma happy hour realmente happy. Aparentemente muito feliz com a surpresa, ele se refestelou na espuma e enquanto ela buscava uma toalha, ele... dormiu. Psicóloga ela, não tinha dúvidas, me dizia depois, de que o sono foi a fuga que ele encontrou para não enfrentar aquela sessão erótica. Eles tinham esse problema. Ele se sentia seguro no feijão com arroz. Ela gostava de novidades, ousadias, curtia preparar o ambiente e desbravar novos. Estou me sentindo um traidor da raça masculina. Mas a verdade é que não está longe o dia em que o homem vai começar a dizer “hoje, não, amor, tô com uma puta dor de cabeça”, ou “hoje tô estressado, meu bem, me incomodei demais no trabalho”. 

Logo logo os machos do planeta vão criar o Dia Internacional do Homem, pra defender seus direitos, incluindo o de não estar a fim. E olha que nem falei da paranoia do homem com o tamanho do pinto, agora sujeito à comparações. Isso me lembra um trecho do filme Vinícius, de Miguel Faria Jr, onde Chico Buarque pergunta ao poetinha se ele acreditava em reencarnação e, acreditando, como queria voltar a esse mundo. Vinícius disse que “queria voltar ele mesmo, só com o pinto um pouquinho maior”. E daí linco com uma crônica de Walter Navarro, onde falando do filme e a propósito da frase de Vinicius de Mores, diz que “se não der pra voltar como Vinícius, eu gostaria de voltar como eu mesmo, Walter Navarro, mas com o pinto um pouquinho menor. E menos mentiroso também”. Com essa, só posso pedir: Senhor, tende piedade de nós, homens.


domingo, 24 de abril de 2016

CAFÉ E CHIMARRÃO


coisa boa passar a noite toda 
dormindo
e acordar sem ressaca
no domingo
sol lá fora
coração
cheio de amor, paz
tomar um banho gelado
preparar um chimarrão
depois tomar o café de Maria
pronto, nem bem começou,
já teve o melhor do dia.

sábado, 23 de abril de 2016

AS MULHERES SÃO MELHORES


Os homens que me perdoem, mas as mulheres são essenciais, as mulheres são melhores. Falo no geral. Na questão particular da sensualidade e da sexualidade, então, lembro Chico Anísio: “mulher é um negócio tão bom, que elas mesmas estão descobrindo isso”. Não quero polemizar, até porque meu lado mulher é superdesenvolvido, graças a Deus e à minha mãe – artista plástica, professora de artes e amante da música e da poesia. Assim, amo a alma feminina (e seu invólucro) e penso que as mulheres são essenciais, que as mulheres são melhores. Um show de Maria Gadú, que assisti em Fortaleza, foi mais uma prova. Gadú é sensacional, um espetáculo de intérprete, um timbre maravilhoso, que aos 21 deixou de boca aberta quem ama música nesse país. E até hoje hipnotiza teatros e bares com seu jeito tímido, meigo e de moleque. É moleque mesmo, porque quando ela entrou no palco, com o cabelo escondido num boné, óculos escuros, camisetão, jeans e tênis tipo all star, a impressão que tive foi de que entrava um garoto skaitista, um moleque, não uma moleca. Isso faz parte do fascínio que ela exerce sobre a mulherada. 
Não vem ao caso a questão da sexualidade da Gadú. Tampouco da plateia. O fato é que 70% do público era feminino e o show não teria sido a maravilha que foi, não fosse a presença maciça das mulheres, porque elas são essências, elas são melhores, porque a alma delas está degraus acima da alma de nós, homens. Se a maioria fosse de homens o show teria sido outra coisa, obviamente muito mais sem graça, porque somos mortos por natureza e se não formos motivados por sexo e cachaça a coisa não anda. Produzidas e perfumadas femininamente, as garotas amam a Maria Gadú moleque, moleca, mas meiga, muito meiga; e tímida. Elas cantaram juntas todas as músicas, o que deve ter surpreendido aqueles que foram lá conhecer a revelação musical de 2009 pelo júri da Associação Paulista de Críticos de Arte, com apenas 22 anos. 
Aí fico pensando pela luta das mulheres para serem iguais aos homens. Desculpe, mas querem ficar piores. Querem ser chefe igual, fumar igual, beber igual, transar igual, ser predadoras igual, viver igual e morrer igual, dos mesmos cânceres, dos mesmos ataques cardíacos, e dos mesmos avecês. E somos tão diferentes! A história recente da humanidade, leia-se a partir da modernidade, é a história da razão, e a razão tem pinto, é fálica. Porque razão é coisa de homem, é coisa maior; e emoção é coisa de mulher, coisa menor. Homem é pensamento, mais importante – quase toda a importância - mulher é sentimento, desimportante. Por obra e graça de Descartes que disse o famoso “penso ,logo existo” e depois do Iluminismo e seu empenho pelo desencantamento do mundo através da dissolução dos mitos, crenças, superstições, e também da imaginação, o que construímos foi esse fracasso – um mundo insosso, injusto, machista, anti-mulher, anti-poesia, anti-beleza. Construímos um mundo capenga, mutilado, onde um lado, o lado da mulher, sua essência, e tudo que lhe é cabível e atribuído ficou como menor; e o outro, o lado do homem, ficou como maior. Foi a vitória da denotação fria e direta, sobre a conotação rica e subjetiva. Foi a vitória da reta sobre a curva. Foi a vitória da matemática sobre as artes. Da cientificidade e do culto à tecnologia sobre a mística e a poesia. Foi a vitória do homem que não chora sobre a emotividade. 
Enfim, Deus criou o homem e este criou um mundo macho. E agora as mulheres, que são tão melhores, tão mais sensíveis, por essência, tão mais estetas e estéticas, querem esse mundo pra elas. Se pensarmos que a metade dominada, melhor na essência, adota o modelo da metade dominadora, pior por excelência, cabe perguntar: que ser vai sair daí? Quem viver verá. Agora a fase é de transmutação e de confusão. As publicidades e reportagens da mídia no Dia Internacional da Mulher, mostram bem isso. Ora a mulher é homenageada como mãe, esposa e dona da vida, um modelo antigo e ligado à dominação; ora como executiva, mulher que trabalha e constrói carreira de sucesso, um modelo moderno, mas masculino, porque a única referência é o mundo fálico.
Mas que igualdade é essa? Fromm vai dizer que é a “igualdade dos autômatos, dos (...) que perderam sua individualidade”. Buscamos a igualdade em vez da unidade. “É a mesmice dos que trabalham nos mesmos serviços, têm as mesmas diversões, leem os mesmos jornais, experimentam os mesmos sentimentos e as mesmas ideias”. Essa tal igualdade bem poderia ser chamada de padronização. Querendo essa igualdade em vez da unidade, “homens e mulheres deixam de ser polos opostos para serem os mesmos polos”.
Mas a esperança ressurge quando assisto um show como o de Maria Gadú. Porque a diferença da essência parece estar preservada. E se as mulheres conseguirem comandar o mundo, o que me é inexorável, poderemos realmente viver num novo planeta, com mais boniteza, mais emoção, um planeta mais metafórico, transcendental, justo e meigo, enfim. Mas para isso é preciso que essa transmutação não esmague a diferença, não sufoque a essência do ser feminino. Se a essência permanecer, como deve permanecer, teremos os homens buscando imitar as mulheres e teremos um Iluminismo às avessas, com um novo encantamento do mundo, no melhor sentido, um “engraçamento” do mundo. E lembrando Pepeu Gomes se “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”, espero que sendo mulheres masculinas, elas não firam nem mutilem o seu lado feminino. Aí terá valido toda essa zorra da sociedade capitalista contemporânea confundindo igualdade com unidade, garrafas e camas com liberdade, polos opostos com polos iguais, individualismo e quantidade com felicidade. Se a nova mulher ajudar a desconstruir esse velho e mutilado ser humano que somos todos, e ajudar a construir um novo ser, hibridizando, fazendo um mix do melhor dos dois lados, com uma puxadinha maior pro lado dela, terá valido a pena toda essa zorra agora. Parodiando Maria Gadú na obra-prima Altar Particular, estamos “com tudo a flutuar no rio, esperando a resposta” do tempo. Por tudo, então, os homens que me perdoem, repito, mas as mulheres são essenciais, as mulheres são melhores.


ELA É PROIBIDA PRA MIM



Existe uma menina que eu não sabia q existia. E porque eu não sabia a vida não era tão bela, o sol não brilhava tanto e nem a chuva tinha tanto encanto. Hoje, quando olho pra ela, para aqueles olhos cuja cor nem sei definir direito, eu penetro num mundo que até dá medo. Beleza tanta, desejo tanto. Ela é proibida pra mim. Nem sei bem porque, nem por quem, mas ela é proibida pra mim. Não devia ser assim. Se alguém me invade, se alguém me toma, porque não pode ser diferente do que é sempre? Por que o sentimento tem que ceder ao pensamento, à razão? Porque o desejo e o sentimento tem que ceder à essa sociedade falsa, hipócrita e mentirosa, quando o que sinto é tão verdadeiro? Pra mim, só por um motivo – ela não me deseja e me quer como eu a desejo e quero.
Existe uma menina que eu não sabia que existia. E porque eu não sabia, eu nem lembrava mais que existe um menino dentro de mim capaz de escrever versinhos bobos de amor, cantar músicas que acho ridículas de tão pobres e bregas, mas cheias de amor e paixão, e nem ficar assim chutando lata na rua e pensando como seria bacana essas duas crianças juntas – ela, menina por dentro e por fora e eu, com um menino renascido dentro desse corpo já meio cansado.
Existe uma menina que eu não sabia que existia. E porque eu não sabia que existia eu não tinha mais sonhado com o que a fantasia e desejo podem ter de melhor. O afago das mãos trêmulas de paixão, o abraço que funde duas almas, o delírio da carne que se arrepia e vibra e goza na loucura sublime da entrega absoluta ao outro. Agora me pego sonhando em tê-la nos braços, em pegá-la no colo, deitá-la na cama e tirar-lhe a roupa, mas tirar-lhe a roupa tão devagarinho assim como um cirurgião faz a mais delicada das cirurgias, para que cada detalhe do seu corpo me capte, e eu capture cada arrepio, cada nuance – deleite puro, de quem descobre um anjo, uma deusa, mas acima de tudo uma mulher no que isso tem de mais lindo.
Existe uma menina que eu não sabia que existia. E porque eu não sabia eu não imaginava que o desejo pudesse assumir essas proporções, essa força de me tirar o sono pensando em como seria lindo morrer de prazer dentro dela, e renascer do gozo para a realidade do seu corpo perfeito, da sua alma maravilhosa. Ah, que coisa doida querer essa menina assim, sonhar em vê-la suspirando nos meus braços, gemendo entregue a mim e à minha loucura de tê-la só pra mim, de beijar-lhe tanto até que sua alma se sinta beijada, de entrar nela e fundir nossos corpos num êxtase de desejo e prazer até sua alma se sentir fundida com a minha, até nossos corpos serem um só pra sempre.
Existe uma menina que eu não sabia que existia. E porque eu sei que ela nunca vai ser minha, me vejo agradecendo à Deus por pelo menos tela conhecido e querido e desejado tanto. E porque eu sei que ela nunca vai ser minha, me quedo quieto, escrevendo e sonhando, porque sei que na realidade só eu a quero assim – ela nem imagina o quanto. E porque eu sei que ela não me quer assim, me quedo quieto, me confortando no fato de que mesmo que ela me quisesse, ela é proibida pra mim. Tão mais proibida quanto mais eu a quero, tão mais proibida quanto mais queria que ela me quisesse.

Existe uma menina que eu não sabia que existia. E agradeço a Deus tê-la posto no meu caminho. Ele se fez mais alegre, mais bonito, mais pleno. Mesmo sabendo que nunca sentirei sua mão deslizando no meu corpo, sua pele cheirosa colada na minha me perfumando, seu corpo perfeito me levando pro céu, eu agradeço a Deus, porque ela é uma prova definitiva de que Ele existe. Obrigado, por ela, obrigado meu Deus. E obrigado porque aconteceu.

SAMBA POR VOCÊ

entendo nada de samba
tampouco no pé sou bamba
não sei porque
então
meu coração
insiste em bater
tudum tudum você
tudum tudum você



sexta-feira, 22 de abril de 2016

GUERRA E AMOR - PALAVRAS - 3

Coloquei "guerra amor" no Google
vieram 31 milhões de sites
Coloquei "paz amor"
vieram 37 milhões
vitória por pouco
disse vitória?
Pra poucos.
Mas vitória não é coisa de guerra?

SEXO E SAUDADE



Quando uma relação acaba
e ainda fica sentimento
a saudade, as lembranças
não são do sexo q se fazia
são dos momentos q se vivia
o café da manhã juntos
o prazer de fazer uma comida
a dois
depois
tirar uma sonequinha
sentar frente ao mar, caipirinha

a saudade é sempre do bom
do melhor q se tinha e se sentia
então a gente percebe
o quanto era feliz e não sabia
e que o bom e o melhor da vida
é a companhia
de quem amamos,
o conversar, conversar, conversar
e q o q gozamos
de verdade, foi a delícia de se amar


AS MULHERES SÓ QUEREM SEXO


Adicionar legenda
Eu tomava uma cerveja, depois da aula, num bar próximo a faculdade, e um aluno se aproximou com aquela intimidade que a noite propicia e o álcool exacerba. Conversa vai e vem ele entrou no assunto que estava enlouquecendo o seu copo.
Professor, é o seguinte. Não aguento mais essa mulherada. Não consigo uma garota prá namorar. Só prá transar. Toda sexta à noite eu saio, vou num bar, uma danceteria, e arrumo mulher prá dormir. Mas eu quero namorar, sabe?”
E explicou o que era namorar prá ele.
Eu quero ficar em casa com a menina fazendo massa e enchendo a cara de vinho barato, daqueles de garrafão. Quero caminhar de mãos dadas pela calçada. Quero gostar, sabe?”. Os homens se queixam muito das mulheres.

Aquilo me lembrou imediatamente uma outra conversa, dessa vez com uma garota, também aluna. Ela me pediu que apresentasse alguém prá ela, que ela não aguentava mais não ter namorado. “Puxa, professor, o senhor conhece todos os alunos, me apresenta um que queira uma namorada. Os homens não querem mais namorar, só querem transar.” As mulheres se queixam muito dos homens.
Pensei em apresentar os dois, mas me dei conta de que não me lembrava mais quem era a menina. Mas contei a história para ele, que enquanto me escutava enchia o seu copo. Ele era um cara bonito, que devia fazer sucesso com a mulherada.

Daí passamos a falar de livros, aula. Até que uma menina no fundo do bar chamou a atenção dele. Bonita, ela atirava os cabelos pra lá e pra cá, e entre um gole e outro de cerveja olhava para o pobre procurador de namorada. Talvez conscientemente, ela bebia sua garrafinha direto no bico. Isso reforçava o jogo de sedução que ela estava jogando, pelas mensagens outras que passava ao procurador de namorada. Procuradora de namorado?
Vi o brilho no olho dele. E lá foi, copo em punho, conversar com a menina. Procurar o que mesmo?
Fui pra casa pensando em Vinícius de Moraes que escreveu: “tudo isso não adianta nada se nessa selva, escura e desvairada não se souber achar a grande amada para viver um grande amor”. Fui pra casa pensando em Arthur da Távola, que disse que “não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente... “Fui pra casa cantando Vinícius baixinho, respeitando meus ouvidos: “Se você quer ser minha namorada / ah! que linda namorada você poderia ser / se quiser ser somente minha / exatamente essa coisinha / essa coisa toda minha / que ninguém mais pode ser...”.

Dias depois, encontrei de novo o procurador de namorada.
Arrisco: “E aí, encontrou a parceria para o vinho de garrafão?”
E ele: “Que nada! Aquela loira queria era sexo. Fomos lá pra casa, depois de muitas cervejas. Aliás, foi maravilhoso. Mas não peguei o telefone dela e não a vi mais por aqui. É o que eu te disse, as mulheres só querem transar, professor”. Pensei: esse cara não tá entendendo nada. Vai morrer sem namorada.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

IGUALDADE


ela é a prática em pessoa
eu sou o próprio desmantelo
ela quando dizes não, é não
quando consigo dizê-lo, 
sei não...
ela decidiu, tá decidido
eu quando decido
já faço o invertido
se somos assim
é começar pelo fim!

SABOR DE FERIADO


feriado 
em casa
parado
pode ser como sorvete derretido
ou pode ser pudim de leite moça
mas o sorvete, veio pronto
ainda tem sabor
um pudim, se feito em casa,
vira uma coisa inssossa
sem alegria e amor
tem nada a ver com refrigerador

O MEDO DE AMAR I


Quem já passou por essa vida e não viveu 
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu (...)
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.
Vinicius de Moraes



Domingo, 8h. Depois de uma discussão com o marido, ainda na cama, Joana levantou, tomou uma dose de uísque, puxou uma cadeira para a varanda, subiu e saltou para a morte. Linda, 20 anos, casada havia dois anos, ela não suportou a decisão dele, 28 anos, de se separar. Precipitadamente, as pessoas julgam que Joana se matou por amor. Não por amor a esse homem. Não foi bem assim. Essa história começou anos antes, quahndo era criança e seus pais se separaram. Ela, super ligada ao pai, nunca aceitou aquilo, nunca o perdoou por tê-la deixado, e teve uma relação tumultuada com ele, a partir dali. A ruptura dos pais e principalmente a negação do amor do pai, pelo menos na intensidade e presencialidade exigida por Joana, marcaram-na para sempre. Ela se transformou numa border line, seres marcados por rupturas e que pululam aos milhões por aí, com sua instabilidade de humor, tédio, sentimentos autodestrutivos e, claro, dificuldades na realização amorosa. O border line vive situações-limite, não raro à beira do abismo. Joana não viveu o amor de forma plena na infância e bloqueou-se em relação a ele. O amor virou um fantasma no seu inconsciente e ela passou sua breve existência sem se entregar ao amor de ninguém, à confiança de ninguém, exceto daquele que lhe seria um substituto do pai. E este lhe fugiu, como o outro. Rupturas demais. Ela se matou não propriamente por amor, mas por medo do amor, esse sentimento de entrega e integração que lhe era tão difícil. E para nós hoje é quase impossíveL.


Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu (...)
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.
Vinicius de Moraes


Domingo, 8h. Depois de uma discussão com o marido, ainda na cama, Joana levantou, tomou uma dose de uísque, puxou uma cadeira para a varanda, subiu e saltou para a morte. Linda, 20 anos, casada havia dois anos, ela não suportou a decisão dele, 28 anos, de se separar. Precipitadamente, as pessoas julgam que Joana se matou por amor. Não por amor a esse homem. Não foi bem assim. Essa história começou anos antes, quando era criança e seus pais se separaram. Ela, super ligada ao pai, nunca aceitou aquilo, nunca o perdoou por tê-la deixado, e teve uma relação tumultuada com ele, a partir dali. A ruptura dos pais e principalmente a negação do amor do pai, pelo menos na intensidade e presencialidade exigida por Joana, marcaram-na para sempre. Ela se transformou numa border line, seres marcados por rupturas e que pululam aos milhões por aí, com sua instabilidade de humor, tédio, sentimentos autodestrutivos e, claro, dificuldades na realização amorosa. O border line vive situações-limite, não raro à beira do abismo. Joana não viveu o amor de forma plena na infância e bloqueou-se em relação a ele. O amor virou um fantasma no seu inconsciente e ela passou sua breve existência sem se entregar ao amor de ninguém, à confiança de ninguém, exceto daquele que lhe seria um substituto do pai. E este lhe fugiu, como o outro. Rupturas demais. Ela se matou não propriamente por amor, mas por medo do amor, esse sentimento de entrega e integração que lhe era tão difícil. E para nós hoje é quase impossível.

O MEDO DE AMAR II


O filme Eu odeio Dia dos Namorados, uma comédia romântica de Nia Vardalos, lançada há alguns anos, mostra um quadro interessante para esse papo sobre nosso medo de amar. Genevieve é uma florista que não quer envolvimento. Todos os seus relacionamentos não passam do quinto encontro, para evitar que surja o amor e, daí, sofrimento. Ela jura que assim é feliz. Até, claro, que aparece um bonitão que a faz querer o sexto encontro, o sétimo... E ele para no quinto, conforme o combinado. Só então ela descobre que não queria amar para não sofrer o que sua mãe sofrera com as traições de seu pai. Ela diz para si mesma: “nenhum homem vai me fazer sofrer como mamãe sofreu”.
Voltando à vida vivida, Fernando amou muito Raquel e quebrou a cara. Romântico e apaixonado, era do tipo que ainda manda flores, estende tapetes com toalhas para seu amor sair do banho, compra até algodão doce e maçã do amor. Pessoas assim, geralmente encontram pessoas não-assim. Resultado: agora ele foge do amor. Só ‘fica’, e jura que é feliz com essa “solidão de mão em mão”, como toca uma música por aí. Se ele continuasse a buscar a mulher para viver um grande amor, talvez no próximo se desse pior ainda. E no terceiro encontrasse alguém que curtisse flores, tapetes...
Enfim, o ponto. Morremos de medo de amar. E os motivos são vários, como vimos. Podem vir isolados, ou misturados. Resumindo, não queremos amar porque já sofremos muito por amor e assim, acovardados, perdemos o melhor da festa, como Fernando. Também não queremos amar, embora na maioria das vezes nem tenhamos consciência disso, porque nossas histórias familiares contam com perdas, rupturas e ‘faltas’ de amor, tal como Joana. Se não tive amor quando criança, como vou lidar com esse sentimento agora que cresci, pelo menos por fora? Se nunca andei de bicicleta antes, como vou saber andar de bicicleta agora? Logo, passo a não gostar de bicicleta, tiro-a da minha vida. E também não queremos amar porque, esse tempo egoísta, narcisista, individualista que vivemos, nos grita que o grande barato é a emoção, a intensidade das paixonites, a quantidade dos “ficares”, das gozadas, sem alma no meio, assim meio como a Genevieve do filme ali atrás. Amores líquidos, como definiu Bauman no livro com esse nome. E como ele escreveu: “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum”.

O filósofo francês Michel Lacroix, em O culto da emoção, nos alerta que vivemos a era do grito e não do suspiro, da emoção-choque e não da contemplação. Buscamos, desesperadamente, viver emoções, seja nos filmes violentos, nos esportes radicais, nos relacionamentos tão loucos e intensos quanto rápidos.. . que acabamos ficando insensíveis. Mais ou menos como o astronauta que voando a milhares de quilômetros por hora tem a sensação de estar parado. Não amando, seja por qual motivo for, e vivendo uma vida covarde, mutante, cheia de emoções baratas e baldias, cama em cama, bar em bar, corpo em corpo – e pretensamente feliz - parecemos com o camarada que diante de um banquete, se empanturra com as entradas e não chega ao prato principal. No máximo vai beliscar a sobremesa.

TE AMO


Só quero dizer que te amo
e fuck you o mundo
porque ele já tá lascado
faz todo o tempo
e o meu amor já vem daí
de sempre, do começo do vento!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

AMOR


"Quem não pode com o pote
não pega na rudia"
diz o dito de Maria
e a gente faz sempre isso
não pode e se mete a pegar
depois arrudia arrudia
até a cabeça afundar

PAREDES


'Ontem contei pras paredes
coisas do meu coração"
sabe o q ouvi de resposta?
"deixa de ser chato,
vá gostar de quem te gosta"
Parede no quarto dos outros é fácil!

GENTE COMPLICADA


saí agora de casa
e o mundo já me incomoda
um carro me corta a frente
no lado um casal contente
não sei qual mais me perturba
se tem coisa complicada
é gente.

terça-feira, 19 de abril de 2016

TEMPERO




A vida é como um café
o melhor dele é o cheiro
o melhor da vida é o tempero
mas nas prateleiras, nos bares
só tem pronto, prêt-à-porter
eu quero o caseiro

segunda-feira, 18 de abril de 2016

DROPS POÉTICOS


MULHER. FIM DE NOITE


DA SÉRIE "DOS OUTROS, QUE ADORO" .BRUNA LOMBARDI.

FINAL 

Quando uma mulher tira o rímel, o baton, a roupa
tira o sapato, senta na cama e chora
e nem mesmo é bonita nessa hora
você tinha de ver
que de repente ela fica tão sozinha
é um bicho assim tão desamparado
tão longe da paixão e do pecado
nem graça tem
se desmanchou o encanto, ela virou
de repente uma coisa tão pequena
que a gente olha e só fica com pena
não adianta fazer nada.

domingo, 17 de abril de 2016

ELA VEIO DORMIR COMIGO


Essa noite, ela veio dormir comigo. Eu sabia q isso ia acontecer, porque desde ontem ela sinalizava q viria. E veio inspiradíssima, como quem vem pra ficar a noite toda.
Deitou do meu lado, e sem cerimônia tomou meu lado da cama. Não me incomodei, porque com ela aqui eu fico de qualquer lado.
Mas não falou comigo. Me deixou olhando pra ela, no meio escuro do quarto, respiração forte, coração agitado. Me irritei, levantei, liguei a luz, fui à sala, acendi um cigarro, abri um Los Nevados, e pensei: "agora ela vai ver uma coisa". Voltei, e ela me olhava com ar mais arogante ainda. Até me deu o meu lado da cama. Percebi q ela me dominava, comum na minha relação com as mulheres. Com o peso do vinho, como diria Pessoa, eu entrava pelo colchão adentro. E ela me olhando imóvel, despida de toda piedade, nua de todo sentimento. Já irritado tirei a roupa. E ali, nu e bêbado, enfrentei-a a madrugada inteira. Quando o torpor do vinho e do sono me venceram, era dia, e ela finalmente foi embora.
Acredito que depois dessa noite, ela voltará amanhã, se pensando vencedora e superiora, como sempre. Mas dessa vez a enfrentarei com dois Los Nevados. Vamos ver quem vence.

sábado, 16 de abril de 2016

NÃO QUERO PUTA NEM SANTA


é tão bom estar aqui quieto
noite adentro, ouvindo nada
sem fazer nada, nem de certo nem de errado 
quando sei que do outro lado
lá fora no mundo doido
todos batem cabeça, batem copos
batem corpos
é tão bom ficar quieto
numa quietude que me encanta
não quero puta nem santa
nem com espuma ou sem espuma
nem com ou sem emoção
quero só ficar quieto
nem ouvir o silêncio
até ouvir meu coração

sexta-feira, 15 de abril de 2016

VIRAR A PÁGINA


José me disse "bota esses livros fora
bota isso lá na calçada"
"presta pra nada"
Aquilo me doeu
como se fosse eu
que ele mandasse embora
Porque eu não sei se eu sou meus livros
ou meus livros que são eu
só sei que doeu
porque cada dia vivido
é um livro escrito e lido
as pessoas dizem "não deu certo? vira a página!"
comigo é diferente
as páginas é que me viram
nesse ser misto de palavra e carne
sou livro-gente

UMA MULHER SÓ NÃO ME BASTA


Uma mulher só me não basta
preciso confessar isso
preciso de mais alma, mais coração
preciso de mais tesão
Uma mulher só não me basta
preciso de mais conversa
papo bom e que não presta
preciso de mais loucura
preciso da paz que cura
preciso, enfim, de você
cadê?
todas as mulheres que quero
reunidas numa só
o resto é a estrada e seu pó.

FAKE E PAIXÃO


Eu estava desconfiado q falava com um fake. Afinal não é possível q uma criatura tivesse tanta afinidade comigo. Eu dizia que adorava Chico Buarque, ela colocava um verso justamente q eu amava:
"se na bagunça das nossas noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas, diz com q pernas eu devo ir?".
Aí eu digitava uma canção dele com Edu Lobo, não tão conhecida: "Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar..."
E sem tempo de pesquisar no Google, ela respondia:
"Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás"
"E fado vc gosta?" perguntou ela, completando:"eu adoro". E listou simplesmente os meus preferidos, tipo Cristina Branco, Dulce Pontes e Mariza.
Eu disse: "Vc é um fake", porque só podia ser alguém q sabe muito dos meus gostos q não são tão comuns. Ela botou um "kkkkkk". 
Pensei: "bem se ela escrever agora q ama a 4ª Sinfonia de Bruckner, das duas uma, ou era um fake de alguém íntimo, ou esse negócio de alma gêmea existe mesmo. Mas ela não colocou, fez pior, perguntou se eu também curtia Luc Ferry, q ela estava lendo e amando. Aí eu levantei e comecei a caminhar pela casa, misto de encantado, assustado e curiosíssimo. Nunca acreditei em alma penada, menos ainda em alma gêmea. Não acredito q alguém do outro lado comande nossos destinos e jogue conosco como marionetes, promovendo encontros e, mais ainda, desencontros.
Mas a coisa não parou por aí. Para aumentar minha aflição vieram lá Baumann, Pierce, Osho, Philip Roth, e um exército de gente que eu curtia.
Parti pro ataque. "Qual sua profissão?" "Quando a gente se encontrar eu te digo, vocês jornalistas perguntam demais". Aí mudei o rumo da conversa e foi papo sobre amor, romantismo, vida a dois, fidelidade. Em tudo, se não batia comigo, tinha uma resposta inteligente e q só me deixava mais e mais embasbacado. Seria uma psicanalista? Uma socióloga? Uma...? Me deu um rompante: "Vc é mulher mesmo?" "Sou bicho esquisito, todo mês sangro”.
Então resolvi partir pros finalmente: "Ou me diz o q vc faz ou nossa conversa termina aqui". Silêncio do outro lado. Silêncio não é bem a palavra pra definir o vazio do bate-papo, porque silêncio se refere à fala, bem, mas bate-papo, também não é a palavra, porque também se refere à conversa falada. Enfim, tô fugindo do assunto. 
"Eu trabalho na Abin. Muda alguma coisa pra vc?", disse enfim.
Fiquei atônito. "Você trabalha pra Inteligência do governo? "
"Sim, e ando armada, tudo bem?"
Não sabia o q dizer. A mulher q tinha tudo a ver comigo era uma agente secreta, ou quase isso! Carregava uma Beretta na bolsa. Investigava coisas sérias, pessoas importantes, secretamente. Mas eu não sou importante, pensei.
Fiquei imaginando a gente indo pra cama, ela tirando a roupa e botando a Beretta na cabeceira. Será q seria excitante fazer amor com aquela mulher q era um verdadeira caso do além, sem explicação, olhando a arma na cabeceira? Ou seria broxante. E se eu broxasse e ela me botasse a arma no... na cabeça, e dissesse "sobe!". Viajei. Voltei pra terra e decidi encarar:
"Você é a coisa mais doida, inesperada e bonita q me aconteceu. E por tudo q falamos sei q vc existe mesmo. Quero mesmo te encontrar"
E ela: "Ah,q bom, pensei q um encontro como o nosso fosse terminar por uma coisa sem importância. Nunca encontrei ninguém como vc".
Eu disse: "Não vou perder essa chance de alguém tão raro".
E saí do Face. E exclui meu fake.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A FILA ANDA OU DESANDA?


Acho uma tristeza a expressão “a fila anda”.
E as pessoas ainda dizem com um ar de orgulho, de poder.
Me faz lembrar aquelas máquinas de espremer laranja, nas lanchonetes: vem uma após a outra e ploft, são esmagadas e jogadas fora. O suco pode ser bom, mas sobra um bagaço, uma carcaça de laranja. “A fila anda” é isso, usamos uns aos outros, e depois jogamos fora, sem falar nas laranjas podres no meio. Na expressão “a fila anda” a gente não se dá conta de que somos a laranja dos outros também. Fila é coisa de massa, multidão. Me lembra também aqueles filmes pornôs em que uma mulher deitada (pode ser um homem também) transa com 100 homens, em fila, massageando seus pintos para eles ‘guentarem’ a fila. Seria melhor dizer que a fila desanda nossa condição humana.
Bom mesmo seria dizer: “a fila parou”. Ou melhor ainda: “a fila nunca andou. Estive aqui parado (a), e o amor me achou”.

O AMOR TEM EXPLICAÇÃO?



Dizem que o amor não 
tem explicação
sei que o o meu tem
você existe!
os outros
não sei
existe mais alguém?

O PERFUME DO DIA


Abri a janela e disse: bom dia, mundão!
Ele não respondeu
Passei por uma moça linda no corredor
E disse: bom dia!!!
Ela não estava no corredor
Só o perfume dela
Na portaria
Disse: Bom dia!
E o porteiro respondeu: Bom dia, doutor!
Pensei: era o dia começando com sua hipocrisia
Eu não sou doutor!
Mas ganhei um ‘bom dia’
E o perfume da moça me seguia...
Pensei: enfim, era o mundo que me respondia

terça-feira, 12 de abril de 2016

CASAMENTO


Maria
me disse um dia
que a gente nunca casa
com o grande amor da vida da gente
então, Maria me explica
e ligeiro
como é que tô solteiro?

DIA PERFEITO





sabe aquele dia em q você
sai de casa resolvido
a tudo fazer, tudo resolver
e quando chega em casa à noite
sente aquela sensação
de q fez tudo? tudo deu certo!
Dever cumprido!
Nunca aconteceu comigo.



FIM DO DIA


Voltar pra casa
massada
fila
cheiro
carro
gente
fome
saco!
até aqui tudo igual
chegando em casa

cada qual cada qual.


NO BANCO





faça poesia no seu dia
 uma conta paga
tem sua alegria
e aquela atrasada?
deixe-a lá sentada
ela é que está atrasada.

SIMPLES


Não precisa nada disso
um café preto saboroso
um pão de queijo gostoso
e o dia já está nos sorrindo!
a gente que permanece dormindo.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

O VAZIO DA SEGUNDA-FEIRA (ou O Vazio Nosso de Cada Dia)




Li uma entrevista do Tom Jobim, certa vez, onde ele dizia que todos temos um vazio dentro nós que jamais preencheremos. Que por mais que se aprenda, se viva; por mais que nos busquemos e até nos encontremos, nunca conseguiremos preencher esse vazio. O que é esse vazio, o porquê dele, Jobim deixava para os entendidos na alma humana. Assino embaixo. Mas que ele existe, o vazio, dentro de mim, dentro de todos, ele existe. O que é esse peso na minha alma nessa manhã franzina, de chuva? O vazio pesa. O que é esse cinza que entristece e descolori meu dia? O vazio tem cor.
Passamos a vida aos tapas e aos tombos com ele. Passamos a vida tentando preencher o vazio. No verso, no trago, no sexo, no shopping, no trabalho... Escrevo por isso – tô tentando. E você? Enfrenta o seu vazio de que maneira? Colecionando amores? Esvaziando garrafas? Afundando no trabalho? Abrindo a geladeira? Também escrevendo?
Pense comigo: por que será que quando vamos a uma festa, quando saímos à noite, temos que beber? Se não se bebe parece que a coisa não liga, não tem graça, fica vazia, enfim. Festa boa é de porre grande. As pessoas hierarquizam a diversão na medida em que bebem e conseguem se livrar das inibições, dos medos, e dele, claro, do vazio, que assim fica submerso no álcool. “A festa tava ótima, tomei um foguete daqueles”, é comum se ouvir. Que pobreza as nossas diversões – alegria movida a cerveja, sorrisos movidos a falsidade, simpatias movidas a interesses, o outro sendo apenas prato para matar a fome! Fome de que? Mas nada extingue, supera, resolve o problema do vazio.
Ele não tem hora para atacar, mas é a noite que age mais furiosamente. Por isso na noite bebemos mais, fumamos mais. Às vezes ataca de manhã, pior nas segundas-feiras, ao acordarmos e olharmos para o dia e a semana à frente como dois parênteses sem nada dentro, ou talvez pior, como uma página já escrita e da qual sabemos tudinho que vai acontecer até o ponto final. Uma página-dia cheia de vazio.
Mas pensando bem, eu não quero deixar de me deparar com o vazio, vez por outra. Porque eu gosto de ter medo, me sentir inseguro, meio perdido e confuso diante da maravilha que é a vida e as pessoas todas, tão atrapalhadas todas. Porque existindo vazio, o pecado pode ser doce, o amor eterno, o gole suave e a geladeira uma grande amiga (que bom, num domingo, em casa, sem nada pra fazer, abrir a geladeira e encontrar algo muito bom pra comer e tentar encher o vazio, que , não se engane, não é no estômago). Porque por causa do vazio, existe mais sensível a música, a poesia, a arte toda, o sorriso do filho, a beleza da mulher que passa do outro lado da rua e que nunca mais se verá, o dia de sol, o dia de chuva e... a geladeira.
Pensando bem, na próxima vez que o vazio me atacar, vou tratá-lo bem. Faça o mesmo, sugiro. Afinal, vamos viver juntos a vida toda. Nós e o vazio. E depois, é graças a ele que a gente enche do outro, do emprego, do mundo e da vida que se leva, vazia, e se arranca para novos caminhos – outros carinhos, outro cartão-ponto, outro mundo. E pensando bem, dá pra aguentar ser feliz sempre? Nada mais triste do que alguém que anda sorrindo sem parar por aí. Credo, parece gente sem vazio, cheio de risada. Pensando bem: hei, vazio! Olha eu aqui!!