terça-feira, 6 de setembro de 2016

ESTAMOS FICANDO SURDOS DE NÓS MESMOS

(Escrito para OBVIOUS, o maior site de cultura cooperativa em língua portuguesa)

Cage e Satie fizeram peças para não se ouvir. O primeiro, com 4’33 queria que se “ouvisse” o silêncio que o som do silêncio musical produzia; o segundo queria que a música suplantasse o silêncio que se abate sobre as conversas e sobe os ruídos do mundo. Num tempo em que vivemos mergulhados e bombardeados por sons de toda ordem, seja no trânsito, nos fones de ouvido, na gritaria das ruas, nas mensagens e posts das redes sociais, é interessante pensar sobre o silêncio, principalmente o silêncio dentro de nós. Estamos ficando surdos de nós mesmos.

Imaginemos essa cena. Numa sala de concerto o pianista senta-se ao piano, levanta a tampa do teclado, acomoda-se, ajeita sua casaca, exercita os dedos dedilhando o ar, folheia a partitura, repousa as mãos sobre o teclado sem emitir som e, por exatos 4 minutos e 33 segundos não toca absolutamente nada. A obra 4’33, de John Cage, compositor norte-americano revolucionário de meados do século XX, é assim mesmo: para se ouvir o silêncio. Por alguns minutos o púbico permanece quieto, esperando... Logo a plateia  se impacienta e ouvem-se murmúrios e burburinhos. Que palhaçada é aquela?  Alguns se perguntam, perguntando para quem está do seu lado. Já não há mais silêncio. Cage leva ao extremo, com 4’33, o debate sobre o tempo na música e, por extensão sobre a própria liberdade de criar, que tanta polêmica gerou a partir de textos críticos de Adorno sobre a obra de Stravinsky, que o frankfurtiano criticara. 
No início do século, um outro músico, o francês Erik Satie, de quem Cage é tributário, pensa a música como um objeto, um móvel para o espaço onde as pessoas conversam, almoçam. Ele chama de Musique d'Ameublemen, música-mobília. Certa vez, no intervalo de uma peça de Max Jacob ele resolve apresentar sua obra “mobília”. Distribui pelos cantos da sala um piano, três clarinetes e um trombone, que tocam fragmentos musicais desconexos. O público, cercado por estes sons desconcertantes, passa a ouvir em silêncio educado. Exatamente o contrário do que Satie queria. Não se contendo, ele determina: "Falem! Mexam-se! Façam qualquer coisa, mas não escutem!". Era uma música para preencher o ambiente, assim como uma cadeira ou uma estante, mas não para ser o ponto principal da atenção. Era música para tapar o silêncio inconveniente das falas, abrandar o tilintar dos talheres e abafar os ruídos que vinham da rua. Satie, um excêntrico que guardava milhares de cartas nunca abertas, que usava em qualquer ocasião um mesmo modelo de casaca listrada e que dava nomes estranhíssimos às suas obras – como Três Passagens em Forma de Pêra - inventou a música ambiente quando os ambientes não estavam preparados para sua música.  Cage e Satie fizeram peças para não se ouvir. O primeiro, com 4’33 queria que se “ouvisse” o silêncio que o som do silêncio musical produzia; o segundo queria que a música suplantasse o silêncio que se abate sobre as conversas e sobe os ruídos do mundo. Num tempo em que vivemos mergulhados e bombardeados por sons de toda ordem, seja no trânsito, nos fones de ouvido, na gritaria das ruas, nas mensagens e posts das redes sociais, é interessante pensar sobre o silêncio, principalmente o silêncio dentro de nós. Estamos ficando surdos de nós mesmos. Quem para alguns minutos que seja, quando chega em casa e senta quieto a ouvir nada? Ou a se ouvir, num mergulho em si?  Cada vez mais distantes da natureza, caminhamos e corremos nos parques e na praia, com fones que nos roubam o canto dos pássaros, o ruído do mar, ou mesmo nossa respiração e passsadas. Cage provocou o silêncio que perturbou as pessoas e Satie queria preencher o silêncio das falas fáticas e vazias, na maioria. Numa certa medida são contraditórios, mas ambos nos fazem refletir sobre nossa relação com o silêncio e nosso afastamento da natureza, e, consequentemente, de nós mesmos.



sábado, 3 de setembro de 2016

A MULHER AMADA NUA (revisado)



Quem troca de corpos com frequência, só tem troca de corpos. Não que isso seja ruim, mas é incomparável à troca de corpos com almas. Aliás não é troca, é toque. Dormir com a mulher amada, fazer amor com a mulher amada e acordar ao lado da mulher amada é tocar sua alma, mesmo que quando vc depois a olha, nua, atirada entre os travesseiros, não sabe por onde ela anda.




Olhar a mulher amada dormindo, nua, mergulhada nos travesseiros é um momento/sentimento único. Olhar aquele corpo, ali estirado, mergulhado no seu mundo, provoca uma multidão de pensamentos. 
Aquele corpo é o corpo da alma que eu amo, e onde andará ela nesse instante? Sonha com o quê? Por onde vagará?, nadando em mares verdes, andando por matagais perigosos, pratos saborosos, outros braços? Ah, se desse para entrar nos seus sonhos agora e descobrir isso que nem ela desvenda, sua alma misteriosa...
Aquele corpo é o corpo que eu amo. Que em noites de tempestade, sacode a terra com seus frêmitos, gemidos e gozos. Que em noites de calmaria, se aconchega ao meu corpo e deixa seu perfume invadir meus pulmões, seu calor aquecer meus pelos, e sua respiração ao meu ouvido exaltar o estar vivo ao lado dela, duas vidas unidas em corpo e alma.
Quando olho sua pele morena, onde  veias parecem rios que correm cheios de seiva para o seu coração que pulsa ao som do mistério da vida e do nosso encontro tão desencontrado, tudo tão lindo, tão louco, tão calmo, tão tudo...
Quando vejo seus cabelos ‘assanhados’ (Deus do céu!) pelo sono e pelos meus dedos, que não se cansam de correr entre eles, harpa silenciosa, percebo o quanto é belo vê-la tão ‘desproduzida’, tão minha, tão nós.
Isso é olhar para a mulher amada dormindo. E ao acordá-la, cara inchada de noite, hálito pesado de noite, dizer "bom dia, acorda pra ser amada". Muito diferente de olhar aquela estranha que passou a noite com você e que ao acordar, assim meio sem jeito e sem assunto, os dois forçam uma intimidade baseada na noite que tiveram, mas que por mais prazerosa que tenha sido, foi isso apenas, a noite prazerosa que tiveram. E pode nunca mais se repetir.
Não há comparação ao se acordar ao lado da mulher amada, e contemplá-la com sua beleza, até com o que para ela é não beleza, uma estria aqui uma celulite aIi, uma gordurinha que se já


insinua... porque a mulher amada está acima disso, até porque aqueles ‘defeitinhos’ são a história do seu corpo, as marcas do seu tempo. São ‘indefeitos’.
Quem troca de corpos com frequência, só tem troca de corpos. Não que isso seja ruim, mas é incomparável à troca de corpos com almas. Aliás não é troca, é toque. Dormir com a mulher amada, fazer amor com a mulher amada e acordar ao lado da mulher amada é tocar sua alma, mesmo que quando vc depois a olha, nua, atirada entre os travesseiros, não sabe por onde ela anda. Mas vc sabe que está na alma dela, de alguma forma, e sabe que no corpo dela estão as marcas do seu, e vice versa. E o vice versa é isso, é amor, é corpo e alma.

domingo, 28 de agosto de 2016

MINHAS CANÇÕES


A partir de agora, meu blog passa a ter um pouco mais da minha “vidalma”, com as músicas que amo, que fizeram parte dessa minha trajetória atrapalhada pelo planeta. E para começar não podia ser outro, o maior gênio dos últimos 500 anos desse país. Wesley Safadão que me desculpe, mas falo de Chico. Só isso já basta. Chico.
Aqui, “Se eu soubesse”, o lado feminino da alma iluminada desse cara iluminado. Corações ao alto.




sábado, 27 de agosto de 2016

NÃO DEIXE PARA AMANHÃ O AMOR DE HOJE. AMOR É PRATO QUE SE COME QUENTE E COM PIMENTA


Cena do filme "As pontes de Madison"
"Da série dos outros, q amo"



 SÍLVIA MARQUES, in Obvious



Muitas vezes, esperando o momento ideal para viver o amor, deixamos o melhor da vida ir embora sem ao menos nos despedirmos com alguma pompa e circunstância. Inventamos milhares de desculpas para não nos envolvermos completamente, para não mergulharmos de cabeça em relações que poderiam se tornar o nosso amor com A maiúsculo.


É uma pena perceber que existem mais casais formados pela conveniência social, pelo "amor" de costume do que pelo amor mesmo. É triste perceber que a maioria das pessoas passa pela vida sem conhecer e sem saborear o amor com A maiúsculo. Ás vezes, não acontece mesmo. Vai se fazer o que? Toca-se a vida e pronto.
O triste mesmo é quando a pessoa deixa o amor passar por medo ou por incapacidade de se adequar a uma situação não tão fácil. O triste é quando a gente deixa este amor especial passar por birra , por preguiça , por descrença na vida , por descrença em nós mesmos , no outro , no amor em si.
Muitas vezes, esperando o momento ideal para viver o amor, deixamos o melhor da vida ir embora sem ao menos nos despedirmos com alguma pompa e circunstância. Inventamos milhares de desculpas para não nos envolvermos completamente , para não mergulharmos de cabeça em relações que poderiam se tornar o nosso amor com A maiúsculo.
Obviamente , é muito simples entender por que as pessoas temem o amor. O amor pode ser muito doloroso. Muito doloroso mesmo. Talvez a rejeição amorosa seja uma das piores dores que existem. E mesmo quando um amor é feliz , relacionar-se exige uma boa dose de desprendimento, o que não está muito em moda ultimamente. Cada vez mais encontramos menos pessoas dispostas a compartilhar e a vivenciar experiências a dois.
Ás vezes, por questões contingenciais, somos obrigados a esperar pelo amor. Sim, somos obrigados a esperar quando quem amamos está com medo. Quando quem amamos precisa pular algum obstáculo interno para chegar até nós.

Mas se tivermos a possibilidade de alcançarmos o amor , não há nada melhor do que saboreá-lo em fartas garfadas , bem quente , pelando, com molho de pimenta por cima. Sim, amor é prato que se come quente. Deixar o amor no forninho é um baita desperdício, é vida jogada fora. Cada semana , cada dia , cada momento que nos privamos da presença da pessoa amada é uma semana , um dia , um momento perdidos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SEPARAÇÃO E O VIRA-LATAS



Da outra separação
Era tanta coisa que doía
Que até das coisas falta eu sentia
A gente aguenta
Mas que saudades eu tinha
Até das ferramentas
Parceiras de final de semana
Dessa vez agora
Era tudo que doía
A gente aguenta
Mas que saudade que eu senti
Até de minha coleção de pimentas
Deixadas morrer sequinhas
E até, como é que pode?
Senti falta do mais feio vira-latas,
Que me fazia festa com sua cauda fedorenta
A gente aguenta
Mas a saudade mais cruel
É da pessoa que eu era naquelas histórias
Feliz, romântico, confiante no juntos pra sempre
Mais um eu morto vivendo na minha memória
Mas já vejo um contraponto
Um cemitério ao contrário, mistura de Incidente em Antares
Com Pasárgada
de bons momentos dentro mim
que mais parece um jardim
onde rego minhas plantas e pimentas
do jeito que nunca fiz
e elas florescem lindas, coloridas
e com Mercedes dou ‘gracias a la vida
por me ha dado tanto’.
Às avessas, gauche, feliz.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A VIDA SERIA MAIS SIMPLES SE AS PESSOAS NÃO VOMITASSEM FELICIDADE FALSA


Da série "Dos outros, que amo".
   
Patrícia Marques

A vida seria mais simples se as pessoas fossem mais elas mesmas. Se elas olhassem nos olhos dos outros e falassem sobre seus problemas, seus medos. A vida seria mais simples se a gente não precisasse provar que é bem-sucedido o tempo todo. Seria mais simples se a gente pudesse gostar das pessoas independentemente da vida que elas levam. Se a gente pudesse dizer sem constrangimento algum que está se sentindo um monte de merda e que a vida pode ser bem complicada sim. Talvez, se admitíssemos mais o caos que é viver, não sofreríamos tanto. Talvez, se desfocássemos mais daquilo que dizem que é importante , mas que não faz sentido para nós, fôssemos mais bem sucedidos num sentido mais amplo. 



Sim, a vida seria bem mais simples e espontânea se as pessoas não vomitassem felicidade falsa nem tentassem o tempo todo provar um equilíbrio que elas não têm. Ninguém acorda super bem todos os dias. Ninguém se sente disposto para uma cerveja depois do expediente todos os dias. Ás vezes a gente fica mal mesmo, lembra de um monte de fatos trash e quer chorar na cama que é lugar quente. Ás vezes as coisas não parecem fazer muito sentido e a gente quer ficar fechadinho dentro da gente mesmo.
A gente não é obrigado a ficar feliz e comemorar porque é Natal, réveillon ou dia dos namorados. A gente não precisa necessariamente sorrir e querer curtir porque faz sol, porque a gente está na praia ou porque disseram que a vida é simples e é o ser humano que complica.
A gente não precisa rejeitar a tristeza como se fosse uma doença pestilenta. Ela faz parte da vida como a alegria. Só precisamos tomar cuidado para não transformá-la em um hábito ou nos esconder atrás dela por medo de ser feliz ou ainda dar importância demais a problemas e principalmente à pessoas pequenas. Este é um exercício e tanto que pode levar anos ou a vida inteira. Mas me parece que vale a pena.
A vida seria mais simples se as pessoas fossem mais elas mesmas. Se elas olhassem nos olhos dos outros e falassem sobre seus problemas, seus medos. A vida seria mais simples se a gente não precisasse provar que é bem-sucedido o tempo todo. Seria mais simples se a gente pudesse gostar das pessoas independentemente da vida que elas levam. Se a gente pudesse dizer sem constrangimento algum que está se sentindo um monte de merda e que a vida pode ser bem complicada sim. Talvez, se admitíssemos mais o caos que é viver, não sofreríamos tanto. Talvez, se desfocássemos mais daquilo que dizem que é importante , mas que não faz sentido para nós, fôssemos mais bem sucedidos num sentido mais amplo.
Talvez se mostrássemos mais os nossos rostos demaquilados e nossas almas nuas, se não nos defendêssemos tanto uns dos outros, se não nos importássemos tanto em mostrar que somos melhores do que os outros, pudéssemos ser mais unidos, mais solidários, mais amados, mais amantes.
Se a gente entendesse que todo mundo está no mesmo barco...Rogo pelo dia em que as mulheres casadas se assumam sozinhas e mal amadas. Rogo pelo dia em que as mulheres solteiras confessem que uma companhia faz falta sim e que fazer tudo sozinha pode ser muito triste. Rogo pelo dia em que os homens tanto casados como solteiros afirmem com todas as letras que morrem de medo das mulheres e que nunca deixam de ser meninões. Rogo pelo dia em que as mães gritem desesperadas o quanto estão cansadas e as que não têm filhos lamentem esta lacuna em suas vidas. Que os crentes reclamem dos grilhões da fé e que os ateus lamentem não crer. Que todos se assumam meio perdidos, meio sozinhos nesta vida louca. Rogo para que as pessoas assumam como o passado é doloroso e o futuro incerto. E depois de tantas confissões acaloradas, que elas possam respirar fundo, sorrir umas para as outra e seguir em frente cheias de coragem. Que depois de tudo, a gente pudesse cantar juntos I will survive e nos sentir intimamente ligados ao outro por meio da nossa vulnerabilidade, por meio da nossa capacidade irrestrita e desgovernada de dar e receber amor.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

O NÃO-VIVIDO DE NOSSAS VIDAS


"E as histórias q começaram e acabaram no não-vivido mais? Das amizades ao amor. Aquela amizade que parecia ser pra sempre, de tanta afinidade e cumplicidade, e a gente foi deixando esfriar, até ir parar no limbo, jogado num cantinho dos contatos das redes sociais? Eventualmente vira uma ‘curtida’, e só...
E aquela relação tão forte, aquele amor, aquela admiração, atração intensa pelo outro, parceria, a divisão das dificuldades e a multiplicação das conquistas e alegrias, que por detalhe, acabou?..."


Artur da Távola deixou textos memoráveis sobre o amor, e num deles ele fala justamente do não-vivido. Aquele cara bacana q sentou do seu lado no metrô, q rolou um papo super bom, de muita afinidade em tão curto tempo, que lhe deu cartão, q pegou seu telefone... e nunca mais se falaram. Porque você não quis ligar primeiro, porque ele também não quis, ou porque tinha alguém, porque você perdeu o cartão dele, ou...ou...
Quantas histórias não foram vividas, ou, melhor, foram não-vividas por detalhes? Ou se você preferir, por coisa do acaso, do destino. Você já pensou quantas coisas, estou falando aqui de coisas boas, q não lhe aconteceram por um pequeno porém? Gente que você não conheceu, emprego que não aconteceu... porque o e-mail não chegou, o voo foi perdido, não saiu aquela noite porque estava com dor de cabeça, não foi à entrevista de emprego porque...
E as histórias q começaram e acabaram no não-vivido mais? Das amizades ao amor. Aquela amizade que parecia ser pra sempre, de tanta afinidade e cumplicidade, e a gente foi deixando esfriar, até ir parar no limbo, jogado num cantinho dos contatos das redes sociais? Eventualmente vira uma ‘curtida’, e só. Já virou uma amizade não-vivida mais.  A falta de tempo, novos amigos, ou novos conhecidos, a mudança de bairro, uma discussãozinha no bar – e que depois não tiramos a limpo. Limbo.
E aquela relação tão forte, aquele amor, aquela admiração, atração intensa pelo outro, parceria, a divisão das dificuldades e a multiplicação das conquistas e alegrias, que por detalhe, acabou? Detalhe aqui pode ser birra, mágoa, orgulho ferido, palavras pontiagudas, atos frutos da banda podre, que todos carregamos; sentimentos ruins, enfim, o lado lunar que todos temos. Porque diante do amor, tudo fica pequeno. Claro que cada caso é um caso, mas na maioria dos rompimentos, falo quando existe amor, qualquer motivo vira detalhe diante da grandeza do amor latente, e que acaba desrespeitado, logo  ele, tão sagrado e a grande diferença que temos dos macacos, cavalos, cães... Preferimos molhar o travesseiro à pegar o telefone e ligar, procurar, aliás a primeira coisa q a gente faz é bloquear o outro no e-mail, Facebook, whatsApp... só não bloqueia no coração, porque no coração não tem o botãozinho do excluir, do bloquear. E aí pra sempre restará o não-vivido mais ....
 Aquela criatura que era o seu sonho de ter filhos, viajar o mundo, construir uma vida juntos, morrer velhinhos, vira uma outra pessoa, quando não, o diabo. E o amor mais não-vivido, passa a ser vivido do rancor, do desamor.
A ideia q me assalta é q vivemos muito mais o não-vivido e o mais não-vivido. Seja por acaso, pelo cartão perdido, pelo telefonema não dado, pelo orgulho, pelo número bloqueado, pelo tempo, que mais que a distância, afasta as pessoas. Por detalhe, pela ausência do ‘desculpe a nossa falha’, as amizades se perdem, e os amores se morrem. No não-vivido e no mais não-vivido pra sempre. E assim vivemos. Ou não.